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"Stalin e a Revolução Chinesa"


I - A Ajuda Teórica e Prática de Stalin

Por ocasião das solenidades realizadas em Ienan em comemoração do 60.° aniversário de Stalin, o camarada Mao Tsé-Tung declarou:

"Stalin é o líder da revolução mundial. Trata-se de uma questão de suma importância. É um grande acontecimento o fato de a humanidade possuir Stalin. Uma vez que o temos, as cousas podem marchar bem. Como vocês todos sabem, Marx já morreu e também Engels e Lenin. Se Stalin não existisse, quem haveria para nos orientar? Mas desde que o temos — trata-se efetivamente de um acontecimento feliz. Atualmente existe no mundo uma União Soviética, um Partido Comunista e um Stalin. Sendo assim, as questões mundiais podem marchar bem".

O camarada Mao Tsé-Tung fez ver aos camaradas do nosso Partido Comunista Chinês: "É nosso dever aplaudi-lo, apoiá-lo e aprender com ele. Devemos aprender com ele em dois sentidos: a sua teoria e a sua obra".

O camarada Mao Tsé-Tung explicou os méritos de Stalin no desenvolvimento do marxismo-leninismo. Esclareceu que a direção de Stalin na ultimação da construção socialista na União Soviética constituía "matéria de monumental significação". Tornou claro que Stalin tem auxiliado a causa do povo chinês tanto com a teoria quanto com a ajuda material. Declarou o camarada Mao Tsé-Tung: "No passado, o marxismo-leninismo deu uma direção teórica à revolução mundial. Agora, alguma cousa mais foi acrescentada, isto é, uma ajuda material pode ser dada à revolução mundial. Este é um grande mérito de Stalin."

Passaram-se mais dez anos e agora comemoramos o 70.° aniversário do camarada Stalin. Esta efeméride tem lugar depois que a humanidade passou pelas lutas da segunda guerra mundial e os povos do mundo, liderados pela União Soviética, derrotaram os três Estados imperialistas é fascistas, a Alemanha, a Itália e o Japão. Ocorre após o aparecimento no mundo de muitas novas Democracias Populares. Ocorre depois que o povo chinês derrotou o imperialismo japonês, prosseguindo na luta para desbaratar o governo contra-revolucionário do Kuomintang e para expulsar as forças invasoras do imperialismo americano, do que resultou o estabelecimento da República Popular da China. Ocorre na ocasião em que a União Soviética se tornou incomparavelmente forte no mundo, enquanto que o sistema imperialista mundial, liderado pelo imperialismo americano, está cambaleante. A série de grandes acontecimentos históricos dos últimos dez anos não pode ser separada do nome de Stalin. Com maior razão, esses acontecimentos não podem ser separados da obra de Stalin ou da ajuda de Stalin aos povos de todos os países. Os fatos históricos mundiais dos últimos dez anos provaram mais uma vez que Stalin não é somente a bandeira de vitória do povo soviético, mas também da humanidade progressista de todo o mundo. Provaram também o que o camarada Mao Tsé-Tung assinalou há dez anos: "Stalin é o líder da revolução mundial.

Trata-se de uma questão de suma importância. É na realidade um grande acontecimento o fato de a humanidade possuir Stalin. Uma vez que o temos, as cousas podem marchar bem". O fato de a humanidade possuir um Stalin "é realmente um acontecimento feliz".

O aniversário de Stalin é uma "data da humanidade" para todos os países. Constitui uma felicidade para o povo chinês a própria possibilidade de celebrar, juntamente com o povo soviético e toda a humanidade progressista, o 70.° aniversário natalício da maior figura que a história, contemporânea nos apresenta, desse mestre de gênio, cujos conhecimentos são os mais universais e cujas realizações têm sido as mais vastas para a causa da libertação da humanidade, desde Marx, Engels e Lenin. Esta celebração é um brinde à libertação dos povos e à esperança e futuro da humanidade.

Entretanto, nós, o povo chinês, temos razões especiais para saudar Stalin. Essas razões são: a estreita afinidade de Stalin com a revolução chinesa: a sua preocupação pelo destino do povo chinês; e as suas grandes contribuições teóricas às questões da revolução chinesa.

II - Confirmadas Todas as Previsões de Stalin

Na base de uma análise concreta das condições reais da China, Stalin, este grande cientista do materialismo dialético, o mestre da revolução mundial, elabora, na época da primeira Grande Revolução da China, uma série de questões concernentes à revolução chinesa, às quais ofereceu soluções verdadeiramente brilhantes. Com sua contribuição, Stalin liquidou a absurda possibilidade de uma China dominada pelos contra-revolucionários trotskistas e ajudou o Partido Comunista Chinês a tomar o caminho do bolchevismo. As muitas contribuições de Stalin sobre a China, durante esse período, são exemplos da integração da teoria revolucionária com a prática revolucionária; constituem uma parte importante do tesouro da teoria marxista-leninista que diz respeito ao destino da humanidade. Essas contribuições de Stalin eram corretas não somente naquela época, mas também se revelaram totalmente justas pela prática da revolução chinesa durante estes tumultuosos vinte anos.

Quando o espírito revolucionário do povo chinês pela primeira vez se revelava, Stalin já percebera que a revolução chinesa continha uma força ilimitada. Recentemente, por ocasião das solenidades' comemorativas da Revolução de Outubro, Malenkov teve oportunidade de mencionar uma previsão de Stalin, feita em 1925:

"As forças do movimento revolucionário na China são ilimitadas. Ainda não se manifestaram devidamente. Mas ainda se manifestarão no futuro. Os governantes do Oriente e do Ocidente que não virem essas forças e não contarem com elas no necessário grau, sofrerão as consequências disso"(1).

Esta previsão de Stalin estava baseada numa análise, entre outras., das condições políticas e econômicas da China e na posição das forças componentes da sociedade chinesa. Baseava-se também na análise, entre outras, das condições políticas e econômicas do mundo e na posição das várias forças mundiais.

Com relação à China Stalin fez esta importante análise, em novembro de 1926, quando escreveu sobre as perspectivas da revolução chinesa: "O papel de iniciador e de dirigente da revolução chinesa, o papel de dirigente do campesinato chinês, caberá inevitavelmente ao proletariado chinês e ao seu partido".

Esta análise de Stalin foi feita em relação à fraqueza da burguesia nacional da China. Trata-se de uma análise da maior importância. Porque se o proletariado chinês estava em condições de assumir a liderança da revolução chinesa, então os camponeses chineses e as demais camadas populares poderiam desenvolver em grau máximo a sua força revolucionária sob a direção do proletariado chinês. E uma vez que isto seja realizado pelo povo deste país, que compreende quase um quarto da população do globo, a face do mundo estará necessariamente mudada.

No âmbito mundial, é evidente que Stalin se baseou na famosa lei descoberta por Lenin a respeito do desenvolvimento econômico e político desigual dos países capitalistas e do aguçamento excepcional de suas contradições na era do imperialismo. Partindo dessa lei, Stalin predisse que a revolução chinesa tinha a possibilidade, em seguida à Revolução de Outubro na Rússia, de continuar a ruptura da frente imperialista no Oriente. Stalin baseou as suas conclusões também na existência da União Soviética e no seu poder. Como assinalou na sua obra "Sobre as Perspectivas da Revolução Chinesa": "Ao lado da China existe e se desenvolve a União Soviética, cuja experiência revolucionária e ajuda não podem deixar de facilitar as lutas do proletariado chinês contra o imperialismo e contra os restos feudais e medievais na China".

Originando-se a sua previsão de uma base científica sólida, Stalin viu o caráter extraordinariamente profundo da luta do povo chinês. Por isso, em todas as etapas da revolução chinesa e por maiores que fossem os obstáculos opostos à sua marcha, estava convencido de que a revolução finalmente avançaria e obteria a vitória.

Depois que Chiang Kai-Shek traiu a revolução em 1927, Stalin refutou a absurda confusão que a camarilha trotskista fazia da revolução chinesa com a "forma kemalista da revolução" da Turquia. Stalin analisou a diferença entre a China e a Turquia e sustentou que a possibilidade de uma "forma kemalista de revolução" não existia na China. Disse Stalin:

"Na China o imperialismo tem que derrotar o corpo vivo da China nacional, dilacerando-o em pequenos pedaços e desmembrando, pela força, províncias inteiras afim de manter as suas velhas posições, ou pelo menos uma parte delas.

"Daí se conclui que, embora na Turquia a luta contra o imperialismo possa terminar com a inacabada revolução anti-imperialista dos kemalistas, na China ela deve adotar um caráter claramente nacional e popular e deve avançar por etapas até que atinja a condição de uma luta desesperada contra o imperialismo, abalando os próprios alicerces do imperialismo através de todo o mundo"(2).

Stalin assinalou ainda:

"Na China, ou um Mussolini chinês da categoria de um Chang Tso-Lin e de um Chang Tsung-Chang vencerá e será em seguida derrotado pelo surgimento da revolução agrária, ou Wuhan logrará a vitória (Stalin refere-se aqui ao Wuhan do tempo em que era revolucionário — C.P.T.). Chiang Kai-Shek e sua camarilha, ao tentar encontrar uma terceira posição entre esses dois campos, inevitavelmente morderá o pó da derrota, participando da sorte de Chang Tso-Lin e Chang Tsung-Chang"(3).

Quando Wang Ching-Wei, seguindo as pegadas de Chiang Kai-Shek, também traiu a revolução, Stalin continuou a refutar a camarilha trotskista que via nisso a derrota da revolução chinesa. Afirmou então que não havia qualquer possibilidade para a existência do reformismo na China. Disse Stalin:

"Entre os próprios militaristas, velhos e novos, a guerra está acesa e este fato não pode deixar de enfraquecer o poder da contra-revolução, arruinar o campesinato e aumentar o seu descontentamento".

"Na China não há ainda nenhum grupo ou governo capaz de executar reformas análogas às que Stolypin pôs em prática e que sirvam como pára-raios à classe dominante".

"Não é fácil conter e suprimir os milhões de camponeses que tomaram posse das terras dos latifundiários".

"O prestígio do proletariado entre as massas trabalhadoras aumenta dia a dia e a sua força está longe de ser destruída"(4).

O desenvolvimento dos acontecimentos é a pedra de toque das previsões.

A partir de 1927, uma série de acontecimentos ocorreu na China: Chiang Kai-Shek se tornou o Mussolini da China em substituição a Chang Tso-Lin e Chang Tsung-Chang; guerras de rapina tiveram lugar entre os novos e velhos senhores da guerra do Kuomintang; a revolução agrária chinesa adquiriu um caráter de franca luta armada; todas as tentativas de "reformismo" por parte do regime contra-revolucionário do Kuomintang fracassaram redondamente; a China foi completamente saqueada, em primeiro lugar pelos imperialistas japoneses e depois pelos imperialistas americanos; o povo chinês empreendeu uma luta de vida ou de morte contra os imperialismos japonês e americano; estas batalhas abalaram os alicerces do imperialismo em todo o mundo; Chiang Kai-Shek teve a mesma sorte de Chang Tso-Lin e Chang Tsung-Chang, tendo sido expulso da cena política contra-revolucionária. Esta série de acontecimentos confirmou plenamente as previsões feitas por Stalin há mais de 20 anos.

As previsões de Stalin infundiram coragem ao povo chinês durante a sua luta nestes vinte anos tumultuosos. Demonstraram claramente que a ciência revolucionária é uma forca irresistível. Revelaram, ao mesmo tempo, a maneira vergonhosa pela qual os trotskistas e todos os lacaios contra-revolucionários apoiavam Chiang Kai-Shek e Wang Ching-Wei.

III - O Caráter e a Tática da Revolução Chinesa

Em maio de 1927 Stalin fez a seguinte generalização a respeito do problema do caráter da revolução chinesa:

"A atual revolução chinesa é uma confluência de duas correntes de dois movimentos revolucionários — o movimento contra as sobrevivências feudais e o movimento contra o imperialismo. A revolução chinesa democrático-burguesa é a confluência da luta contra os restos feudais e da luta contra o imperialismo"(5).

Stalin chegou a esta conclusão através de uma aguda análise da sociedade chinesa. Tratava-se de uma conclusão de grande significação histórica em relação às questões da revolução chinesa. Como Stalin assinalou: "Tal é o ponto de partida de toda a política do Comintern sobre as questões da revolução chinesa" naquela época.

Os trotskistas justamente nessa ocasião se opunham a esta linha. Pensavam que a questão da China com relação aos países estrangeiros era apenas uma questão alfandegária, negando dessa maneira a natureza anti-imperialista da revolução chinesa. Negavam a influência preponderante dos restos feudais chineses, daí não reconhecendo a natureza anti-feudal da revolução chinesa.

Stalin fez notar que o ponto de vista mantido por Trotsky e seus sequazes era o ponto de vista contra-revolucionário de Chang Tso-Lin e Chiang Kai-Shek. Como todos sabem, foi precisamente porque os trotskistas chineses se baseavam em toda a teoria contra-revolucionária de Trotsky e, ao mesmo tempo, nos pontos de vista contra-revolucionários de Trotsky em relação à China, que eles tomaram o caminho da contra-revolução junto com os trotskistas de outros países.

Disse Stalin: "A revolução democrático-burguesa na China é dirigida não somente contra os restos feudais. É ao mesmo tempo dirigida contra o imperialismo"(6).

Somente quando a natureza da revolução tiver sido determinada na base das condições sociais da China poderá o nosso Partido avaliar corretamente as mudanças concretas nas relações de classe em qualquer situação histórica concreta, de maneira a determinar as tarefas específicas da revolução, organizar a frente revolucionária, conduzir a revolução para diante e criar a possibilidade da revolução chinesa se transformar, sob a hegemonia do proletariado chinês, de revolução democrático-burguesa em revolução socialista.

O oportunismo de Chen Tu Hsiu em 1927 se opôs precisamente a essa análise dialética de Stalin. O oportunismo de Chen Tu-Hsiu se aliou posteriormente ao trotskismo contra-revolucionário; este ponto é conhecido de todos e não mais trataremos dele.

Deve ser assinalado aqui que durante os vinte anos tumultuosos que nos separam de 1927, os erros surgidos tanto pelo oportunismo de direita como pelo de "esquerda" dentro do nosso Partido constituíam, em primeiro lugar, violações desta análise dialética de Stalin a respeito da natureza da revolução, tanto pela subestimação do seu aspecto anti-feudal quanto de seu