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"A bandeira vermelha sobre Berlim: entendendo a história por trás da foto"



Em um dia como esse [2 DE MAIO], há exatos 76 anos, a Bandeira da Vitória era erguida de modo definitivo sobre o Reichstag, finalizando assim a Batalha de Berlim, uma das mais sangrentas de toda a Segunda Guerra Mundial. Uma das fotos mais famosas de toda a História é a do soldado soviético colocando uma bandeira da URSS no prédio. Parece algo simples de compreender — os soviéticos tomaram o prédio e hastearam sua bandeira, não? Na realidade, essa história é bem mais complexa do que parece.


A Bandeira da Vitória e o Reichstag

Afinal, de onde surgiu a Bandeira da Vitória e quem decidiu que erguer uma bandeira sobre o Reichstag seria um símbolo do fim da guerra?


Muitos concordam que o termo “Bandeira da Vitória” surgiu com Stalin. Há poucos anos, foi editado no Brasil um livro¹ chamado “Sobre a Grande Guerra Patriótica”, organizado e traduzido pelos Professores João Cláudio Pitillo e Ricardo Quiroga Vinhas. O livro é uma coletânea de discursos, ordens e artigos de Stalin no período da guerra. Em 6 de novembro de 1944, em Moscou, Stalin, durante um discurso para comemorar o aniversário da Revolução, diz:


“Agora resta para o Exército Vermelho sua última e decisiva missão: concluir junto com os exércitos dos nossos aliados o trabalho de destruição das tropas fascistas alemãs, vencer as feras no seu próprio covil e hastear sobre Berlim a bandeira da vitória.”


Portanto, já em 1944 havia, no alto comando soviético, a intenção de se hastear uma bandeira sobre Berlim como símbolo da derrota alemã.


Andrey Danilov, funcionário do Arquivo Estatal de Documentação Científica e Técnica de Belarus, em um artigo² publicado na agência de notícias bielorrussa Belta, afirma que um Estandarte da Vitória, vermelho, de veludo, com ornamentos nas bordas e com uma foice e martelo e uma Ordem da Vitória no centro, chegou a ser confeccionado na Fábrica de Bordados Nº7 de Moscou, mas nunca foi entregue às tropas que atacariam Berlim. Ao invés disso, diz o autor, no início de abril de 1945, foi dada uma ordem pelo comando soviético de que cada divisão avançando sobre Berlim deveria produzir e carregar consigo uma bandeira vermelha que poderia ser hasteada sobre a cidade.


Ao passo que os soviéticos iam tomando prédios em Berlim, iam-se hasteando bandeiras vermelhas, de modo que havia centenas de bandeiras da URSS tremulando sobre a cidade mesmo antes do hasteamento da Bandeira da Vitória definitiva.


Mas onde hastear então a mais simbólica de todas? O Reichstag pareceu a escolha mais acertada para a ocasião. Esse prédio abrigava o antigo parlamento alemão, praticamente inexistente durante o governo de Hitler. Em 1933, o Reichstag foi incendiado pelos nazistas, que, na altura, culparam os comunistas e usaram isso como manobra para instaurar uma ditadura de perseguição política. Além do simbolismo de tomar o Reichstag para recuperar a honra dos comunistas, o prédio era alto, visível de vários pontos da cidade, localizado em uma área relativamente aberta do centro histórico da cidade de Berlim e perto do rio Spreer.


O ataque ao Reichstag

Com o alvo definido, bastava tomá-lo. Desde o dia 28 de abril, os soviéticos tinham acesso a praticamente todo o centro de Berlim, bombardeando inclusive os jardins da Chancelaria do Reich, onde, no subsolo, se escondia Hitler em seu bunker. O Reichstag ficava bem próximo disso.


Antes de chegar propriamente ao prédio, os soviéticos tiveram de tomar os prédios próximos, que abrigavam a sede da Gestapo, a polícia secreta nazista, e o Ministério do Interior.

No dia 30 de abril de 1945, o ataque ao prédio de fato começou. O autor Arseny Zamostyanov, em um artigo na revista “Istorik”³, explica: