José Duarte: "A grande teoria marxista-leninista triunfará na América Latina"


Seguindo à publicação da Carta Aberta ao Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, de 14 de julho, os partidos comunistas em alguns países latino-americanos se colocaram contra as visões dos camaradas chineses. Tais partidos declararam de forma vigorosa e impaciente seu apoio incondicional à linha defendida pelos líderes do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Alguns deles, como Luís Carlos Prestes, representando o Partido Comunista Brasileiro, adotaram táticas defensivas, enquanto outros, como Luís Corvalán, representando o Partido Comunista do Chile, tomaram a ofensiva. Mas todos eles tomaram uma posição oportunista, distorceram a verdade e recorreram aos mesmos métodos utilizados na Carta Aberta do PCUS. Os argumentos utilizados por tais pessoas em apoio à linha revisionista são insustentáveis. Dizem ser contra o dogmatismo, ainda que os fatos provem que elas mesmas são dogmáticas ao papagaiarem as teorias de Khrushchev. Elas apresentam as resoluções adotados pelos congressos de um único partido como leis universais aplicáveis a todo o movimento comunista internacional. Para elas, os ensinamentos de Lenin sobre a necessidade de se fazer análises críticas das experiências de outras nações e partidos são inúteis. Dizem as mesmas pessoas: “Nossa linha se baseia nas teses do XX Congresso do PCUS.” Elas se basearam, portanto, não na realidade, mas em algo proclamado pelos líderes de outros partidos comunistas. Assim, agiram de acordo com seus desejos subjetivos, desviando-se do caminho do Marxismo-Leninismo. Em nosso país, esperando cuidadosamente por um longo período, Luís Carlos Prestes escreveu um artigo na revista Novos Rumos, explicando a posição tomada pela fração que encabeça. No passado, ele dizia sustentar uma posição intermediária, mas passou agora abertamente para o lado do revisionismo moderno. Disse ele: “Nossas políticas e atividades não podem estar, sob quaisquer circunstâncias, sujeitas ao questionamento,” adicionando: “Os comunistas brasileiros têm suas próprias visões sobre as questões que levaram às divergências no movimento comunista internacional.” Ele chegou ao ponto de atacar o Partido do Trabalho da Albânia e, maliciosamente, virou os fatos de cabeça para baixo. Como todos sabem, o PCUS foi o primeiro a lançar um ataque aberto contra o Partido do Trabalho da Albânia e seus líderes. Violando as Declarações de Moscou de 1957 e 1960, Khrushchov vilipendiou os comunistas albaneses no XXII Congresso do PCUS, num esforço de excluí-los do movimento comunista internacional, chegando ao ponto de chamar pela derrubada dos líderes deste partido fraterno. Ainda assim, Prestes insistiu que foram os camaradas albaneses quem atacaram o PCUS. Ele teve a impertinência de se gabar sobre como atacou o Partido do Trabalho da Albânia e apoiou a posição de Khrushchov neste período. Mas todos sabem que Prestes e seus apoiadores não conhecem nada sobre a Albânia, exceto pela informação fornecida pelos líderes soviéticos. Posteriormente, Prestes, em seu artigo, analisa a crise no Caribe de forma convicta, dando apoio a Khrushchov e se apegando às teses do XX Congresso do PCUS. Usando táticas comuns dos revisionistas, ele atribui a Lênin algo que nada mais é que sua imaginação. Ele diz, assim, que o talentoso líder da Revolução de Outubro “sempre sustentou que a difusão do comunismo pelo mundo não deve depender da força das armas, mas do exemplo.” Prestes não nos diz de onde tirou tal ideia. É verdade que Lênin falou sobre o impacto que a construção socialista soviética teria no movimento revolucionário. Ainda assim, como grande Marxista, nunca deixou de apontar que a força motriz da História é a luta de classes e que o avanço do comunismo no mundo deve se dar por meio da revolução. Em seu artigo, Prestes aproveita cada oportunidade para defender a teoria do caminho pacífico, que o fascina tão grandemente. Ele insiste nas chamadas soluções positivas e reformas estruturais no seio do regime existente, e enfatiza que a luta por tais objetivos “enfraquecerá a máquina de repressão nas mãos das classes dominantes, permitindo assim que grande parte de seus membros passe para o lado do povo.” Em sua opinião, a máquina do Estado a serviço dos grandes latifundiários e grandes capitalistas, particularmente seus instrumentos repressivos, podem passar para as forças revolucionárias. O que isso tem de comum com a teoria Marxista-Leninista do Estado? Como alguém pode aprovar a ideia de que uma grande parte daqueles que servem à máquina de repressão das classes dominantes – cuja tarefa é perseguir e subjugar as classes revolucionárias – pode passar para o lado das forças que se opõem ao imperialismo, aos grandes latifundiários e monopolistas locais? É com base nesta ideia e em suas ilusões que Prestes fabricou sua estranha teoria de “enfraquecer a máquina de repressão.” Isso criou ilusões não só para com os políticos burgueses mas para com a polícia. Se aceitas pelas massas populares, levariam a um desastre completo. Até recentemente, Prestes fingia ignorar o periódico “A Classe Operária” e o movimento que representa – porém, na última parte de seu artigo, ele decidiu “lembrar” seus seguidores a continuarem lendo o jornal e apoiarem as atividades do verdadeiro partido da classe operária. Ele repete os ataques de Khrushchev contra os líderes do Partido Comunista do Brasil e rotula os legítimos revolucionários como um “grupo anti-Partido.” Temendo as conquistas cada vez maiores destes revolucionários, ele se volta ao ataque contra o Partido Comunista da China. O secretário-geral do Partido Comunista do Chile, Luís Corvalán, adotou métodos diferentes para defender estas visões revisionistas. Em seu discurso dirigido ao Comitê Central do Partido Comunista do Chile, fez um ataque agressivo aos camaradas chineses, enquanto acatava de forma submissa as ordens de Khrushchov e outros dirigentes do PCUS. É óbvio que Corvalán tem um motivo para enfatizar que apareceram diferenças “entre o Partido Comunista da China e quase todo o movimento comunista internacional.” É uma tentativa de enganar a opinião pública chilena apresentando como isolado o Partido Comunista da China, mesmo este tenha conduzido corajosamente os debates. Corvalán parece pensar que tal asneira é o argumento mais poderoso a seu favor, embora não seja. Um número cada vez maior de partidos comunistas e comunistas possuem, agora, as mesmas ideias do Partido Comunista da China. Ademais, mesmo que os comunistas chineses estivessem lutando sozinhos contra as ideias dominantes no movimento comunista internacional, seria isto prova que eles estão errados? A história da luta revolucionária recorda o seguinte fato: Durante a Primeira Guerra Mundial, Lênin e outros bolcheviques lutaram quase sozinhos contra a posição tomada por todos os partidos socialdemocratas. Assim, a verdade estava ao lado dos bolcheviques. Há profundas diferenças entre o Partido Comunista da China e o PCUS. Mas estas diferenças não existem apenas entre esses dois partidos, mas entre vários partidos e no seio de muitos deles. A razão é que a atual luta ideológica se dá entre Marxismo-Leninismo e revisionismo moderno. De acordo com uma declaração publicado no jornal El Siglo, de 21 de julho, os líderes do Partido Comunista do Chile, temendo as consequências de suas próprias atitudes oportunistas e pensando que a maioria sempre está correta, denunciaram a seguinte passagem numa carta do Partido Comunista da China: “Se o grupo dirigente de qualquer Partido adotar uma linha não-revolucionária e transformá-lo num partido reformista, os Marxista-Leninistas de dentro e fora do Partido devem substituí-los. [...]” O que há de espantoso em tal declaração? O que provam os fatos? O exemplo de Cuba demonstra completamente que se a organização que é considerada a vanguarda fracassa em cumprir seu papel na revolução, outras forças devem tomar seu lugar. Quando iniciaram a luta para derrubar o regime de Batista, Fidel Castro e seus camaradas não pertenciam ao Partido Comunista. O que acontece na América Latina hoje em dia prova que as novas forças revolucionárias aparecerão onde quer que o Partido tenha afundado no oportunismo e fracasse em cumprir seu papel. Esta nova força combativa apareceu agora em nosso país e cresce cada vez mais. A existência do Partido Comunista do Brasil é um exemplo desta verdade. Em seu discurso, Luís Corvalán insistiu que a resolução conjunta de todos os partidos deve ser seguida. Ele citou as Declarações de Moscou de 1957 e 1960 várias vezes, mas ele foi o primeiro a violá-las. Todos os Partidos Comunistas e Operários deram apoio ao princípio definido de forma explícita nas Declarações, segundo o qual o revisionismo é o principal perigo para o movimento comunista, e que Tito é um renegado do Marxismo-Leninismo. Mas Corvalán rejeitou arbitrariamente estas resoluções apoiadas unanimemente e alega que “o dogmatismo se tornou o perigo principal.” Ele tem a ousadia de dizer que Tito e a Liga dos Comunistas Iugoslavos abandonaram sua posição revisionista e que a política atual dos mesmos acerca das questões internacionais está “de acordo com todo o movimento comunista internacional.” Alguém pode perguntar: Foi Tito que mudou ou Luís Corvalán é quem está apoiando sua posição revisionista? Numa entrevista recente, o Secretário de Estado norte-americano, Dean Rusk, declarou que a ajuda militar norte-americana não só incentivou a posição independente da Iugoslávia contra o bloco soviético, mas que desde 1948 transformou este país num centro de atividades divisionistas no seio do movimento comunista internacional. Quem está correto, Corvalán ou Dean Rusk? Se Tito mudou suas visões, por que os imperialistas norte-americanos seguem fornecendo a ele milhões de dólares em nome de uma suposta ajuda? Todo o discurso do líder reformista chileno busca intimidar os membros de seu partido que desaprovam suas visões revisionistas. Ele não quer que eles leiam ou discutam os documentos dos camaradas chineses. Ele proíbe estritamente a disseminação destes materiais, e ainda, para envenenar as mentes das pessoas, fala em democracia no seio do partido. Porém, nada poderá impedir que os camaradas chilenos conheçam a verdade sobre o grande debate que ocorre agora no movimento comunista internacional, e que encontrem assim o verdadeiro caminho revolucionário. O debate iniciado no seio das fileiras comunistas ajuda a clarear as posições na América Latina e expor os oportunistas que, até há pouco, posavam de revolucionários. As massas trabalhadoras que estão sendo oprimidas e escravizadas pelo imperialismo e o sistema latifundiário começaram a se dar conta de que tipo de líderes são Prestes, Corvalán, Codovilla e asseclas. Os revisionistas na América Latina estão particularmente preocupados com o futuro deste debate. Mas este debate apenas beneficiará o movimento revolucionário. A grande teoria Marxista-Leninista triunfará na América Latina. Como resultado da luta contra o oportunismo e contra o inimigo comum dos povos, será temperada uma vanguarda revolucionária capaz de conduzir à vitória o povo e as massas trabalhadoras.

Publicado no jornal A Classe Operária (órgão do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil) em agosto de 1963. Escrito por José Duarte

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