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"Socialismo e Patriotismo"



O poderoso movimento por uma paz duradoura que se desenvolve em todas as partes do mundo se confunde, nas condições atuais, com a defesa da soberania nacional, da liberdade e da independência dos povos. As massas populares têm, cada vez mais, nítida consciência de que as forças agressivas imperialistas, que procuram destruir as bases da existência pacífica dos povos, lhes causam inumeráveis males e sofrimentos, e destroem sua independência nacional. A campanha do capital monopolista contra a soberania nacional dos povos faz parte integrante da política de preparação de uma nova guerra, na luta dos imperialistas pelo domínio mundial. Assim como a defesa da paz, a defesa da independência nacional é uma causa muito importante dos povos; ela é vital para eles, que estão ameaçados pela agressão dos imperialistas. A força crescente do movimento da paz apóia-se no patriotismo das grandes massas, pois a luta para evitar a guerra significa, ao mesmo tempo, a luta contra a política imperialista de escravização dos povos. Desde que o marxismo o comunismo científico — existe, os ideólogos da burguesia afirmaram e continuam a afirmar que o socialismo e o comunismo seriam incompatíveis com o patriotismo, pois que defendendo os interesses do movimento operário internacional, solidarizando-se com a política do campo socialista e democrático, os comunistas dos países capitalistas deixariam de ser patriotas. Na realidade, porém, é justamente a burguesia que espezinha a bandeira da soberania nacional, a bandeira do patriotismo, e são os comunistas que reerguem e levam avante a bandeira da luta pela liberdade e a independência dos povos — a bandeira do patriotismo — e que reúnem em torno de si amplas massas trabalhadoras de todos os países. Os comunistas, que defendem firmemente as liberdades democráticas, entre elas a independência nacional, elevam o movimento patriótico dos povos a um grau superior, e cultivam o patriotismo como uma grande força na luta pela vitória da paz, da democracia e do socialismo.

As Raízes Históricas do Patriotismo Há séculos, os homens vivem em pátrias que se formaram no curso da história e dentro de cujos limites se efetua seu progresso social e cultural. Daí o patriotismo se haver tornado um dos sentimentos humanos mais profundos, mais sólidos e mais vigorosos. O patriotismo não é uma qualidade inata, biológica, dos homens; é ura sentimento social determinado pela história, de amor à pátria, Sentimento que o homem manifesta servindo aos interesses de sua pátria. Todo povo tem interesse no desenvolvimento social e cultural de sua pátria — isto é: no desenvolvimento do meio no qual ele vive e trabalha —; todo povo tem determinados interesses comuns, ligados à defesa da pátria, da língua e da cultura maternas, contra qualquer golpe dos conquistadores estrangeiros. Os sentimentos patrióticos se desenvolveram e consolidaram de geração em geração em virtude de a pátria de cada povo se achar sob a ameaça de incursões estrangeiras. Sabe-se que, desde a desagregação do regime do comunismo primitivo, toda a história da sociedade tem sido a história da luta de classes. A exploração e a opressão de uma classe por outra nas sociedades escravista, feudal e capitalista são acompanhadas e completadas pela subjugação de certos povos e Estados or outros. As classes exploradoras que pilham e oprimem os trabalhadores e seus países são, ao mesmo tempo, as instigadoras e organizadoras das conquistas de territórios estrangeiros, da escravização de outros povos. Foi na luta contra os inimigos externos e contra o jugo estrangeiro que os sentimentos patrióticos das massas populares se desenvolveram, e criaram raízes. Durante séculos, o povo russo defendeu seu solo e sua independência em lutas encarniçadas contra as numerosas hordas de conquistadores que investiam de Leste do Oeste e do Sul. O povo russo suportou honrosamente as duras provas da história, e nenhum conquistador conseguiu quebrar sua vontade de luta pela liberdade e a Independência da Pátria. Nem mesmo o penoso jugo tártaro-mongol conseguiu dobrar o povo russo. O jugo estrangeiro não obteve outro resultado senão fazer brilhar com um fogo mais vivo, no coração dos russos, a flama do patriotismo, do amor à Pátria, e do ódio a seus subjugadores. O patriotismo ardente dde duros sacrifícios é que o povo russo conservou sua independência e defendeu a honra de sua pátria ao mesmo tempo que forjava a unidade política do país na luta contra seus inimigos e superava o desastroso fracionamento feudal. Na Rússia, o Estado centralizado único constituiu-se muito mais cedo do que em muitos países europeus porque não somente as necessidades do desenvolvimento econômico mas também o interesse da defesa reclamavam a mais rápida passagem do fracionamento feudal a uma união política mais coesa a um Estado centralizado, capaz de resistir à pressão dos inimigos externos. Em todos os tempos, os povos da Ucrânia, da Bielo-Rússia, da Moldávia, dos países bálticos, da Transcaucásia, da Ásia-Central e dos confins orientais da Rússia uniram sua sorte à do povo russo. Oprimidos e torturados pelos conquistadores estrangeiros, foi somente em aliança com o povo russo, que eles puderam escapar ao extermínio e às constantes incursões do inimigo. Mesmo nas condições de discórdia nacional implantada pelo czarismo, privados de direitos e oprimidos na Rússia czarista, eles eram invariavelmente atraídos pelo povo russo. Os laços históricos e os sentimentos patrióticos dos povos de nosso país desenvolveram-se na heróica luta travada em comum contra os exploradores, contra os conquistadores estrangeiros. Superando a resistência encarniçada da reação, os trabalhadores marcharam firmemente para a liberdade, para a conquista das condições indispensáveis a uma vida verdadeiramente humana. Os chefes da democracia revolucionária russa — Bielinski, Tchernichevski e seus continuadores — foram ardentes patriotas; combateram com abnegação o jugo social sob todas suas formas; foram amigos sinceros de todos os povos da Rússia e partidários do. desenvolvimento da humanidade para o progresso. O patriotismo dos democratas revolucionários, — exprimindo os interesses e as esperanças das massas populares — está indissoluvelmente ligado ao movimento libertador, à luta pela liquidação do czarismo e do regime feudal. Os melhores filhos de todos os povos de nosso país, os heróis da luta libertadora e os educadores democratas Taras Chevtchenko, Constantin Kalinovski, Sigismundo Serakosvki, Michail Nalbandian, Hia Tchavtchavadzê, Abai Kunbáiev e outros foram inspirados pelo exemplo de Bielinski e de Tchernichevski; estavam imbuídos das idéias dos democratas revolucionários russos e, sob a bandeira da democracia revolucionária, combateram o czarismo e lutaram para livrar seus povos, assim como o povo russo, do jugo da autocracia e da servidão. Os democratas revolucionários odiavam e ridicularizavam o servilismo das classes dominantes com relação a tudo que era estrangeiro; defendiam a dignidade nacional do povo e o desenvolvimento da cultura de seu país. Ao mesmo tempo, eram adversários resolutos da estreiteza nacionalista; estigmatizavam com paixão os reacionários russos que procuravam isolar os trabalhadores da Rússia dos movimentos revolucionários e libertadores de outros países. As personalidades e os artists progressistas denunciavam o ideal feudal de um «Estado isolado», que apresentavam aos reacionários como sombria «prisão» circundada por um muro impenetrável à luz. Combatiam eles, com perseverança, o culto infame dos vestígios petrificados de um passado morto, a barbárie e a ausência da cultura; ridicularizavam impiedosamente a admiração dos ideólogos do servilismo pelo arado de madeira e a isbà sem chaminé, «reluzente do negro da fumaça»; pregavam incansavelmente a liberdade e o progresso de seu país. As revoluções democrático-burguesas e os movimentos de libertação nacional no período do capitalismo ascendente provocaram um florescimento dos sentimentos patrióticos nas mais amplas massas trabalhadoras. Esse entusiasmo patriótico dos trabalhadores foi utilizado pela burguesia, que era, na época, uma força objetivamente revolucionária; que defendia os direitos e a independência das nações burguesas em formação; que agia como representante dos interesses gerais da nação, como partidário da soberania nacional. O patriotismo foi, para ela, a bandeira de luta pelo Estado nacional burguês. Evidentemente, o patriotismo das diferentes classes de uma nação burguesa não é homogêneo. O patriotismo da burguesia tinha por base econômica a luta pelo livre mercado nacional, pelo abolição das barreiras feudais que restringiam a liberdade de circulação das mercadorias. O patriotismo do campesinato teve por base a luta pela abolição da servidão, pela terra e pela liberdade individual. O patriotismo da classe operária — classe em crescimento — orientou-se para à criação de uma pátria livre e democrática, como condição indispensável da luta, pelo socialismo. O movimento burguês de libertação nacional contra as forças e as instituições feudais e absolutistas teve grande importância progressista no desenvolvimento econômico e político dos povos. No período das guerras de libertação nacional, as massas populares foram empolgadas por um rigoroso entusiasmo patriótico, a despeito de toda a diversidade de interesses e objetivos de classe. O título de patriota tornou-se então o mais honroso, personificando a consciência do dever cívico. No período da revolução burguesa do século XVIII, na França, eram chamados e patriotas os que defendiam a República contra os atentados da contrarrevolução feudal-monarquista, que se aliara aos inimigos estrangeiros da França. Na Europa Ocidental, a época do ascenso dos movimentos democráticos burgueses e das guerras nacionais se prolongou até à guerra franco-prussiana e à Comuna de Paris. Por sua conduta durante a Comuna de Paris, a burguesia francesa mostrou que não mais podia intervir na qualidade de força nacional; que não mais podia representar e defender os interesses nacionais. Para sufocar a Comuna de Paris, reprimir o movimento proletário, a burguesia francesa concluiu vergonhosa barganha com o inimigo estrangeiro q