Kim Il Sung: "Pela fundação do Partido único das massas trabalhadoras"


Queridos companheiros delegados:

O presente Congresso, cujo propósito é fundar o Partido do Trabalho da Coreia do Norte mediante a união do Partido Comunista da Coreia do Norte com o Novo Partido Democrático da Coreia, é de grande significado para os anais do movimento pela emancipação nacional da Coreia, bem como para a realização das tarefas atuais da revolução democrática.

Vocês todos estão reunidos aqui não apenas na qualidade de delegados do Partido do Trabalho, mas, também, como representantes de todo o povo da Coreia do Norte para discutir assuntos do Estado e importantes problemas que decidirão o destino da Pátria.

Nós, que até agora estivemos empenhados em uma grande luta e na construção pela pátria e pelo povo, convocamos o presente Congresso em que se haverá de fundar um partido único das massas trabalhadoras coreanas para realizar feitos ainda maiores no futuro.

Hoje, o povo coreano, que vive em meio a uma complexa e aguda situação política, observa o Congresso Inaugural de nosso Partido com interesses e esperanças ainda mais profundos. Daí, devemos tirar deste Congresso uma exitosa conclusão, para responder às grandes esperanças do povo coreano e para satisfazer as exigências das massas populares.

1. A SITUAÇÃO POLÍTICA NA COREIA

A situação de nosso país sofreu uma mudança radical a partir de sua libertação. Com a vitoriosa conclusão da Guerra Mundial antifascista graças ao decisivo papel do Exército Soviético, o brutal sistema de dominação do imperialismo japonês foi também derrubado na Coreia e, assim, se abriu um caminho que poderá levar à construção de uma Coreia para os coreanos, uma nova pátria e uma nova vida conforme as vontades e as exigências de nosso povo.

O zelo revolucionário e o poder criador do povo coreano, livre depois de uma longa opressão, estouraram como um vulcão em erupção e, em apenas um ano transcorrido, esta grande força produziu uma mudança radical na fisionomia da sociedade coreana.

As reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte, durante este período, puseram fim às relações coloniais e feudais que haviam estancado em larga escala o desenvolvimento da economia e da cultura de nosso país, e um caminho para o livre desenvolvimento destas foi aberto. Um ano transcorrido foi, na realidade, o de um grande salto e de mudanças, os quais, no passado, provavelmente iriam requerer dezenas ou até centenas de anos.

No transcurso da luta encarniçada contra o inimigo, a consciência política do povo coreano logrou uma ascensão sem igual, e a Coreia está se convertendo, hoje, numa Coreia do povo, numa Coreia governada e construída por seu próprio povo.

As reformas democráticas da Coreia do Norte também possuem um grande significado no plano internacional. Exemplos de reformas democráticas sociais, realizadas de forma tão cabal na nossa Coreia do Norte, dificilmente poderiam ser encontradas em outros países empenhados na construção de uma nova vida após a Segunda Guerra Mundial. As reformas democráticas da Coreia do Norte dão um acalentador exemplo aos povos de diversos países do Oriente que aspiram a liberdade e a democracia. A Coreia do Norte chegou, hoje, não apenas como a base do desenvolvimento democrático de toda a Coreia, como também a que desempenha um papel crucial na luta pela democracia no Oriente.

A reforma agrária colocou fim às relações feudais de arrendamento da terra, causa principal do atraso e do estancamento da sociedade coreana, e assentou bases para o desenvolvimento democrático da Coreia. Na Coreia do Norte, o lavrador que trabalha a terra é, hoje, dono desta. Os latifundiários e o sistema de arrendamento foram liquidados de uma vez por todas.

Na Coreia do Norte, os camponeses trabalham suas próprias terras e dispõem livremente dos produtos agrícolas para a melhoria de seu nível de vida e aumento da produção, previamente mediante a entrega ao Estado de apenas 25% da colheita a título de imposto agrícola em espécie. O imposto agrícola em espécie recebido pelo Estado é utilizado não para o desfruto ou enriquecimento dos exploradores, como no passado, mas sim para o desenvolvimento da economia nacional em seu conjunto, incluindo a economia rural, e para melhorar a vida do povo.

A implantação da Lei do Trabalho democrática libertou os operários e artesãos dos trabalhos forçados de tipo colonial, assegurando-os direitos fundamentais em trabalho e na vida, o que permitiu às massas trabalhadoras pôr em jogo, em plenitude, toda sua atividade e poder criador.

A nacionalização das indústrias converteu em propriedade de todo o povo os estabelecimentos industriais que pertenciam ao imperialismo japonês e aos traidores da nação, os quais constituíam a espinha dorsal da economia coreana, e, desta maneira, suprimiram a base de apoio para a exploração imperialista e assentaram os fundamentos econômicos para a construção de um Estado soberano e independente. Assim, essas fábricas, minas de carvão e outras, ferrovias, comunicação, bancos, etc., que antes serviam aos imperialistas e capitalistas compradores para sugar o sangue e o suor do povo coreano, passaram agora a ser bens de todo o povo que se destinam à prosperidade e desenvolvimento de nossa Pátria, e para aumentar o bem-estar das massas trabalhadoras. Estas medidas, adotadas pelo Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, são uma eloquente do quão perfeitas e progressistas são as reformas democráticas levadas a cabo em nosso país.

Ademais, a Lei de Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher emancipou a mulher norte-coreana do desprezo, dos maus tratos e das duplas e triplas opressões que esta sofreu por milênios, capacitando-a, assim, para tomar parte ativa em todas as esferas da política, da economia e da cultura com direitos iguais aos dos homens.

Como provam concretamente todos estes feitos, a democrática Coreia do Norte aponta hoje a todo o povo coreano qual o correto caminho a ser seguido; e a democratização da Coreia e sua total independência só podem ser obtidas com o firme apoio da base democrática da Coreia do Norte.

Contudo, há ainda muitas dificuldades no caminho da construção democrática da Pátria, e nossa luta é ainda muito árdua e complicada. Isto se deve ao fato de o exército agressor do imperialismo norte-americano, tentando colonizar novamente nosso país, estacionou suas tropas na Coreia do Sul. E, mais uma vez, uma camarilha de traidores e vende-pátrias, convertidos em seus lacaios, estão tentando de forma desaforada vender a Coreia mais uma vez como colônia do imperialismo. Atualmente, a administração militar norte-americana monopoliza todo o poder na Coreia do Sul e realiza todo tipo de manobras frenéticas para reprimir as forças democráticas e criar uma base de apoio para a reação.

O povo da Coreia do Sul sofre sob a bárbara opressão da tirania das forças reacionárias de dentro e de fora do país, e, para este, há um abismo trágico de miséria e privação de todos os seus direitos, tal como na época passada do imperialismo japonês.

Às massas populares, são negadas por completo as liberdades elementares: liberdade de palavra, de imprensa, de reunião, de associação e de crenças religiosas, etc. Assim, milhares de patriotas são torturados cruelmente nos calabouços e cárceres por seus “crimes” de amarem seu país, por seu “delito” de haverem defendido a democracia e a independência da Pátria. A plena luz do dia, os dirigentes do povo caem sob as balas dos terroristas reacionários, e os partidos políticos e organizações sociais de caráter democrático estão destruídos por ações terroristas da camarilha traidora e vende pátria de Ri Sin, abertamente patrocinada pelo exército ianque. Frente à porta de um tribunal, os reacionários mataram a tiros um aluno secundarista que exigiu que fosse julgado o dito “caso de falsificações de bilhetes”.

Intelectuais e professores patrióticos são expulsos das escolas, e estas se veem fechadas uma após a outra. Patriotas expoentes da cultura e da arte são, também, postos sob vigilância, golpeados e jogados nas prisões sem motivo algum.

Longe de falar em reforma agrária, a terra, que no passado, era propriedade dos japoneses, está sendo posta nas mãos dos norte-americanos e especuladores reacionários. Os camponeses sul-coreanos seguem sofrendo sob o sistema de arrendamento feudal com rendas muito altas a serem pagas, tal como no passado.

Longe de falar em implementação da lei do trabalho, estão assassinando aos operários com aviões, tanques e metralhadoras somente por estes participarem em manifestações; estão condenando a oito anos de prisão a todo aquele que faça um discurso em favor do movimento operário. Agora, os operários sul-coreanos se veem obrigado a trabalhar como burros de carga, sob uma cruel exploração e opressão coloniais que em nada diferem do passado.

As autoridades da administração militar norte-americana, longe de nacionalizarem as principais indústrias, declararam propriedade sua os estabelecimentos industriais que antes pertenciam ao imperialismo japonês; estes falam de restaurar a indústria quando, na verdade, estão destruindo as poucas fábricas que ainda funcionam, e convertem a Coreia do Sul num mercado para produtos norte-americanos. A camarilha traidora de Ri Sin Man deu aos capitalistas norte-americanos não apenas concessões mineradoras e comerciais na Coreia como, também, estão perpetrando hoje ações vende-pátrias e traidoras, como vender abertamente a plutocratas norte-americanos as valiosas riquezas do país.

Longe de falarem de direitos iguais para o homem e a mulheres, propagam os mais arcaicos sistemas de poligamia e prostituição, com ou sem permissão, assim como estabelecem cafetões, e muitas mulheres sofrem com a insuportável humilhação de serem joguetes do prazer para alguns indivíduos endinheirados e influentes.

O verdadeiro valor de um partido político e de sua política devem ser medidos não por suas palavras ou declaração, mas sim por suas atividades práticas e por seus feitos concretos que demonstram de quem são os interesses representados e quem defende de fato esta política. Durante um ano transcorrido, os “políticos” reacionários da Coreia do Sul fizeram inumeráveis discursos, promessas e juramentos ante os microfones e assembleias públicas. Mas, na verdade, quem foi que traiu o povo coreano? A camarilha de Ri Sin Man, apesar de ser inescrupulosa, não poderá ocultar mais sua verdadeira natureza, a qual foi completamente desnudada a todo o povo coreano pela realidade das evidências. A camarilha traidora de Ri Sin Man não fez nada além de impor uma tirania sobre a Coreia do Sul - ao invés de implantar, ali, a democracia - e vender o país como colônia aos Estados Unidos, cumprindo os ditados de seus donos norte-americanos.

Os desempregados vagam aos montes pelas ruas; gente esfomeada, com tigelas de pedintes nas mãos, anda pelos prédios públicos pedindo comida e protestando contra a fome; jovens estudantes são fuzilados; escolas são fechadas; órgãos de imprensa, revistas e jornais são constantemente fechados e silenciados; patriotas seguem sendo presos, detidos e assassinados, enquanto que antigos elementos pró-japoneses e traidores da nação levam ao extremo o despotismo e o abuso de poder; este é, precisamente, o quadro da Coreia do Sul, uma terra de desordem onde o exército imperialista norte-americano atua como patrão.

Em um diametral contraste com a Coreia do Norte, que avança a passos largos para a genuína democracia e para a independência nacional, a Coreia do Sul, sob o domínio do terror fascista imposto pelos imperialistas norte-americanos e seus lacaios, isto é, a camarilha traidora e vende-pátria de Ri Sin Man, está retrocedendo para o caminho da reação e da escravidão colonial. Assim, a dificuldade para resolver a questão coreana se estanca no fato, precisamente, de que a metade Sul de nosso país está ocupada e colonizada pelo imperialismo norte-americano.

A tarefa mais importante que se coloca hoje, diante do povo coreano, é a de frustrar o quanto antes a linha antipopular e reacionária da Coreia do Sul, realizar ali reformas democráticas cabais, como foram feitas na Coreia do Norte, e construir assim uma nova Coreia democrática, unificada e independente.

2. O FORTALECIMENTO DA FRENTE ÚNICA NACIONAL DEMOCRÁTICA É UMA IMPORTANTE GARANTIA PARA A VITÓRIA DA REVOLUÇÃO

O fortalecimento, por todos os meios, da Frente Única Democrática Nacional, organização que une todas as forças patrióticas e democráticas da Coreia, constitui uma importante garantia para a vitória de nossa revolução. As reformas democráticas na Coreia do Norte, desde o começo, foram levadas a cabo pela força de todo o povo, pelos esforços unificados de todos os partidos políticos e organizações sociais de caráter democrático.

O Partido Comunista da Coreia do Norte, o Novo Partido Democrático da Coreia, o Partido Democrático da Coreia, o Partido Chondoísta Chongu e todas as organizações sociais, atuando sempre de forma monolítica sob a bandeira da democracia, liquidaram os elementos pró-japoneses de toda laia, frustraram as intrigas e manobras dos reacionários, e vêm acelerando energicamente a tarefa de construir um país democrático. A Frente Única Democrática Nacional da Coreia do Norte, que une todas as forças democráticas e patrióticas, nasceu e cresceu no curso da luta prática para levar a cabo as tarefas democráticas. Está intimamente ligada às grandes massas populares e já agrupa ao seu redor mais de seis milhões de pessoas das massas organizadas. Esse fato representa, na verdade, uma grande força. Precisamente nisto se baseia o fator crucial de nossa vitória.

O fato de o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte ter podido levar a cabo segura e exitosa as grandes reformas democráticas em um curto período de seis meses a partir de sua fundação devem-se, também, ao fato de este se apoiar na força unificada de todos os partidos políticos e organizações, em todas as classes e camadas sociais do povo. A cada vez que uma tarefa democrática se apresentou, todos os partidos políticos e organizações sociais tornavam públicas alguma declaração conjunto de apoio absoluto à mesma, enviavam seus ativistas às zonas locais e não poupavam esforços nem entusiasmo pela exitosa realização desta tarefa democrática.

Os órgãos de nosso Poder Popular podem concluir exitosamente as tarefas democráticas apoiando-se nas amplas massas, dado o fato de que todos os partidos políticos democráticos deram seu apoio unânime aos comitês populares e dedicaram esforços à aplicação da política destes. Todos os partidos e organizações sociais, todas as classes e camadas das massas populares da Coreia do Norte estão estreitamente unidas em torno dos comitês populares, e dão a estes, apoio unânime e ativo nas medidas tomadas pelo Poder Popular.

Consequentemente, as reformas democráticas na Coreia do Norte são e serão realizadas em virtude da grande força organizada das amplas massas populares que se agrupam em torno da Frente Única Democrática Nacional.

Todas as nossas experiências ensinam hoje, claramente, que a soberania e independência completas da Coreia, bem como seu desenvolvimento democrático, só podem ser logrados por meio da força da Frente Única Democrática Nacional, que abarca todas as massas populares: a classe operária, antes de tudo, e os camponeses, artesãos, intelectuais, comerciantes e empresários.

Ao contrário, a causa de toda desordem que impera na Coreia do Sul, que está sob a administração militar norte-americana, se baseia principalmente na desunião entre as fileiras de nossa nação. A Coreia do Sul, segundo tem sido dito, chegou a possuir mais de 200 partidos políticos. Dividir-se assim, em minúsculos partidos e grupos desunidos, que brigam entre si, é exatamente o que desejam as forças reacionárias. Os inimigos da democracia, os inimigos de nossa nação, desejam, antes de tudo, ver que nosso povo trabalhador - os operários, camponeses e intelectuais trabalhadores, etc. - está dividido em frações oposta e digladiando-se entre si. Isso se dá pelo fato de que as forças reacionárias só podem subsistir e lograr seus fins antipopulares se aproveitando disto e da divisão entre as forças democráticas. Semelhante política divisionista é o método predileto que aplicam de forma corrente os reacionários em todas as partes do mundo. Nós não devemos deixar nos enganar por estas manobras, nem nunca cair nelas. Contudo, a Coreia do Sul caiu nestas. Os partidos políticos e organizações sociais de caráter democrático na Coreia do Sul estão divididos entre si, e enfurnados em disputas fracionistas por hegemonismo, tal como deseja o inimigo. Na atualidade, isso constitui o principal perigo da situação política da Coreia do Sul.

O desenvolvimento dos acontecimentos que tiveram lugar na Coreia do Sul, durante o ano que se passou, nos demonstra, de forma convincente, quão valiosa é a união de todas as forças patrióticas e democráticas, e o quão urgente e importante é fortalecer a unidade, principalmente a unidade das massas trabalhadoras do povo.

Devemos fortalecer a frente única de todos os partidos políticos e organizações sociais de caráter patriótico que aspiram a liberdade, a independência e a democracia da Pátria, rechaçar as forças reacionárias e vende-pátrias e levar a revolução democrática a um final vitorioso, apoiando-nos na força unificada dos trabalhadores e de todo o povo.

3. A UNIFICAÇÃO DE TODOS OS PARTIDOS POLÍTICOS É INEVITÁVEL E ADEQUADA

Companheiros delegados:

No momento atual, a unificação do Partido Comunista com o Novo Partido Democrático é, na verdade, de importância transcendental para o fortalecimento da unidade das forças democráticas em nosso país. Particularmente, a integração destes dois Partidos em um só constitui um grande passo para uma união mais estreitas das massas de operários, camponeses e intelectuais trabalhadores.

No processo de unificação do Partido Comunista e do Novo Partido Democrático, foram expressas diversas opiniões acerca de qual tipo de partido deveria ser o Partido do Trabalho, e o quê este deveria fazer.

O Programa de nosso Partido do Trabalho estipula exatamente quais são seus fins, seu caráter e seus deveres. Nosso Partido é, como se coloca claramente no começo de seu programa, um partido que representa e defende os interesses das massas trabalhadoras da Coreia, sendo sua finalidade a de construir um Estado independente, democrático, poderoso e rico. O Partido do Trabalho é o destacamento de vanguarda das massas trabalhadoras da Coreia e está enraizado nas amplas massas de operários, camponeses e intelectuais trabalhadores. É por isso que o Partido do Trabalho deve chegar a ser, claro, a força dirigente na luta pela soberania, pela independência e pela democratização da Coreia, assim como deve cumprir um papel de núcleo da Frente Única Democrática Nacional. Nosso Partido luta para derrotar os elementos pró-japoneses, traidores da nação, latifundiários e capitalistas compradores; para emancipar toda a Pátria do jugo do imperialismo estrangeiro e construir um Estado soberano, independente e democrático. Estes são os mesmos fins que vêm perseguindo tanto o Partido Comunista quanto o Novo Partido Democrático.

Quais são, então, os deveres do Partido do Trabalho? O dever básico de nosso Partido na atual etapa é realizar de forma cabal as reformas democráticas, anti-imperialistas e antifeudais em todo o país e fundar uma república popular democrática através da mobilização das grandes massas do povo. As atuais tarefas programáticas de nosso Partido são: confiscar todas as terras dos imperialistas japoneses e latifundiários e distribuí-las para os camponeses; nacionalizar as indústrias, o transporte, as comunicações e os bancos, etc. pertencentes aos imperialistas japoneses e capitalistas compradores, e torná-los propriedade de todo o povo; estabelecer a jornada de oito horas e um sistema de previdência social para os operários e artesãos; conceder às mulheres direitos iguais aos dos homens; assegurar ao povo a liberdade de expressão, imprensa, reunião, associação e religiosa; instituir um sistema democrático de ensino popular e implantar a educação obrigatória, assim como desenvolver a ciência, a cultura e arte nacionais.

Estas tarefas democráticas representam as demandas mais imperiosas de todos os setores do povo trabalhador da Coreia. Sem levar a cabo as reformas democráticas, é impossível construir um Estado completamente independente e democrático, libertar as massas trabalhadora da pobreza e da negação dos seus direitos, bem como desenvolver a economia e a cultura de nosso país.

O Partido Comunista e o Novo Partido Democrático lutaram e seguem lutando para tornar realidade estas exigências vitais das massas trabalhadoras da Coreia. Por conta disto, é inevitável realizar a unificação de ambos os partidos cujos fins e tarefas são os mesmos.

Estamos hoje lutando não pela antiga democracia parlamentar dos Estados capitalistas, mas pela verdadeira democracia da nova Coreia, a democracia para as amplas massas populares, a democracia progressista. A luta pela conquista dos direitos das massas populares nas esferas política, econômica e cultural é uma luta árdua, complexa e prolongada que enfrentamos. A unificação do Partido Comunista com o Novo Partido Democrático é de vital necessidade para concluir esta tarefa.

A desunião das massas trabalhadoras numa luta de vida ou morte contra o inimigo se configura como o perigo principal. As massas trabalhadoras devem se unir com ainda mais firmeza e manter uma estreita coesão, afim de cumprir vitoriosamente nossa missão de combate. O que é mais decisivo na realização das grandes tarefas democráticas com a qual se confronta o povo coreano é formar um Estado Maior unificado das massas trabalhadoras, o destacamento de vanguarda único do povo trabalhador. Este problema pode ser solucionado apenas com a fundação do Partido do Trabalho.

Por esta razão, o Comitê Central do Novo Partido Democrático propôs a unificação dos dois Partidos, e o Comitê Central do Partido Comunista também esteve de total acordo com esta proposta, de forma que, oficialmente, numa sessão conjunta dos Comitês Centrais de ambos os Partidos, foi decidida a unificação e desenvolvimento de ambos os Partidos num Partido do Trabalho de caráter de massas.

Todo o povo, para não falar dos membros de ambos os Partidos, saudaram calorosamente esta histórica decisão. O povo estava convencido de que a fusão dos dois Partidos contribuiria em muito para fortalecer as forças democráticas e acelerar a construção democrática.

Desta maneira, a unificação se efetuou sem dificuldades em todas as províncias, cidades, distritos e aldeias, sob uma atmosfera de elevado entusiasmo político de todos os membros de ambos os Partidos, e de todas as massas trabalhadoras que apoiaram a dita unificação; e, assim, pudemos convocar o Congresso Inaugural do Partido do Trabalho. Esta é uma evidência palpável de que a integração dos dois Partidos era algo concreto e inevitável.

Contudo, no curso da unificação, observamos tendências errôneas em alguns membros do Partido Comunista. Eis aqui alguns exemplos:

Gostaria de destacar, antes de tudo, a atitude presunçosa de alguns membros do Partido Comunista. Eles dizem: “Como raios poderemos nos unificar com o Novo Partido Democrático?”. Esta é, sobretudo, uma manifestação de autossuficiência, de subestimar os demais; uma tendência exclusivista de considerar a si mesmo como o único que leva a cabo a revolução. E tal defeito deriva da ignorância acerca da linha e da política de nosso Partido, e que foge da simples verdade segundo a qual o trabalho revolucionário obterá vitórias somente quando todos os companheiros da revolução mantenham a unidade e todas as massas populares estejam coesas. Falando de forma rigorosa: esta, por ser uma tendência fracionista, é uma tendência perigosa contra a qual devemos nos manter ainda mais vigilantes se realmente queremos prosseguir com sucesso na construção de um partido político de massas. Se permitimos que uma tendência como esta ganhe força, nossa causa pode cair às ruínas.

Outra grave tendência se expressa na afirmação de que nosso Partido “se tornará um partido como o Novo Partido Democrático”, ou “se transformará num partido da classe dos pequenos proprietários”. Esta é, por um lado, uma manifestação esquerdista que não vê com bons olhos a unificação; porém, é necessário manter-nos vigilantes contra o veneno direitista que esta dita tendência contém.

Devemos combater resolutamente os desvios que prejudiquem a disciplina orgânica e a unidade ideológica do Partido, e que tratam de reduzi-lo a um mero clube das massas trabalhadoras, numa organização de amizade, típica da classe dos pequenos proprietários. A fundação do Partido do Trabalho, um partido de massas que defende os interesses de todas as massas trabalhadoras, e que pode atrair para suas fileiras todos os elementos avançados destas, não significa de maneira nenhuma que seja admissível prejudicar a dignidade política do Partido, debilitar sua unidade e sua férrea disciplina. O Partido do Trabalho é uma unidade combativa organizada e um destacamento de vanguarda das massas trabalhadoras. Por todo momento, devemos defender a unidade, a pureza e a estreita disciplina do Partido. Se faltam em nossas fileiras ideias, vontade e disciplina únicas, estaremos incapacitados para lograr a vitória na luta contra o inimigo.

Outro ponto que eu gostaria de mencionar é a má suposição de que haverá um “expurgo em larga escala” dentro do Partido. Isso também é uma manifestação de passividade daqueles que não olham com bons olhos a unificação, uma tendência que gera desconfiança contra o Partido.

É natural que o Partido elimine os elementos oportunistas afim de manter a pureza de suas fileiras. Sempre devemos ser fortes na vigilância contra os elementos oportunistas, rechaçar suas maquinações e expulsá-los das fileiras do Partido sempre que sejam desmascarados. Estes elementos, contudo, são muito pouco e, por isso, não há necessidade de haver um “expurgo em larga escala” em nosso Partido do Trabalho. Tudo o que se fale em torno deste “expurgo” é completamente equivocado.

TAREFAS IMEDIATAS DO PARTIDO

A tarefa básica de nosso Partido, na atual etapa, é construir o mais rápido possível um Estado democrático, unificado e totalmente independente. Para consegui-lo, devemos rechaçar todas as forças reacionárias pró-japonesas e feudais que estancam a independência democrática da Pátria. Devemos lutar para fortalecer ainda mais o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, que é um verdadeiro Poder Popular, e transferir todos os poderes aos comitês populares espalhados por toda a Coreia.

Devemos lutar para consolidar ainda mais os êxitos conquistados com as reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte: reforma agrária, Lei do Trabalho, Lei de Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher, nacionalização das indústrias principais, instituição de um sistema de ensino popular, etc., e levar a cabo estas reformas a escala nacional. Afim de levar a cabo vitoriosamente estas tarefas de combate, o mais importante é fazer de nosso Partido um Partido com uma forte unidade militante.

Mesmo que se esteja ampliando a frente única das massas populares, ainda que se complique e agudize ainda mais a luta contra o inimigo, torna-se vitalmente necessário robustecer ainda mais nosso Partido nos aspectos orgânico e ideológico, como o destacamento de vanguarda das massas trabalhadoras coreanas.

Devemos fortalecer por todos os meios a unidade de ideias, de vontade e de disciplina férrea nas fileiras do Partido, e efetuarmos uma luta implacável contra tudo que seja antagônico a isto.

Os dois Partidos acabam de se unificar num só e, portanto, podem aparecer em nossas fileiras tendências divergentes. A partir daqui, portanto, é necessário armar a todos os membros do Partido com as mesmas ideias, baseadas no Programa de nosso Partido, fortalecer sua unidade de princípios e elevar sua consciência política.

Lutar contra todas as tendências fracionistas é, hoje, de importância particular para a vida de nosso Partido. Devemos eliminar completamente os vestígios do abominável fracionismo que, com sua longa história, causou tantos danos ao movimento revolucionário na Coreia, para assim construirmos nosso Partido como uma tropa de choque unida e poderosa.

Nosso Partido deve se enraizar profundamente nas massas, e manter a todo momento vínculos de sangue com elas. Devemos, sob toda circunstância, defender os interesses das massas trabalhadoras, escutar suas opiniões, aprender com elas e educá-las. Devemos dirigir e controlar todas as organizações de trabalhadores e, agrupando as massas trabalhadoras firmemente em torno de nosso Partido, guiá-las corretamente para a construção da nova Coreia democrática. Se os membros do Partido cumprirão tal tarefa de forma boa ou ruim, esta é a chave que determinará nosso sucesso ou fracasso.

Devemos prestar interesse maior à questão dos quadros. Se não tivéssemos quadros capazes de levar a cabo exitosamente o Programa e as decisões de nosso Partido, tanto aquele quanto estas converter-se-iam em letra morta, por mais excelentes que fossem. Os quadros decidem tudo. Contudo, todavia, temos grandes deficiência no trabalho de conhecer os quadros, treiná-los e os popularizarmos. Frequentemente, escutamos falar: “É uma lástima que não tenhamos quadros”. Porém, raramente ouvimos falar sobre onde foram treinados esses quadros, ou sobre como treinar novos. Devemos fazer esforços redobrados para conhecer e escolher os quadros, treiná-los e os popularizarmos.

Para terminar, gostaria de pôr acento na necessidade de fazermos com que as massas populares conheçam profundamente o Programa, a política e as decisões de nosso Partido. Nosso Programa, política e decisões poderão converter-se em realidade apenas quando as massas populares o compreendam e o tornem seu. Devemos nos esforçar para que as massas populares se sintam a si próprias como as próprias consignas de nosso Partido, e que elas mesmas se mobilizem conscientemente para levar estas a cabo.

Marchemos vigorosamente adiante, pela liberdade e pela independência democrática da Pátria, unindo estreitamente todas as forças democráticas em torno do Partido do Trabalho que acabamos de fundar.

Viva ao Congresso Inaugural do Partido do Trabalho da Coreia do Norte, representante dos interesses das massas trabalhadoras!

Viva à Frente Única Democrática Nacional!

Viva ao estabelecimento da República Popular Democrática!

Informe do camarada Kim Il Sung apresentado no Congresso inaugural do Partido do Trabalho da Coreia, realizado em 20 de agosto de 1946.

NOVACULTURA.info

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