1/10

Amílcar Cabral: "Saudação no Seminário de Quadros"


Camaradas, ontem tive ocasião de vos encontrar para uma reunião preparatória, para este seminário, e eu saudei-vos.

Hoje, estão aqui mais camaradas e, além disso, vocês, que foram chamados para este seminário, é com o maior prazer que volto a saudar-vos, juntamente com todos os outros camaradas que assistem a este seminário.

Saudo-vos em nome da Direcção do nosso Partido e em meu nome pessoal, dizendo aos camaradas que damos a maior importância à sua presença neste seminário, tanto para a nossa luta em geral, portanto para a vida e acção do nosso Partido, como para o presente e o futuro de cada um dos camaradas, como militantes ou combatentes do nosso Partido e como homens e mulheres que podem valer cada dia mais para a libertação e o progresso do nosso povo, na Guiné e Cabo Verde.

Temos bastante alegria em encontrarmo-nos com os camaradas, na sua maioria jóvens, na sua maioria responsáveis, já com responsabilidades que contam muito para o avanço da nossa luta, seja no plano politico ou militar, seja noutros planos da nossa vida nas áreas libertadas da nossa terra. Tenho a esperança de que cada camarada que toma parte neste seminário, será capaz de realizar na sua cabeça o valor deste nosso encontro e será capaz de tirar dele todas as lições, todo o rendimento, que é preciso tirar, embora nâo tenhamos tenpo bastante para nos sentarmos aqui muitos dias com os camaradas. Temos portanto, que fazer o nosso seminário — como vocês viram na ordem de trabalhos — em quatro dias no máximo.

É pena que outros dirigentes do nosso Partido, além dos que estão presentes, não podem assistir a este seminário. Não podíamos parar a luta, nem dentro nem fora da nossa terra, e portanto, enquanto eu e alguns dirigentes estamos neste seminário, é preciso que outros façam também o seu trabalho para a luta não parar. É pena, porque de facto podia ter grande interesse a presença de mais dirigentes. Mas alguns camaradas estão em missão no estrangeiro — missão que tinham que fazer precisamente nesta altura — outros camaradas estão fortemente pegados no trabalho da nossa luta, particularmente na luta armada, quer para dar maiores golpes ao inimigo, quer para avançar na frente de luta, para mais perto da rectaguarda do inimigo, quer ainda para garantir o abastecimento permanente das nossas frentes de luta e responder também a todas as necessidades da nossa acção tanto no plano interior como no plano exterior.

Temos a certeza de que esses camaradas dirigentes lamentam, como nós, o facto de não poderen estar presentes, mas eu tenho a certeza de que, com os documentos que sairão daqui, com as lições que vão sair daqui e de que todos esses camaradas terão conhecimento, eles também irão tirar um grande proveito deste seminário.

É pena que, ou por falta de compreensão ou por atrasos derivados das dificuldades da nossa vida e da nossa luta, alguns camaradas que foram chamados para este seminário não vieram. Eu estou crente de que é por dificuldades próprias à nossa luta. Temos pena que esses camaradas que não puderam vir tenham perdido esta oportunidade de mais um contacto directo com as ideias, princípios, problemas e resolução de problemas importantes da nossa luta, que poderão contribuir, desde já, para melhorar muito a sua capacidade de trabalho ao serviço do nosso Partido. Temos esperança, todavia, que os documentos que temos de fazer, a partir dos trabalhos deste seminário, vão-lhes servir também, e talvez não tarde muito, tenhamos tempo e oportunidade de fazer outro seminário em que esses camaradas que faltam hoje, poderão estar presentes.

Outra coisa de que temos pena é de que a presença das nossas camaradas mulheres seja tão fraca neste seminário. Foi uma falta da nossa direcção que convocou principalmente quadros formados em certos ramos ou trabalhando em certos ramos, ramos esses em que as nossas raparigas ou as nossas mulheres em geral quase não estão presentes ou são muito poucas. Os nossos dirigentes, nalgumas áreas, não se lembraram de tomar a iniciativa de incluir algumas camaradas mulheres, no grupo de camaradas que vieram dum lado ou doutro, para este seminário. Felizmente, o Norte lembrou-se de mandar algumas, e incluímos algumas outras. Mas, de qualquer maneira, é bastante pouco para representar de algum modo, aquele papel de tão grande importância que as mulheres da nossa torra, sobretudo aquelas mais novas, militantes do nosso Partido, quadros ou trabalhadoras do Partido, têm desempenhado e desempenharão, para o desenvolvimento da nossa luta e a vitória do nosso Partido.

Camaradas,

Com bastante prazer, saúdo particularmente alguns camaradas que chegaran de viagem e que não estavam, portanto, entre nós, e que voltaram para o nosso meio depois de terminarem os seus estudos. Vocês estão a vê-los, são os nossos camaradas Crua Pinto que completou os seus estudos na Alemanha Democrática, como diplomado ou doutor em Direito Internacional, e o nosso camarada Victor Vamaim que terminou os seus estudos na União Soviética, como engenheiro mecânico. Em nome do todos os camaradas os saudamos, desejando-lhes grande sucesso no seu trabalho como militantes do nosso Partido e como profissionais, filhos do nosso povo.

Nesta sala, há outros camaradas que estão no nosso meio já há algum tempo, que também fizeram os seus estudos — por exemplo, Silvano Rodrigues que é médico e o camarada Gil Fernandes que se formou em Sociologia. Queremos sómente saudar os camaradas em none de todos vocês e apresentar-lhes os nossos melhores votos.

Camaradas,

Nós estamos neste seminário para trabalhar, e neste mesmo momento, camaradas nossos com vários tipos de armas na mão, atacam os colonialistas portugueses ou nos seus quartéis de "timba-corredores” como diz a nossa Rádio, ou nas suas tentativas de fazer terrorismo contra o nosso povo com os seus helicópteros, com os seus barcos, com as suas manhas de colonialistas criminosos. Os colonialistas tem medo da acção dos nossos combatentes e essa acção é fundamental, é decisiva para o avanço da nossa luta de libertação Nacional. Mas os camaradas podem estar certos de que, se os colonialistas portugueses, alguns dos seus chefes, tivessem a oportunidade de chegar a esta sala o ver-nos sentados, a fazer um seminário com esta ordem de trabalhos que acabamos de aprovar, e com camaradas como vocês, sentados aqui, nós todos juntos aqui, eu digo-vos que eles ficariam ainda com mais medo do que o que têm das nossas bazookas, dos nossos canhões ou das nossas armas ligeiras, de que o medo que têm dos nossos combatentes.

Camaradas,

Os colonialistas portugueses sabem muito bem o que se passa, não são burros, podem ser teimosos mas não são burros. Eles sabem que os combatentes e as armas, de facto, podem ganhar uma guerra, mas não ganham a libertação de um povo. Na verdade, o progresso de um povo e mesmo o uso das armas para ganhar a guerra, são possíveis porque o homem é que vale para isso. O que vale é a cabeça do homem e os colonialistas portugueses sabem que quanto mais forte fôr a nossa cabeça, quanto maior fôr a nossa consciência, quanto mais claramente cada um de nós souber o que é que nós queremos, de onde vimos e para onde vamos, mais difícil para eles é continuar a dominar o nosso povo. Mas mais ainda: mais fâcil para nós, ou menos dificil para nós, é ganhar a guerra de libertação nacional, para garantir ao nosso povo uma vida de trabalho, de dignidade, de justiça, como o nosso Partido deseja.

Os colonialistas portuguesas sabem, e felizmente nós sabemos cada dia mais, que um homem ou uma mulher vale, por aquele conjunto de ideias, aquela força de ideias que têm na cabeça. E eles sabem bem que um seminário, como este, vai reforçar, desenvolver cada vez mais na cabeça, no espirito dos nossos camaradas, não só a sua decisão de dar a vida pela causa do nosso Partido, mas a sua certeza, o seu conhecimento sobre o caminho do nosso Partido, a situação concreta da nossa luta, a situação do nosso povo, a nossa situação na África e no Mundo, a situação do nosso inimigo e, na etapa actual da nossa marcha para a liberdade, onde estamos e para onde vamos. Isso, camaradas, é uma coisa que pode meter medo aos colonialistas portugueses. Mas eles teriam mais medo ainda, se vissem claro aqui, a seriedade desta reunião, a determinação que está na cara dos camaradas, a vontade que vemos claro em cada um, não só de compreender mas de compreender para servir melhor ainda. É pena que de fato — eu tenho repetido isso muitas vezes — é pena que para as nossas reuniões, para os nossos trabalhos, assim, destinados a melhorar os nossos conhecinentos, não podemos convidar os colonialistas portugueses.

Nós queremos que vocês entendam este seminário como um acontecimento que marca um dado estádio de evolução da nossa luta, de avanço da nossa luta, não o fazemos por capricho. E também não o fazemos por necessidade de conhecer os camaradas. Fazêmo-lo e vamos fazê-lo até o fim, para tirarmos dele o máximo proveito, porque é uma necessidade da nossa luta. Este é o primeiro de um grupo de seminários que temos que fazer nos próximos meses, para podemos transformar a nossa luta mais ainda, dar mais passos para a frente, ao serviço do nosso Partido, portanto, como vocês todos sabem hoje, ao serviço do nosso povo, na Guiné e em Cabo Verde.

Quem é a maioria das pessoas que participam neste seminário?

Resolvemos chamar para este seminário alguns camaradas que, tendo sido antes, em geral, ou combatentes, ou militantes do Partido em qualquer ramo, receberam uma preparação para melhorar a sua formação de maneira a servirem melhor a nossa luta, tanto no plano político como militar ou noutros planos da nossa actividade. Chamamos também alguns camaradas jóvens que têm mostrado capacidade de trabalho, compreensão das palavras de ordem do Partido e têm tentado cumprir dentro das suas possibilidades. Além disso, também vieram para o seminário, alguns camaradas já mais antigos, responsáveis do nosso Partido. Quase todos os camaradas que estão aqui, filhos do nosso povo, da nossa terra, não tinham nada práticamente antes da nossa luta, antes do nosso Partido. Os rapazes da cidade, de Bissau, de Bissorã, de Mansoa ou de Catió, os rapazes do mato, de qualquer sítio da nossa terra, tinham o seu destino rareado pelas mãos dos colonialistas portugueses. E aqueles de Cabo Verde que estão aqui, como os da Guiné, da cidade ou do campo de Cabo Verde, tinham também, em qualquer ilha que estivessem, ou mesmo estando fora da nossa terra, o seu destino marcado pela mesma marca dos colonialistas portugueses que não deixaram nem na Guiné nem em Cabo Verde, os filhos do nosso povo levantarem-se para desenvolver a sua personalidade, para servir o melhor que podem os interesses do nosso povo, no caminho do progresso e da felicidade que todos os povos do mundo merecem. Alguns foram à escola mais do que outros, mas em geral todos foram muito pouco à escola. E alguns compreenderam melhor as lições da escola já dentro do quadro da nossa luta, portanto debaixo da bandeira do nosso Partido. Cada um pode pensar:

quem é a minha mãe, quem é o meu pai? A minha avó, donde é que eu saí? Cada um pode pensar no seu destino de ontem e no seu destino de hoje, que o nosso Partido criou, à custa de trabalho e de sacrifício, dentro da nossa luta.

Hoje, cada um, homem ou mulher, tem o sou destino na palma da sua mão. Pode levantá-lo bem alto e ser um filho de valor do nosso povo, para servir portanto melhor o nosso povo na Guiné e em Cabo Verde, como pode também pegar o seu destino na mão e dar-lhe um ponta-pé como qualquer menino joga uma bola. Já há muito tempo que contámos aos camaradas que com o nosso Partido, cada ser humano, na Guiné ou em Cabo Verde, tomou o seu destino na sua não. Cada um tem o caminho aberto para avançar, para um lado ou para o outro, conforme quizer, conforme a sua consciência, conforme o seu trabalho. Pode ser cachorro ou pode ser homem ou mulher de valor. Hoje, desde que o nosso Partido foi criado e vocês, que aqui estão são a prova concreta disso, não há na nossa terra mais ninguém que ao nascer, toda a gente sabe o que é que ele será quando tiver 15 anos, 20 anos, 30 anos, ou quando morrer. Muito dos que estão aqui sentados, podem saber o que estariam a fazer hoje se o nosso Partido não existisse : ou estavam lavrando bolanhas, ou eram carpinteiros na cidade, ou eram criados do Sr. Joaquim qualquer coisa, ou eram cipaios em qualquer porto administrativo, e isso seria já uma grande sorte; ou estariam em São Tomé ou em Angola, como contratados caboverdeanos, ou passando todos os sofrimentos, embora pudessem vestir-se bem, comer bem, na terra dos outros. Ou então mulheres desgraçadas no meio do nosso mato, ou então carregando pedras para construir estradas dos tugas, pagando impostos. Quando muito, um ou outro podia ter a sorte de conseguir estudar um bocado, para avançar mais um bocado. Mas era tão raro, camaradas.

Hoje não. Cada um conquistou um caminho na sua vida e tem a certeza de que, se não sair desse caminho, pode ir onde a sua capacidade o levar. Ninguém lhe tapará mais o seu caminho. Isso, mesmo para todos os filhos da nossa terra, tanto para os que estão no nosso Partido como para aqueles que estão ainda com os tugas. Quem está junto do nosso Partido já conquistou os seus direitos de homem ou de mulher dignos. Depende só da sua vontade avançar ou ficar para trás.

Estão aqui sentados vários jóvens de vinte e poucos anos, dirigentes da nossa terra. Alguns de vocês que estão aqui sentados, sabem que nunca houve na nossa terra, qualquer administrador, qualquer chefe de posto, que tivesse tanta autoridade como vocês têm agora diante do nosso povo. Aqueles que estão junto com os portugueses, esses ainda, se estão lá de sua vontade, são cachorros, preferiram o servilismo (catchorindade) a ser homens ou mulheres livres numa terra livre. Talvez ainda mudem. As pessoas mudam à medida que a luta avança. Mas há muitos que ainda estão com os tugas, não por sua vontade, nas porque não podem sair. Para esses o caminho para serem homens ou mulheres livres, está ainda aberto, como para todos nós, camaradas.

Vários camaradas que aqui estão têm dado uma contribuição de valor para a nossa luta. Quero dizer-lhos quanto o nosso Partido tem consciência do valor daqueles militantes que de facto estão a trabalhar a sério, que procurar, cumprir a sério. A nossa luta tem que ser o fruto do trabalho de muitos, camaradas. Na Guiné ou em Cabo Verde, dentro ou fora da nossa terra, só trabalhando muito nós podemos de facto fazer a luta avançar. E a luta tem avançado porque temos trabalhado muito de facto. Por um lado, temos sabido pensar a nossa luta para procuramos encontrar a melhor maneira de resolver os seus problemas. Por outro lado, apesar de todas as dificuldades, todos os obstáculos e todos os sacrifícios, vários camaradas, homens e mulheres, dentro e fora da terra, têm sido capazes de seguir o caminho do nosso Partido, de pôr na prática as ordens, as resoluções e as decisões, que a direcção do nosso Partido tomou para fazer avançar a nossa luta. Em todas as lutas, em todas as empresas do ser humano, em todo o trabalho que o homem faz em conjunto, há sempre uns que trabalham mais do que outros, uns que fazem mais do que outros. Isso é normal. Assim também, neste seminário há pessoas, das quais umas têm trabalhado mais do que outras para o Partido, para a nossa luta, para o nosso povo. O que é importante é que tanto aqueles que trabalham muito como aqueles que trabalham menos, procurem cada dia trabalhar mais, cada dia dar mais da sua cabeça, mais energia, mais esforço, mais sacrifício, melhorar cada dia mais os seus conhecimentos, a sua compreensão dos problemas, a sua disposição para se dar completamente, ao serviço do nosso Partido, servindo portanto o nosso povo.

O nosso Partido tem grande confiança nos nossos camaradas. O principio que o nosso Partido estabeleceu nas relações com todos os militantes, desde o começo da sua vida, é o seguinte: confiamos para poder confiar. Este é que é o nosso principio de relações com os seres humanos, em qualquer empresa em que estejamos. Confiar primeiro, para poder confiar. E hoje é com prazer que eu digo aos camaradas aqui, tanto aqueles que de facto merecem isso como aqueles que ainda não merecem: nos confiamos em vocês. Nós confiamos em que aqueles que têm trabalhado bem são capazes de fazer mais esforço ainda, de melhorar cada vez mais. Como o nosso povo costuma dizer, aqueles que já subiram a palmeira uma vez, são capazes de subir todas as palmeiras. Aqueles que ainda não trabalharam muito, que por uma ou outra razão não têm dado a sua contribuição como deve ser, nós confiamos em como serão capazes de melhorar cada dia mais, reconhecer que não têm trabalhado o suficiente, de reconhecer que outros têm feito a luta, enquanto eles têm enganado. Que tomem consciência, que ponham a mão na consciência, como diz o nosso poeta. Caboverdeano Dambara: "finca pé na tchon", para trabalhar de facto, para lutarem a sério para o povo da sua terra.

Camaradas,

A nossa confiança é ilimitada, tão ilimitada, que não há ninguém no nosso Partido, na nossa luta, que tenta cometido qualquer erro, que nós não voltemos a confiar nele de novo, para abrir caminho para ele avançar. E, entre aqueles aos quais abrimos caminho para avançarem, parece-nos que é nosso dever fundamental, do Partido e meu, como dirigente principal da nossa luta, abrir caminho para a gente nova avançar, passar para diante.

Desgraçado é aquele grupo de dirigentes que querem guardar o lugar só para eles, e que não têm nenhum consciência do seu dever para com o seu povo; desgraçado é aquele grupo de dirigentes que têm medo da gente nova, e que nem que a barba se lhes torne branca, o cabelo branco, nem que envelheçam, querem sempre guardar o seu lugar, tapar o caminho para outros não passarem adiante. Esses são servidores da sua barriga, não são servidores do seu povo. O nosso dever, o meu dever, é o seguinte (e eu tenho-me esforçado para isso sempre): abrir caminho para outros passarem, e sobretudo para os nossos jóvens avançarem, para servirem cada vez melhor, para mostrarem a sua capacidade toda inteira, para tomarem conta do nosso Partido, para tomarem conta do nosso povo, na Guiné e em Cabo Verde.

Para nós, camaradas, para a nossa geração, por exemplo, que criou o Partido, o seu trabalho, mais do que libertar a nossa terra, mais do que criar o Partido propriamente, mais do que dirigir esta luta até agora, é garantir um futuro para a nossa terra, futuro na mão do nosso povo através dos seus filhos, futuro para o nosso Partido na mão dos seus militantes.

Temos feito o máximo esforço para isso, e este seminário é, em certa medida, mais um esforço declarado, aberto, claro, para que aqueles jóvens do nosso Partido que compreenderam, peguem cada dia mais teso, na certeza de que o seu avanço só depende deles. Ninguém lhes barra o caminho. E nós desejamos, e eu desejo pessoalmente, vê-los amanhã, nos postos mais elevados da direcção do nosso Partido e do nosso povo. E isso, camaradas, porque nós estamos convencidos de que, qualquer que seja o valor dos quadros antigos do Partido, os novos é que são e devem ser a garantia do futuro do nosso povo. Todos nós sabemos qual o valor que têm os quadros antigos. E não sou nenhum doido, não sou vaidoso, mas também não sou modesto a ponto de ser burro, eu sei qual o valor que tenho para isto tudo, estou profundamente consciente disso, não é preciso ninguém lembrar-me. Por isso mesmo, é que não preciso nem de gritos, nem de palmas, nem de levantar o meu nome, eu sei qual é o meu valor. E também todos sabemos e sabemos bem, o que valem os camaradas mais antigos do Partido, sejam eles já com cabelos brancos, como Aristides Pereira ou Luis Cabral ou Vasco, sejam ainda mais novos mas já antigos, como Nino, Osvaldo, Chico, Bobô e tantos outros camaradas. Sabemos quanto eles valem como quadros do Partido. Quanto valiam ontém e quanto valem ainda hoje. Mas isso nada seria, se não soubessemos que eles não podem ser eternos. É preciso que outros avancem para a frente, é preciso que outros avancem para a frente, é preciso abrir caminho para os mais novos. E se não conseguimos isso, estamos só a cansar a nossa cabeça. Seremos afinal como um campo de bananeiras que não deu nenhum pé de banana novo. A bananeira é muito bonita, tem folhas grandes, mas se em cada lugar só há um pé, se não nasceu nenhum pé debaixo dela, então cada uma dá o seu cacho de bananas e acaba. Porque cada pé de bananeira só dá um cacho de bananas. Se não há um pé novo que nasce, não dá mais.

Camaradas,

<