"Paul Robeson: um exemplo de censura à música revolucionária, que se estende até hoje"



No começo da guerra fria, uma multidão racista atacava o concerto de Paul Robeson, nos arredores de Peekskill, localizado ao norte do Estado de Nova York. Podemos imaginar a agressão como uma imagem da atualidade do racismo nos Estados Unidos.

Robeson já não é a lenda que foi nos anos 40. Era filho de um ex-escravo, que tornou-se pastor, e de uma mãe cujos antepassados eram escravos que haviam se casado com índios de Delaware e com quacres brancos.

Nascido em 1896, cresceu em Nova Jersey e frequentou a Universidade de Rutgers, que no ano passado celebrou o centenário de sua graduação com todas as honras. Robenson havia se destacado em tudo: nos estudos, nos esportes e na música.

Teria sido um americano perfeito, se não fosse negro. Como cantor, adquiriu fama nos Estados Unidos e na Europa. Na URSS recebeu o Prêmio Stalin. O público nunca havia escutado uma voz como a sua.

Também era um ator de grande magnitude, uma estrela em potencial; sua aura despertava ideias do nascimento de um herói cinematográfico negro, até que as limitações raciais de Hollywood se colocaram em evidência.

A guerra fria se voltou contra ele. A caça às bruxas começou, uma grande operação para eliminar qualquer vestígio de cultura progressista nos EUA.

O concerto de Peekskill foi uma reviravolta. Estava programado para 27 de agosto de 1949. Enquanto seus anfitriões levaram Robenson para a sala do concerto, a estrada foi bloqueada e uma multidão reacionária começou a gritar slogans racistas e antissemitas.

Conseguiram bloquear a chegada do carro em que Robeson estava viajando. Eles quebraram o palco, colocaram fogo nas cadeiras e queimaram uma grande cruz à moda da Ku Klux Klan.

Três dias depois, uma multidão se reuniu no Harlem para prestar apoio a Robeson, planejaram tentar novamente fazer o show no dia 4 de setembro no mesmo local.

Representantes de vários sindicatos, curtidores, eletricistas, estivadores e donos de mercearias, ocuparam cargos em frente à residência da família Robeson em uma casa particular antes do show. Os veteranos da segunda guerra se prepararam para qualquer eventualidade.

Os racistas assumiram suas posições, trazendo consigo muitas armas, em uma colina próxima, mas Robeson voltou ao palco cercado por um cordão de segurança sindical. Sob a mira de uma pistola, Robeson cantou junto com Pete Seeger e outros, começando com "Let My People Go!".

Enquanto os espectadores tentavam sair do local por um caminho estreito, os racistas atingiram os carros e ônibus com pedras e alguns participantes foram arrancados de seus carros e espancados em meio a clamores como: "Vão para a Rússia, judeus e vermelhos!"

A embriaguez jornalística da época declarou que "Robeson pediu isso!". A censura se cerrou sobre o cantor comunista. Organizações que afirmavam defender os direitos civis se afastaram dele e seus shows foram proibidos. Eles tiraram seu passaporte. Sua voz foi totalmente silenciada.

Do blog Poder Obrero

Tradução de Pedro Barbosa

NOVACULTURA.info

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