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"Impressões de uma viagem à URSS"



Em maio de 1938, Alfonso Rodriguez Castelao, deputado da Frente Popular em 1936 e símbolo do nacionalismo galego, esteve na União Soviética em uma visita de 26 dias. Aqui podemos ler uma carta de Castelao enviada ao seu grande amigo Rodolfo Prada, no dia 27 de maio de 1938, onde descreve suas impressões sobre o país no qual “está gerando uma nova vida que deverá ser o molde para os demais povos do mundo”. O documento que vamos transcrever a continuação é uma entrevista pouco convencional (melhor dizendo, um texto redigido pelo entrevistado) que Castelao concedeu ao periódico “Nova Galiza” no dia 12 de junho de 1938, dias após regressar da URSS.


Impressões de Uma Viagem à URSS


Nosso compatriota, Alfonso R. Castelao, um genial cartunista antifascista e deputado da Frente Popular, fala para a “Nova Galiza” em razão de sua recente viagem à União Soviética.


No volume anterior de a “Nova Galiza” demos conta sucinta do retorno da delegação À Espanha que, por motivo das Celebrações de Primeiro de Maio, visitou o grande país soviético e conviveu com os camaradas da URSS durante vinte e seis dias.


Com essa delegação, foi a URSS nosso distinto compatriota Alfonso R. Castelao, com o o qual recolhemos uma rápida impressão de sua viagem no momento de sua chegada à Barcelona antes de sair do ônibus que o transportou de Port-Bou, e que publicamos em nosso volume da semana passada.


Logo – com mais calma – o visitamos em seu domicílio, onde ele nos falou extensamente – para a “Nova Galiza” - de múltiplos aspectos políticos, culturais e econômicos do grande país amigo.


O problema das nacionalidades – que segue sendo um problema em todos os países do mundo – foi resolvido de maneira definitiva e satisfatória na Rússia soviética. Castelao, autoridade indiscutível sobre o assunto, primordial para sua ocupação política, chega à Espanha maravilhado com a vida feliz dos trabalhadores soviéticos e do desenvolvimento progressivo das distintas nacionalidades que compõem a URSS.


Castelao, cartunista, escritor, profissional da educação, médico e deputado galego da Frente Popular, encontrou ali os motivos mais interessantes para um estudo detalhado e profundo, e deseja visitar novamente o grande país onde o socialismo está sendo construído.


Durante os dias que se passaram até sua chegada à Espanha, nosso distinto compatriota interveio em diversos atos organizados pelos Amigos da União Soviética; conferências públicas, parlamentos por rádio, recepções, visitas às autoridades, e teve que atender a numerosas entrevistas de diários e revistas; visitou quartéis, jornais, a Câmara Municipal de Barcelona, a Catalunha, etc., tendo sido oferecida a toda a delegação uma refeição na Embaixada da URSS, durante a qual nosso compatriota fez o uso da palavra, em galego.


Porém, suas manifestações mais íntimas, mais emotivas e mais transcendentais ele fez para a “Nova Galiza”, direcionado à todos nossos compatriotas da Espanha e da América, para que tenham uma informação ampla de sua viagem, na qual levou a representação espiritual de todos os galegos antifascistas.


Além da valiosa informação que escutamos durante mais de duas horas – e que publicamos de maneira resumida -, nos disse o grande cartunista galego que lhe foi destinada uma sala no Museu de Arte Ocidental Contemporânea de Moscou, o qual é um dos melhores do mundo.


Por outra parte, as atenções recebidas do povo soviético têm sido constantes e de um valor inestimável, as Edições de Arte “Iskusstvo” irão publicar em breve mais desenhos inéditos sobre nossa guerra de independência, e os Sindicatos soviéticos o fizeram reconhecer pelo grande sábio oculista Abervach.