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Marx: "Manuscrito sobre o dinheiro"


(XLI) Se os sentimentos, paixões, etc. do homem não são meras características antropológicas no sentido mais restrito, mas sim afirmações verdadeiramente ontológicas do ser (natureza), e se só são realmente afirmadas na medida em que seu objetivo existe como um objeto dos sentidos, então é evidente: (1) que seu modo de afirmação não e um só e imutável, mas, antes, que os diversos modos de afirmação constituem o caráter distintivo de sua existência, de sua vida. A maneira pela qual o objeto existe para eles é a forma distintiva de sua gratificação; (2) onde a afirmação sensorial é uma anulação direta do objeto em sua forma independente (como ao beber, comer, trabalhar um objeto, etc), esta é a afirmação do objeto; (3) na medida em que o homem, e daí também seus sentimentos, etc., são humanos, a afirmação do objeto por outra pessoa também é sua gratificação própria; (4) só por meio da indústria evoluída, i. é, por meio da propriedade privada, concretiza-se a essência ontológica das paixões humanas, em sua totalidade e humanidade; a própria ciência do homem é um produto da autoformação do homem graças à atividade prática; (5) o significado da propriedade privada - liberta de sua alienação - é a existência de objetos essenciais ao homem, como objetos de divertimento e atividade. O dinheiro, já que possui a propriedade de comprar tudo, de apropriar objetos para si mesmo, é, por conseguinte o object par excellence. O caráter universal dessa propriedade corresponde à onipotência do dinheiro, que é encarado como um ser onipotente. . . o dinheiro é a proxeneta entre a necessidade e o objeto, entre a vida humana e os meios de subsistência. Mas, o que serve de medianeiro à minha vida também serve à existência de outros homens para mim. Ele é para mim a outra pessoa. "Com a breca! pernas, braços peito, Cabeça, sexo, aquilo é teu; Mas, tudo o que, fresco, aproveito, Será por isso menos meu? Se podes pagar seis cavalos, As suas forças não governas? Corres por morros, clivos, valos, Qual possuidor de vinte e quatro pernas." (GOETHE, Fausto, Mefistófeles) Shakespeare em Tímon de Atenas: "Que é isto? Ouro? Ouro amarelo, brilhante, precioso? Não, deuses: eu não faço protestos vãos. Raízes quero, ó céus azuis! Um pouco disto tornaria o preto branco; o feio, belo; o injusto, justo; o vil, nobre; o velho, novo; o covarde, valente. Mas, oh, ó deuses! por que é isso? isto que é, deuses? Isto fará com que os vossos sacerdotes e os vossos servos se afastem de vós; isto fará arrancar o travesseiro de debaixo das cabeças dos homens fortes. Este escravo amarelo fará e desfará religiões; abençoará os réprobos; fará prestar culto à alvacenta lepra; assentará ladrões, dando-lhes título, genuflexões e aplauso, no mesmo banco em que se assentam os senadores; isto é que faz com que a inconsolável viuva contraia novas núpcias; e com que aquela, que as úlceras purulentas e o