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"O caminho da consolidação das vitórias do povo chinês"


Um ano é transcorrido desde a fundação da República Popular da China, a 1.º de outubro de 1949. Foi um ano de grandes vitórias e de rápido desenvolvimento do povo chinês. No decorrer desse ano o povo chinês continuou suas operações ofensivas em grande escala na guerra de libertação e libertou todo o território do país, com a exceção do Tibete e de Taiwan (Ilha Formosa); estabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética e 16 outros Estados, e concluiu com a URSS um Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mútua.

Dispondo de circunstâncias internas e internacionais que lhe forneciam uma sólida base, o Governo Popular Central dirigiu com energia o povo de todo o país na realização de reformas e construções nos terrenos político, econômico e cultural. Os povos da China e aos países estrangeiros viram que no decorrer do último ano sucederam na história da China acontecimentos mais importantes do que durante vários séculos ou mesmo vários milênios anteriores. Desaparece rapidamente a velha China, e a nova China Popular se desenvolve com passo seguro.

Lancemos uma rápida vista de olhos sobre o ano passado.

As Grandes Vitórias da Guerra Popular de Libertação

O último ano transcorreu em meio à vitórias contínuas na guerra popular de libertação. Embora a principal vitória da guerra popular de libertação na China, que se iniciou em julho de 1946, tenha sido obtida em 1949, nas vésperas da criação da República Popular Chinesa, nessa época os remanescentes dos bandos do Kuomintang continuavam a controlar uma área do sul da China, tendo Cantão como centro, uma região do sudoeste da China e algumas ilhas.

No decorrer desse último ano o Exército Popular de Libertação libertou toda a China do Sul e a província de Fukien depois das campanhas de Hengyang-Paoking, Kwangtung, Kwansi, Pingerhkuan e Hainan e da campanha de Changchow-Amoy. Mais tarde libertou o sudoeste da China — com exceção do Tibete — nas campanhas do Sudoeste, do Yunnan do Sul e de Sichang.

O Exército Popular de Libertação libertou também as ilhas de Chushan, a ilha de Tungshan e outras ilhas. Nosso exército aniquilou inteiramente 203 divisões do inimigo, que representavam 2.180.000 homens.

Nosso exército aniquilou, portanto, 8.007.000 homens de tropas inimigas durante os quatro anos de guerra iniciados em julho de 1946. Entre as imensas quantidades de material de guerra capturado por nossas tropas em quatro anos de guerra, somente os canhões somam 64.430. Como é sabido os canhões e o material de guerra capturados por nós, com exceção de uma parte insignificante produzida na China, eram fabricados principalmente nos Estados Unidos e entregues aos reacionários do Kuomintang. Parte dessas armas era fabricada no Japão e foram entregues aos reacionários do Kuomintang pelas tropas japonesas derrotadas, por meio da interferência dos Estados Unidos.

Que ensinamentos podem ser tirados do fato de que o povo chinês tenha varrido de todo o território da China continental as hordas de bandidos do Kuomintang equipadas pelos norte-americanos e tenha obtido tão grandes vitórias? A lição mais importante é a de que essas grandes vitórias não são um fenômeno histórico acidental, mas o resultado inevitável de inúmeras lutas revolucionárias do povo chinês durante o último século. Uma vitória tão grande, rápida e completa seria inconcebível sem o espírito de sacrifício e o apoio de centenas de milhões de pessoas.

Esta vitória do povo chinês não têm nada de comum com as "unificações" ocorridas na história da China. Houve diversas espécies de "unificações", mas os unificadores eram então opressores do povo ou tornaram-se em seguida opressores do povo. Por isso, eram incapazes de conseguir a verdadeira unificação, e a unificação que conseguiam se desmoronava rapidamente. Hoje realizou-se a primeira unificação do povo chinês e esse se tornou senhor de seu próprio país, ao passo que o regime dos reacionários da China foi derrubado para sempre.

Como o inimigo que foi destruído pelo povo chinês era armado pelo governo norte-americano, podemos afirmar perfeitamente que o povo chinês saiu vitorioso não só sobre os inimigos internos, mas ao mesmo tempo sobre os inimigos externos, isto é, os imperialistas intervencionistas dos Estados Unidos. E, se os imperialistas norte-americanos procurarem invadir a China, não importa com que novos meios de intervenção e de agressão, sofrerão inevitavelmente a mesma derrota que foi infringida ao Kuomintang.

Ainda não terminou a luta do povo chinês contra os restos da reação do Kuomintang, pois Taiwan, onde se encastelaram esses restos reacionários, está agora sob o controle direto da marinha e da aviação norte-americanas. O Exército Popular de Libertação está decidido a arrancar Taiwan do controle dos agressores norte-americanos e a destruir completamente esse ninho de vespas dos bandos reacionários chineses.

Todos verão nas futuras operações pela libertação de Taiwan que nossas posições estratégicas são muito melhores do que as de qualquer inimigo. Do nosso lado está a justiça, nosso país está próximo e é imenso e estável, e redobraremos de esforços pela vitória final. O Exército Popular de Libertação também está decidido a marchar para o oeste para libertar o povo do Tibete e defender as fronteiros chinesas.

Essa medida é essencial para a segurança de nossa pátria, e nos esforçaremos por conseguir isso por meio de negociações pacíficas. Os elementos patrióticos do Tibete aprovam isso e esperamos que as autoridades Tibetanas não se demorem mais, de forma que a questão possa ser resolvida pacificamente.

A história da China no último século, particularmente a história dos últimos vinte anos, prova que a China sempre foi um importante campo para a agressão e pilhagem imperialistas. Por isso, as forças vitoriosas do povo chinês não podem deixar de possuir imensas forças defensivas para sua proteção.

Devemos intensificar em tempo a construção de nossas defesas nacionais e estar sempre em guarda contra as manobras dos inimigos imperialistas no sentido de estender sua guerra de agressão. Precisamos criar uma aviação e uma marinha poderosas, de modo que possamos vencer os bandos armados que tentem nos atacar pelo ar e pelo mar, e salvaguardar nosso espaço aéreo e nossas águas territoriais. Nosso exército precisa se reforçar continuamente para ser capaz de esmagar qualquer agressor.

A Política Externa da República Popular Chinesa

A política externa da República Popular Chinesa está claramente definida no Programa Comum aprovado pelo Conselho Consultivo Político Popular da China. O Programa Comum declara: O princípio diretor da política externa da República Popular Chinesa é garantir a independência, a liberdade, a integridade territorial e a soberania de nosso país, defender a paz duradoura em todo o mundo, lutar pela cooperação fraternal dos povos de todos os países e lutar contra a política imperialista de agressão e de guerra.

A respeito do estabelecimento de relações diplomáticas e comerciais com os países estrangeiros, o Programa Comum define do seguinte modo nossa posição:

"O Governo Popular Central da República Popular Chinesa pôde negociar e estabelecer, em bases de igualdade, de mútuo beneficio e de respeito recíproco do território e da soberania, relações diplomáticas com os países estrangeiros que romperem com os reacionários do Kuomintang e assumirem uma atitude amistosa em relação à República Popular Chinesa. A República Popular Chinesa pode restabelecer e desenvolver relações comerciais com os governos estrangeiros e os povos na base da igualdade e de beneficio mútuo."

A política externa do governo Popular Central no ano decorrido foi realizada de acordo com esses princípios básicos. Desde a formação da República Popular Chinesa, dezessete países — URSS, Bulgária, Rumânia, Hungria, Coréia, Tchecoslovaquia, Polônia, Mongólia, República Democrática Alemã, Albânia, Birmânia, Índia, Viet-Nam, Dinamarca, Suécia, Suíça e Indonésia — estabeleceram conosco relações diplomáticas oficiais. Oito países — Paquistão, Inglaterra, Ceilão, Noruega, Israel, Afeganistão, Finlândia e Holanda — expressaram seu desejo de estabelecer conosco relações amistosas. A Inglaterra, a Noruega, a Holanda e a Finlândia estão atualmente negociando conosco o estabelecimento de relações diplomáticas.

A República Popular Chinesa está firmemente situada no campo internacional da paz e da democracia, dirigido pela União Soviética, com quem mantemos as relações mais amistosas e fraternais.

Durante a visita do presidente Mao Tse-tung à União Soviética, a China e a URSS assinaram um Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mútua que se reveste de grande importância histórica mundial. Graças a esse tratado, estabeleceu-se uma estreita aliança militar, econômica e cultural entre os dois grandes povos que somam cerca de 700 milhões de habitantes na Europa e na Ásia. Essa aliança reforçou consideravelmente a defesa contra qualquer agressão que venha do Leste. Ao mesmo tempo, ou logo depois da conclusão do tratado, foram assinados acordos entre a China e a União Soviética sobre a Estrada de Ferro Chinesa do Changchun, sobre Porto Artur e Dalny (Dairen), sobre a abertura de créditos à Republica Popular Chinesa, sobre a criação de uma companhia de petróleo sino-soviética no Sinkiang, sobre a criação de uma companhia sino-soviética de aviação civil, um acordo sobre técnicos e um acordo comercial.

No quadro desses acordos nossa grande aliada nos forneceu imensa ajuda, que reflete seus nobres sentimentos, e isso no momento em que ela própria curava as feridas que a guerra lhe infringiu. A assinatura e a aplicação do Tratado e dos acordos sino-soviéticos produziram uma onda de imenso entusiasmo entre o povo chinês que exprimiu sua calorosa gratidão pelos sentimentos de amizade demonstrados pelo dirigente da União Soviética, o Generalíssimo Stálin, pelo Governo Soviético e pelo povo soviético.

A China assinou acordos comerciais e tratados com a Polônia, a Tchecoslováquia e a Coréia, e conduz atualmente negociações comerciais com a Hungria e a República Democrática Alemã. A China desenvolve também relações comerciais com certos Estados capitalistas. De acordo com as estimativas atuais, o plano de trocas comerciais com o exterior para este ano será não só cumprido, mas superado.

O problema de estabelecer relações diplomáticas com os Estados burgueses é mais complicado do que o estabelecimento de relações comerciais. Podemos nos referir aqui, particularmente, às longas, mas infrutíferas negociações com a Grã-Bretanha. A causa do nenhum resultado dessas negociações reside no fato de que o governo britânico anunciou de um lado seu reconhecimento da República Popular Chinesa, mas, por outro lado, concorda com que os pretensos "representantes" dos restos da camarilha reacionária do Kuomintang continuem a ocupar ilegalmente o lugar da China na Organização das Nações Unidas. É isto que está dificultando o estabelecimento de relações diplomáticas oficiais entre a China e a Inglaterra. A atitude inteiramente inamistosa e inadmissível da Inglaterra relativamente aos cidadãos chineses em Hong Kong e em outros lugares também não pode deixar de provocar a séria atenção do Governo Popular Central.

Durante a guerra popular de libertação na China, o governo dos Estados Unidos sempre esteve ao lado dos inimigos do povo chinês e ajudou e ainda ajuda com todas as suas forças ao Kuomintang reacionário na luta contra o povo chinês.

A atitude hostil do governo dos Estados Unidos em relação ao povo chinês tornou-se ainda maior depois da formação da República Popular Chinesa. Malgrado a justa crítica da União Soviética, da Índia e de outros Estados, os Estados Unidos da América estão obstinadamente impedindo a participação dos representantes da República Popular Chinesa na Organização das Nações Unidas e em seus organismos, e defendem cinicamente os "representantes" dos restos da camarilha reacionária do Kuomintang.

Do mesmo modo, os Estados Unidos da América impedem a participação de um representante chinês no Conselho Aliado para o Japão e preparam a conclusão de um tratado de paz com o Japão, sem a China e a União Soviética, com o objetivo de rearmar o Japão e conservar tropas e bases americanas nesse país.

Com o objetivo de estender a agressão no Extremo Oriente, os Estados Unidos prepararam deliberadamente o ataque armado da camarilha fantoche de Li Syng Man contra a República Popular Democrática da Coréia e, em seguida, usando como pretexto a situação assim criada na Coréia, enviaram sua marinha e sua aviação para ocupar Taiwan e declararam que o pretenso "problema de Taiwan" devia ser resolvido pela Organização das Nações Unidas que é controlada pelos Estados Unidos.

Simultaneamente, por diversas vezes os Estados Unidos mandaram aviões que participavam da agressão na Coréia incursionar na província chinesa de Liaotung, metralhando e lançando bombas, e mandaram também que sua marinha, que realiza a agressão na Coréia, bombardeasse a marinha mercante chinesa.

As ações agressivas dos imperialistas desvairados confirmaram que o governo dos Estados Unidos é o inimigo mais perigoso da República Popular Chinesa. As forças agressoras norte-americanas invadiram regiões que confinam com a República Popular Chinesa e, a qualquer momento, pode haver uma extensão dessa agressão. O general Mac Arthur, comandante-em-chefe das forças norte-americanas que estão realizando a agressão em Taiwan e na Coréia, revelou há muito tempo os planos agressivos do governo norte-americano. Ele continua preparando novos pretextos para estender a agressão.

O povo chinês opõem-se resolutamente à agressão norte-americana. O povo chinês está decidido a arrancar Taiwan e qualquer outro território chinês do controle dos agressores norte-americanos.

O povo chinês acompanha de perto a situação que surgiu na Coréia em conseqüência da agressão norte-americana. O povo coreano e seu exército popular são firmes e corajosos. Sob a direção do primeiro ministro Kim Il Sun, conquistaram grandes êxitos na resistência aos agressores norte-americanos. Eles contam com o apoio e a simpatia dos povos de todo o mundo. O povo coreano continuará a se ater firmemente à linha de conduzir uma guerra de longa duração, superará as dificuldades com que se defronta e conquistará a vitória final.

O povo chinês é amante da paz. O apelo de Estocolmo já foi assinado por 120 milhões de chineses; o movimento de coleta de assinaturas entre o povo chinês se amplia. É evidente que depois da libertação de seu solo o povo chinês precisa de paz e de segurança para restaurar e desenvolver a indústria e a agricultura, para realizar o trabalho cultural e educativo. Mas se os agressores norte-americanos encaram isso como uma expressão de debilidade do povo chinês, estão redondamente enganados,, da mesma forma que o estavam os reacionários do Kuomintang.

O povo chinês ama ardentemente a paz, mas, para defender a paz, nunca temeu e nunca temerá resistir à agressão. O povo chinês não tolerará de nenhum modo a agressão estrangeira e não pode ser indiferente ao destino de seus vizinhos que são vitimas da agressão por parte dos imperialistas.