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Prefácio do livro "Os imperialistas dos Estados Unidos iniciaram a Guerra da Coreia"


Muitos anos se passaram desde a provocação da Guerra da Coreia pelos imperialistas estadunidenses.

A humanidade mantém em sua memória esta guerra, que causou inestimáveis perdas humanas e materiais para o povo coreano, e reduziu a pó a brilhante cultura nacional que construíra no Hemisfério Leste durante muitos milênios, por meio de criativos esforços e extraordinários talentos.

Os imperialistas estadunidenses mobilizaram sua imensa máquina propagandística e se esforçaram em culpar a República Popular Democrática da Coreia pelo início da guerra, e não foram poucos aqueles realmente enganados pela falsa propaganda.

Porém, a falsificação da História durou pouco, e a verdade não pôde ser escondida indefinidamente.

Com o passar dos dias, a verdade sobre este crime foi exposta mais claramente, e a causa da guerra da Coreia, bem como o objetivo de seus provocadores, foram devidamente expostos.

Menos de um ano após a eclosão da guerra, estrangeiros progressistas já haviam encontrado inconsistências na propaganda do governo dos Estados Unidos, e começaram a levantar suspeitas. A despeito das condições desfavoráveis prevalentes naquela época, estas pessoas se esforçaram para aclarar a verdade mediante comparações imparciais e análises dos dados, e expuseram com suas incisivas canetas a verdadeira face dos agressores. Entre elas, encontravam-se conhecidos jornalistas e estudantes estadunidenses e japoneses. Nos tempos atuais, à medida que se juntaram dados e estudos profundos foram feitos, foi esclarecido, de forma irrefutável, que a Guerra da Coreia foi iniciada por ninguém menos que os imperialistas estadunidenses.

Posteriormente, estudando mais a fundo quem realmente iniciou a guerra, estudantes e jornalistas do país e do exterior fundamentaram seus argumentos a partir de irrefutáveis materiais gráficos, como declarações oficiais e documentos secretos dos círculos dirigentes estadunidenses e da camarilha de Syngman Rhee, bem como de reportagens fundamentadas de hoje em dia.

Como se sabe, uma das consequências mais importantes da Segunda Guerra Mundial foi o agravamento da crise geral do capitalismo, devido à emergência de muitos países socialistas no mundo. O imperialismo estadunidense, líder do imperialismo mundial, manobrou para retirar seus aliados da crise geral do mundo capitalista pela efetivação de sua “liderança mundial”.

A manobra do imperialismo estadunidense para a dominação mundial significou, inevitavelmente, uma declaração de guerra contra a paz e a democracia, a independência nacional e o socialismo, e esta declaração foi posta em prática pela “Doutrina Truman”. Em linha com a “Doutrina Truman”, o imperialismo estadunidense se utilizou da força, em qualquer período e lugar do mundo, contra aqueles países e nações que obstruíam o caminho para a “liderança mundial dos Estados Unidos”.

Havia outro fator adicional que compeliu os bilionários dos Estados Unidos a atar os dirigentes políticos de seu governo à roda da guerra: a crise econômica que jogou os Estados Unidos num pânico considerável do fim de 1948 a 1949. Como confessou Van Fleet, para atravessar a crise econômica, o imperialismo estadunidense precisou desfrutar da “benção” de lucros de guerra, e para isso, precisou da Coreia, além de outros países. Foi este o fator político-econômico que contribuiu para impelir o imperialismo estadunidense à provocação de uma guerra em 1949-1950. Todas as movimentações incomuns do presidente dos Estados Unidos, Truman, do Secretário de Estado, Acheson, do Secretário de Defesa, Johnson, do presidente da Chefia Conjunta de Equipes, Bradley, de MacArthur, que assumiu o papel dirigente na Guerra da Coreia, e de Syngman Rhee, nada mais foram que um espetáculo de fantoches, necessário sob as circunstâncias.

Por que, então, selecionaram a Coreia como cenário de guerra, o primeiro “campo de teste” para a política estadunidense de dominação mundial? Esta questão, também, só pode ser resolvida corretamente quando sua avaliação se basear nas leis que regem o processo do desenvolvimento histórico. Escolheram a Coreia porque, conforme eles mesmos disseram, a Coreia era, naquela época, cenário de uma batalha de vida ou morte entre o socialismo e o imperialismo, e a República Popular Democrática da Coreia estava exercendo uma influência crescente sobre centenas de milhões entre os povos do mundo, que ainda se encontravam sob o jugo do imperialismo. O leitor terá acesso a mais detalhes ao longo do livro.

Em suma, tentamos expor o verdadeiro estado de coisas dos atos dos criminosos de guerra por meio de muitos registros documentados no lado do inimigo, livres de conjecturas, suposições ou fabricações, e, com base nisso, condenamos o imperialismo estadunidense como iniciador da Guerra da Coreia.

Nos dias de hoje, quando mais de vinte anos se passaram desde que a Guerra da Coreia terminou com uma derrota vergonhosa para seus provocadores, os círculos dirigentes do imperialismo estadunidense têm manobrado como nunca para a eclosão de uma outra guerra na península da Coreia, pelos mesmos métodos, para satisfazerem seu desejo de longa data de engolir a Coreia inteira. No passado, alardearam sobre uma “ameaça comunista” como pretexto para a “expedição ao norte”, e hoje clamam sobre uma “ameaça de invasão ao sul” para justificar uma invasão contra o norte. Manobram para realizar o velho sonho da “unificação prevalente sobre o comunismo” sob o apelo de uma “ameaça de invasão ao sul”. Ford, Kissinger e Schlezinger, como valorosos sucessores de Truman, Dulles e MacArthur, estão recorrendo à chantagem atômica numa tentativa de amedrontar. A atual situação nos faz recapitular as vésperas da Guerra da Coreia, quando o imperialismo estadunidense fez tentativas frenéticas de encontrar um pretexto para transformar a vítima em culpada, por meio de todo tipo de provocações.

Neste sentido, este livro, “Os Imperialistas Estadunidenses Iniciaram a Guerra da Coreia”, cumprirá sua parte em expor os crimes cometidos pelo imperialismo estadunidense e em repudiar os sofismas frequentes de seus apoiadores.

Abril de 1977

O autor