"Amor Pantera: Atendendo as necessidades do povo e construindo a unidade Pan-Africana"



"O capitalismo internacional não pode ser destruído sem que haja os extremos da luta. Todo o mundo colonial está olhando para os negros que estão nos EUA, imaginando e esperando que voltemos aos nossos rumos. Seus problemas e suas lutas contra o monstro americano são muito mais difíceis do que seria se ajudássemos ativamente. Estamos do lado de dentro. Somos os únicos (com exceção à pequena minoria branca que resta) que podem chegar ao coração do monstro americano sem submeter o mundo ao fogo nuclear. Temos um importante papel histórico a desempenhar, se quisermos. O mundo inteiro no futuro nos amará e se lembrará de nós como as pessoas justas que tornaram possível que o mundo continuasse vivo." - George Jackson, 1970

O motivo primário de todo verdadeiro revolucionário é o amor ao povo - não apenas ao povo em sua família, sua vizinhança ou em seu país, mas também as pessoas de todo o mundo, e particularmente as gerações que ainda não nasceram. É dever do revolucionário representar e lutar pelo futuro em suas lutas atuais.

Nem tudo é possível, mas, o que é possível é para que a sociedade humana se liberte da época da exploração, que existe, desde a ascensão do patriarcado e a instituição da escravidão: uma sociedade acorrentada em uma sucessão de políticas econômicas baseadas na opressão e exploração de classes. Isso não é apenas possível... É necessário, porque a menos que façamos isso, o presente monopólio do sistema capitalista (imperialismo) irá ser o fim de nossa evolução. Trará a extinção de nossa espécie (e todas as nossas relações), por sua alta destruição do ecossistema do qual nossa sobrevivência depende, e pela necessidade de guerras intermináveis, as quais, a existência do imperialismo é dependente.

O leopardo não pode mudar seu habitat, e o imperialismo não pode mudar sua natureza. É dirigido por apenas uma lei, e essa é a maximização da taxa de lucro sob o investimento do capital. O capital procura a maior taxa de lucro assim como um vampiro procura sangue. Não é possível mudar essa essência predatória. Só é possível colocar uma "face humana" para esconder suas presas e acalmar suas vítimas em um falso senso de segurança, mas todos estão no menu. Dinheiro é o senhor, as pessoas os escravos, até mesmo os capitalistas monopolistas. Eles estão ligados à Lei da Maximização da Taxa de Lucro como se fosse uma maldição inquebrável, e eles farão de tudo para servir esse senhor, independente do custo humano, até chegar ao ponto de sua autodestruição.

O Dinheiro é uma invenção humana. Uma ideia abstrata pra representar o valor criado pelo trabalho humano sob o preço dos produtos no mercado. É tão real quanto concordamos que é. O valor é criado socialmente pelas massas de trabalhadores, cada um fazendo seu trabalho, extraindo riqueza da terra e transformando através do seu trabalho e da aplicação da tecnologia em mercadorias para o consumo. O poder do trabalho dos trabalhadores é, ele mesmo, um produto, comprado pelos capitalistas e que é sua maior fonte de riqueza e poder. A diferença entre o preço da força de trabalho do operário e o valor gerado por ela é o lucro capitalista, (menos o custo dos materiais e das despesas gerais), e a taxa de lucro é a velocidade em que um determinado lucro é gerado. Os capitalistas competem para investir onde a taxa de lucro é maior.

A contradição entre a natureza social da produção e a propriedade privada dos meios de produção (incluindo a força de trabalho) impede o controle social da produção e assegura a ditadura do monopólio capitalista sobre toda sociedade. As políticas do imperialismo são ditadas pelos interesses de classe do monopólio capitalista. Como é da natureza do lucro cair sob condições de automação (a produção se torna mais intensa em relação ao capital e há menos trabalhadores para explorar), o monopólio capitalista é levado a buscar uma mão de obra mais barata e despesas menores (aluguel mais barato, preços mais baixos de energia e matéria prima, menos impostos, segurança e proteção ambiental) e assim, aumentar seus lucros. Está é a força que impulsiona a política do imperialismo e desencadeia guerras, enquanto os capitalistas disputam entre si o controle dos países subdesenvolvidos (e seus recursos naturais), mantendo essas populações pobres e pressionadas como reserva de mão de obra barata.

Os vampiros procuram liberdade para sugar o sangue das pessoas, e seu apetite só aumenta, não diminui. A alternativa para esse "livre mercado" é uma economia planificada (socialismo), onde as pessoas tomam decisões sobre o que é melhor pra elas em um alicerce coletivo e decidem como desenvolver sua economia. Como todo fã de filmes sabe, quando se tem problemas com vampiros, não adianta tentar argumentar ou fazer acordos com o vampiro. Você tem que ser científico. Tem que aprender tudo sobre o vampirismo, o que eles conseguem fazer e o que não conseguem, quais são suas fraquezas e como elimina-las. Eles são perigosos e assustadores, mas não invencíveis. Você só precisa fazer as coisas da maneira certa, usar as armas corretas e escolher o melhor momento para lutar contra eles. Até lá você deve sobreviver enquanto se prepara.

Agora, todos sabem que os capitalistas odeiam o socialismo. Eles odeiam a palavra; odeiam o mero sussurro dela. Odeiam como um vampiro odeia água benta ou a luz do sol. Até mesmo um pouco de socialismo, como nacionalização das reservas de petróleo de um país, os leva a um delírio assassino. Eles querem privatizar tudo: Ou seja, eles querem extrair lucro de tudo e de todos. Eles não querem que o povo exerça poder sobre nada.

Socialismo é mais que quebrar os excessos da dominação da economia política do livre mercado pelos interesses do monopólio capitalista global, significa escapar completamente da era de exploração: Um meio de matar o vampiro e acabar de vez com o vampirismo, abolindo a divisão da sociedade em classes e toda forma de exploração e opressão que a acompanha. É o amanhecer de um novo dia.

Todas as sociedades baseadas na exploração são ditaduras de classe. A classe dominante dita e oprime as classes exploradas, a fim de manter as relações desiguais e exploradoras que foram criadas. Todavia, sob o socialismo, a classe trabalhadora tomou o poder para mudar essas relações.

Todos os governos consistem em "corpos especiais de pessoas armadas", cujo trabalho é manter as relações de propriedades que existem na sociedade. Eles são policiais, militares, agentes penitenciários, agentes secretos e aqueles que os comandam. Após uma revolução socialista, as classes desfavorecidas e os trabalhadores criam seu próprio Estado, com seus próprios corpos especiais de pessoas armadas, a fim de transformar as relações de propriedade na sociedade. Este é, necessariamente, um processo demorado e que avança em etapas. Passo a passo eles revolucionam a sociedade para elevar, capacitar os pobres e criar novas relações sociais com base na assistência as necessidades do povo, promovendo a justiça social e os mais altos interesses da humanidade, enquanto impedem a restauração do capitalismo e o retorno da velha exploração.

Em certa etapa a sociedade dá um salto qualitativo e a necessidade de um Estado se dissolve, porque as contradições e divisões básicas da sociedade foram exterminadas. A era da exploração acabará e a nova época pós-exploratória, ou comunismo, será um novo mundo radicalmente diferente, de muitas maneiras remanescente da época pré-exploratória, de uma forma global e com uma base tecnológica muito mais elevada. O princípio de operação será: " De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades ". Dinheiro será algo para mostrar para as crianças no museu.

AMOR PANTERA

Quando nós falamos de "Amor Pantera", nós não estamos apenas falando de servir ao povo como forma de caridade, mas como forma de criar uma nova ordem social baseada na equidade e na verdadeira liberdade. Amor Pantera é um amor revolucionário, libertador, que muda o mundo. Nós começamos com as necessidades básicas das pessoas, suas necessidades de sobrevivência, porque para fazer revolução, nós precisamos primeiro sobreviver. Estamos em todos os lugares sob as armas, somos vítimas e sobreviventes do genocídio.

África é o lugar mais pobre do mundo: Isso é, sob as armas do imperialismo e do neocolonialismo. Por outro lado, é o lugar mais rico do mundo: Lá estão os países mais ricos em recursos naturais e em legado cultural da evolução social humana. África é onde tudo começou. Toda pessoa no planeta pode traçar suas raízes até a mãe África, o primeiro homem e mulher na árvore genealógica, que faz de todos uma única família humana. Em nenhum outro lugar a era pré-exploratória durou mais tempo.

Sua riqueza é sua maldição. O capitalismo emergiu em África sugando seu sangue. Os imperialistas europeus alcançaram a dominação global pela dominação colonial, escravidão e pelo genocídio, começando com a África. Os avanços tecnológicos na construção de veleiros deram aos mercadores europeus o domínio dos mares no século XV. Durante as Cruzadas, as riquezas e "as coisas boas" do artesanato asiático encantaram os europeus, eles estavam famintos pela abundância de sedas e jóias, especiarias e chás, todavia, os conflitos com o Islã os separou das tradicionais rotas comerciais entre o Oriente-Próximo e o Extremo-Oriente, até que os portugueses encontraram uma rota alternativa, a costa africana.

Os espanhóis encontraram o Hemisfério Ocidental navegando para o oeste, visando chegar ao Extremo-Oriente. Embora houvesse um grande mercado para os produtos da China na Europa, não havia muito mercado para os produtos europeus na China, até que os espanhóis começaram a enviar a prata extraída pelo trabalho escravo ameríndio do Peru e do México. Enquanto o mercado da China foi o principal ponto do mercantilismo, no comércio de carnes e batatas foi o "Comércio Triangular" entre a Europa, a África e as Américas. Isso se baseou no transporte de pessoas escravizadas em Afrika para as Américas (principalmente Caribe e Brasil) para cultivar açúcar e rum.

Rum, armas e os produtos de manufatura europeia foram trocados com os ameríndios do Norte das Américas em troca de peles, para a fabricação de chapéus e agasalhos para a alta classe na China e na Europa. Em África, esses produtos eram trocados por mais escravos. A introdução do tabaco no mercado global inspirou a colonização da América do Norte e a criação de plantations de tabaco, os quais, utilizavam de trabalho forçado dos ameríndios locais, dos pobres imigrantes ingleses e irlandeses, e das pessoas escravizadas de África.


Eventualmente, os escravizados africanos eram exclusivamente empregados nas plantações do Sul da América do Norte. Na medida em que o genocídio e a desapropriação dos povos indígenas ameríndios abriam mais terras ao cultivo, o algodão foi sendo introduzido e, depois da invenção do "desencaroçador de algodão", a taxa de lucro era tão grande que milhões de escravizados negros foram importados e levados para trabalhar nessas plantações concentradas no sul do "Cinturão Negro". Isso tudo continuou após a Guerra Civil, quando ex-escravizados e brancos pobres foram transformados em camponeses vinculados à terra pelo terror da Ku Klux Klan, institucionalizando o racismo, forçando o analfabetismo e a pobreza. Os negros foram forjados na nova nação africana sob as condições do colonialismo interno.

Em África, o colonialismo europeu avançou para o interior, à medida que, os que fugiam da escravidão iam para o interior. E aqui também (EUA), os colonos europeus estabeleceram plantações e implantaram o trabalho forçado para cultivar produtos para exportação e trabalhar nas minas, violando o continente africano por sua grande riqueza mineral. As potências imperialistas dividiram o continente em colônias e reprimiram cruelmente a resistência com um violento genocídio. Incontáveis milhões de africanos e ameríndios pereceram durante os séculos de acumulação primitiva de capital, que resultaram no domínio do capitalismo na economia política mundial.

O racismo emergiu como uma justificativa para esses grandes crimes contra a humanidade, o cristianismo ofereceu sua bênção por essa "expansão da civilização" e "salvar as almas dos pagãos". Os missionários cristãos trabalharam para pacificar e controlar os colonizados, oferecendo as migalhas da caridade cristã e limitando as oportunidades educacionais a uma classe seleta da elite afrikana, trajada de preconceito e cultura europeia para agir como intermediaria entre homens e "homens de frente". Alguns desses africanos englobados na lógica, homens como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral e Agostinho Neto acabaram se tornando os intelectuais e líderes revolucionários das lutas anticoloniais que abalaram o continente africano no período pós guerra mundial.

No curso das guerras mundiais, grandes revoltas e revoluções abalaram o mundo imperialista.


Em 1917, a Revolução Russa trouxe o primeiro Estado socialista do mundo. Após a Segunda Guerra Mundial, a revolução triunfante na China liderada por Mao Tsé-Tung e pelo Partido Comunista Chinês, criou uma república socialista em um país do terceiro mundo, anteriormente colonizado. Em toda Ásia, África e América Latina, as lutas anti-imperialistas desafiaram as ditaduras reacionárias e as administrações coloniais, com o apoio dos países socialistas.

O imperialismo estava seriamente ameaçado, todavia, se reafirmou, e os EUA emergiram como a única superpotência imperialista. A ascensão de movimentos sociais nos anos 60, assim como a revolta dos negros e outras comunidades oprimidas, como estudantes, mulheres e jovens em geral abalou o sistema da maior potência imperialista. O Partido dos Panteras Negras surgiu como um partido de vanguarda revolucionária nessa efervescência. Os Panteras combinaram rigorosos programas de sobrevivência, baseados nas necessidades das comunidades, na educação política revolucionária e na autodefesa armada do povo negro e oprimido.

O programa mais bem sucedido foi o Café da Manhã Gratuito Para as Crianças, iniciado pelo núcleo do BPP em Seattle em 1968, no ano seguinte havia sido replicado por todos os outros núcleos do partido em todo país. Ao acordar cedo todas as manhãs, os jovens Panteras serviam café da manhã para dezenas de milhares de crianças negras e pobres todos os dias. O programa foi desenvolvido fora das igrejas e de centros comunitários. Isso demonstrou o amor do partido pelas pessoas e o compromisso com a saúde e o bem-estar da comunidade. Outros programas incluíam "Escola de Libertação", clínicas gratuitas, roupas e sapatos gratuitos, serviços gratuitos de ambulância e outras aplicações criativas provenientes do ditado: "Servir ao Povo!".

Como Huey P. Newton, ministro da defesa do BPP, apontou: "Política é apenas o desejo de indivíduos e grupos de satisfazer primeiro suas necessidades básicas - comida, abrigo, roupas e segurança para si e para seus entes queridos". Demonstrar que essas coisas poderiam ter sido obtidas através da autoconfiança foi o primeiro passo para levar as pessoas a ver a potencialidade de levar a história para suas próprias mãos.

ATENDENDO AS NECESSIDADES DO POVO

Antes de tudo, precisamos fazer uma análise concreta das condições materiais, para assim, avaliar as necessidades mais urgentes do povo em seus diferentes contextos e, em seguida, organizar os programas apropriados, unindo todos os que podem estar juntos e interagindo com os grupos e serviços existentes. Em todos os lugares onde os negros estão concentrados existem problemas comuns; pobreza, fome, opressão policial, analfabetismo, desemprego, doenças, crime, falta de moradia, desesperança, doenças mentais e medo. As crianças acordam com fome, os idosos precisam de ajuda para sobreviver, as famílias dos prisioneiros querem ver e ouvir seus entes queridos, os sem-teto procuram abrigo e os trabalhadores querem melhores salários e condições de trabalho. Todas essas necessidades básicas e muito mais precisam ser atendidas pelo Partido e pelas organizações de massa do povo.

Para conseguir isso, o Partido deve iniciar e construir conselhos de bairro compostos pelos organizadores veteranos e pelos idosos respeitados das comunidades. Podem ser organizados programas sob esses conselhos, incluindo o emprego das forças de segurança das pessoas. Esses conselhos serviriam como formações paralelas de governo nessas comunidades oprimidas e no embrião do poder popular.

CAFÉ DA MANHÃ GRATUITO PARA AS CRIANÇAS

O Partido deve estabelecer como meta, que toda criança negra e pobre do planeta comece o dia com um café da manhã saudável. Isso inclui áreas de África onde a fome é intensa. Será necessário um exército de trabalhadores para atingir esse objetivo, e é um exército que devemos construir. As crianças não têm fome, nem mesmo morrem de fome porque há escassez de comida no mundo, mas porque suas famílias não podem comprar comida suficiente e não há lucro para os capitalistas ao alimentá-las.

Todas as unidades básicas do Partido devem manter uma cozinha de campo móvel e um estoque de ovos, leite e produtos secos para fazer cereais e coco, para que possam ser feitos cafés da manhã/lanches de emergência para as massas de crianças em situações preocupantes. Os membros do partido devem ser rotacionados para prestar serviços em outras regiões e países, onde quer que os negros pobres estejam, e devemos ser tão ativos em Luanda, Kinshasa, Dar Es Salaam, na Cidade do Cabo e Porto Príncipe como em Harlem, Detroit, Chicago, Compton e Oakland. Esse empreendimento massivo é de crucial importância no trabalho do Partido. Outros programas como o apoio ao estabelecimento de cooperativas de produtores, cooperativas de alimentos, escolas de libertação, creches e clínicas gratuitas, devem ser desenvolvidos em torno deste mesmo empreendimento.

COMBATE À EPIDEMIA DA AIDS

A AIDS/HIV é uma epidemia que afeta em sua grande maioria os negros. A AIDS mata cerca de 6.000 pessoas por dia no continente afrikano. 2,2 milhões dos 3 milhões de pessoas que morreram de AIDS em 2002 eram afrikanos. Quase 2/3 das pessoas afetadas pela AIDS estão em Afrika. Os negros representam um número considerável dos 9,8 milhões de vítimas que se encontram fora de Afrika. É previsto para o ano de 2010 que haja milhões de afrikanos órfãos por conta da doença. Para piorar as coisas, os esforços de assistência e combate a AIDS estão recuando na distribuição de preservativos sob pressão do governo Bush, sendo esse a favor da educação de abstinência e da entrega de recompensas às meninas que continuarem virgens. Em resposta a esse problema, o Partido deve se esforçar para distribuir centenas de milhões de preservativos com o logotipo dos Panteras Negras e as palavras: Sobreviver e fazer a Revolução! Escrita em várias línguas nesta embalagem. O amplo apoio internacional deve ser procurado para financiar esse esforço. Uma campanha de publicidade em massa envolvendo botões, posters, outdoors, sites e spots de TV e rádio deve ser realizada e, em particular, organizações de jovens em massa devem ser recrutadas para ajudar na arrecadação de fundos e na distribuição de preservativos.

O fato de encontrar famílias que patrocinem (no país e internacionalmente) o suporte ao combate contra a AIDS, e também aos órfãos de guerra deve ser abordado pelo Partido. Esta é uma área em que o Partido pode se apresentar criando eventos na mídia, onde órfãos afrikanos possam ser unidos a famílias anfitriãs na América e na Europa. Essas famílias também podem ser alistadas em mobilizações de massa para chamar a atenção para tal problema e ao obstrucionismo dos imperialistas.

CUIDADOS GERAIS DE SAÚDE E SAÚDE PÚBLICA

A situação apresenta uma ampla gama de problemas que exigem uma variedade de programas, incluindo clínicas gratuitas, assistência pré-natal e maternidades gratuitas, imunizações, tratamento de esgoto, programas de reabilitação de drogas e álcool, abrigos para vítimas de abuso, hospícios, educação pública em saúde e serviços gratuitos de ambulância. O programa "Médicos com os Pés Descalços" desenvolvido na China Popular pode ser replicado treinando voluntários em fitoterápicos tradicionais, para que possam ir à fundo no campo, e assim fornecer serviços médicos e de saúde a sua população. As equipes de escavação de poços podem abordar o problema de água potável, principalmente nas favelas urbanas e nas vilas pobres. Também podem ser usados banheiros químicos públicos portáteis. Pântanos podem vir a serem drenados e assim por diante.

AUXÍLIO AOS PRISIONEIROS E SUAS FAMÍLIAS

O trabalho do Partido entre prisioneiros gira em torno da estratégia de; “converter as casas de ferro da opressão em escolas de libertação, e as comunidades oprimidas em áreas básicas da revolução cultural, social e política!”, e também na luta pelos direitos dos prisioneiros e contra as penas cruéis e incomuns, incluindo a pena capital, a sentença de vida sem liberdade condicional e confinamento indefinido nas UHE (unidades habitacionais especiais) sem revisão. Nós aumentamos a demanda dessa luta: “sem encarceramento, sem representação!” e apelo à mudança da 13ª Emenda, a fim de abolir todo tipo de escravidão. Comitês especiais de fiscalização de direitos humanos devem ser organizados para monitorar prisões, sentenças e procedimentos de liberdade condicional. Devem ser criados fundos de defesa legal para presos políticos e advogados treinados e cooptados ao movimento para libertá-los.

Viagens gratuitas de ônibus e acomodações noturnas devem ser organizadas para as famílias dos prisioneiros e devem ser organizadas para pressionar reformas nas prisões. Associações de ajuda mútua devem ser formadas entre essas famílias, e o Partido deve realizar a educação política entre elas. Atenção especial deve ser dada ao bem-estar dos filhos dos presos.

REFUGIADOS DE GUERRA

A disputa entre as corporações imperialistas rivais (particularmente entre multinacionais americanas e francesas) e facções rivais levou a brutais guerras genocidas entre povos e grupos étnicos e aos senhores da guerra (particularmente no Congo), causando milhões de mortes e milhares de pessoas deslocadas, que estão aglomeradas em campos de refugiados. Essas massas, testemunhas e sobreviventes de genocídio sofrem de desnutrição, choque e feridas debilitantes. Atenção especial deve também ser dada às suas necessidades de sobrevivência.

CONSTRUIR A UNIDADE PAN-AFRICANA

Ao rejeitar o estreito nacionalismo em que o Novo Partido dos Panteras Negras fora fundado e retornando ao Programa de 10 Pontos original dos Panteras Negras clássicos, o Capítulo Prisional do NABPP (New Afrikan Black Panther Party) adota uma perspectiva mais ampla: Rejeitamos o ódio e não jogamos o jogo da culpa racial. As antigas definições de "nacionalismo" não se aplicam mais. A nova realidade não se encaixa. A Nação Novafrikana não é mais uma nação predominantemente camponesa concentrada no Sul do Cinturão Negro, mas sim uma nação dispersa e de composição predominantemente proletária. Fazemos parte da classe trabalhadora multinacional dos EUA e da classe trabalhadora internacional. Também é verdade que somos parte da nação pan-africana e compreendemos uma parcela significativa do proletariado. Ainda sofremos opressão nacional, mas não da mesma maneira antiga.

A emergência do imperialismo dos EUA como única superpotência e a sede do imperialismo global mudou a situação. O principal inimigo e opressor do povo da Guiné-Bissau e das ilhas de Cabo Verde, Angola e Moçambique não é mais o imperialismo português como era nas décadas de 60 e 70. Em toda África a força crescente e o vampiro dominante é o imperialismo dos EUA (junto com seu bando de parceiros), onde exercem a dominação neocolonial. Muitas das forças que resistiram ao domínio colonial direto abandonaram sua política marxista e socialista africana e acabaram se tornando aliados e clientes ansiosos do imperialismo americano, como se o problema da raposa no galinheiro fosse conseguir uma raposa maior.

Essa mesma superpotência e sede da Nova Ordem Mundial é agora o principal inimigo e o senhor dos escravos neocoloniais de toda a diáspora afrikana. O imperialismo europeu ainda existe em África e está lutando para manter parte de suas antigas áreas de alimentação tanto em África, quanto em outros lugares, mas definitivamente são os americanos que estão consolidando seu domínio. A praticidade e a conveniência da unidade pan-afrikana é agora infinitamente maior do que nunca. Baseia-se principalmente nos interesses de classe e no anti-imperialismo, em vez de um vago senso de nacionalismo cultural ou desejo de separatismo racial.

SERVIÇO DE NOTÍCIAS INTERCOMUNAL

É importante ter um jornal publicado regularmente que seja um organizador coletivo que vincule todas as frentes nas quais o Partido esteja ativo e que seja publicado em todos os idiomas necessários. Isso pode ser conseguido com a tecnologia dos computadores e da Internet, e também é possível executar um canal de notícias na rede para fornecer notícias nos meios de comunicação da Panther Radio. Esses programas locais de rádio também podem ser veiculados na internet. Em todo lugar que o Partido organizar, ele deve distribuir seu jornal, traduzido para o idioma local e com seções locais sendo acrescentadas. Além do inglês, o trabalho deve estar disponível, impresso e on-line em espanhol, português, francês, árabe e ainda nos principais idiomas africanos.

O povo africano e novafrikano compartilham uma história comum - escravidão e colonialismo e um destino comum, a libertação! Precisamos de uma linha de comunicação e educação para podermos entender nossa história, nossa situação e a ação corretiva coletiva para efetivar nossa libertação comum. O Panterismo é a cola para unir o mundo de Pan-Africano. Cada país deve formar seu próprio partido de vanguarda e exército de libertação para levar adiante a Nova Revolução Democrática e avançar para o socialismo, mas também deve ser guiado em direção com uma União das Repúblicas Populares de África, uma união tão inquebrável quanto um feixe de flechas.

SEMEANDO AS SEMENTES DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA MUNDIAL

Compreender o papel que o Partido deve desempenhar também é entender o papel que os outros devem desempenhar, e como esses papéis se encaixam para servir aos mais altos interesses da humanidade. O partido não pode ser tudo. Seu objetivo especial é representar o futuro no movimento do presente e iluminar o caminho a ser seguido. É um partido nacionalista revolucionário negro que reconhece que a luta de classes e a revolução socialista são o caminho correto a seguir. Os negros não podem fazer essa revolução sozinhos, nem mesmo todas as pessoas de cor da América agindo juntas podem fazer isso. Uma parte significativa dos trabalhadores brancos e do povo em geral devem se comprometer com essa revolução, e para liderar isso exige um partido de vanguarda de todo o proletariado americano, agindo como um destaque de todo o proletariado mundial. O que nós podemos e devemos é por conta própria usar nossa luta para criar condições mais favoráveis a revolução, libertando (na medida do possível) o terreno sob nossos pés, criando bases para a revolução em nossas comunidades e culturalmente, socialmente e politicamente afirmar nossa vontade e desejo de uma revolução completa.

Muitas pessoas tornaram-se viciadas na insanidade, e puxar uma nova ordem desse caos é um grande desafio, mas a luta é uma grande escola. Devemos usar a luta e deixar que ela nos ensine, plantando as sementes para o derradeiro confronto com o imperialismo, plantando as sementes para a vitória do povo. As palavras do camarada Jackson no topo deste ensaio são mais verdadeiras hoje do que quando ele as escreveu há mais de 30 anos. Eles nos chamam para ser as "pessoas justas que podem atingir o coração do monstro". Para executar este serviço, devemos ser dignos. Devemos chutar nosso vício à insanidade e nos purificar do ódio. Devemos nutrir e encher nossos corações de amor, o Amor Pantera!

Devemos nos comprometer com uma luta longa e prolongada, que nos testará e nos fortalecerá, nos aperfeiçoará e nos tornará dignos de conquistar o amor e o respeito de todo o mundo e das gerações futuras. "Ousar lutar, Ousar vencer!"

Todo o poder ao povo!


Documento do New Afrikan Black Panther Party


Traduzido pelo coletivo Onças Pintadas



Nota dos editores: nem todas as posições expressas neste texto ou pelo autor condizem necessariamente e/ou integralmente com a linha política de nosso site ou da União Reconstrução Comunista.

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