Haywood: "Dias de Trotsky no tribunal"


Além de nossos cursos acadêmicos, recebemos o nosso primeiro ensinamento sobre leninismo e história do Partido Comunista da União Soviética no calor da luta interna do partido, em seguida travada entre Trotsky e a maioria do Comitê Central liderado por Stalin. Nós, estudantes da Universidade Comunista dos Trabalhadores do Oriente (KUTV) não éramos simples observadores, mas participávamos ativamente na luta. A maior parte dos estudantes - e todos do nosso grupo dos EUA - eram ardentes apoiadores de Stalin e da maioria do Comitê Central. Nem sempre foi assim. Otto disse-me que em 1924, um ano antes de ele chegar, a maioria dos alunos na escola tinha sido partidários de Trotsky. Trotsky estava disputando a juventude do partido, em oposição aos fiéis bolcheviques mais velhos. Com sua demagogia usual, ele alegou que a velha liderança estava traindo a revolução e havia entrado no rumo da “reação Termidoriana”[1]. Nesta situação, ele disse, os estudantes e a juventude eram o “barômetro mais verdadeiro do Partido”[2]. Mas quando os estudantes negros dos Estados Unidos chegaram, a atração temporária a Trotsky foi revertida. As questões envolvidas na luta com Trotsky eram discutidas na escola. Envolviam o destino do socialismo na União Soviética. Qual caminho o povo soviético devia tomar? Qual devia ser a direção de seu desenvolvimento econômico? Era possível construir um sistema econômico socialista? Estas questões não eram apenas teóricas, mas eram questões de vida ou morte. A vida econômica do país não iria ficar parada e esperar enquanto elas estavam sendo debatidas. A classe operária soviética, sob a liderança de Lenin e dos bolcheviques, havia derrotado o capitalismo em cerca de um sexto do globo; abalou seu poder econômico; expropriou os capitalistas e latifundiários; converteu as fábricas, estradas e bancos em propriedade pública; e estava começando a construir uma indústria socialista estatal. O Governo soviético havia começado a aplicar os planos cooperativos de Lenin na agricultura e começou a desenvolver plenamente um sistema econômico socialista. Esta tarefa colossal teve que ser levada a cabo pelos operários em aliança com as massas do campesinato. Da Revolução de Outubro até 1921, o sistema econômico era caracterizado pelo Comunismo de Guerra. A indústria de base foi nacionalizada, e todas as questões foram subordinadas ao objetivo de satisfazer as necessidades militares engendradas pela guerra civil e a intervenção dos países capitalistas. Mas em 1921, as potências estrangeiras que haviam tentado derrubar os Soviéticos foram em grande parte expulsos das fronteiras da Rússia. Foi então necessário orientar a economia para uma de situação de paz. A NEP, formulada no X Congresso do Partido em 1921 foi a política designada para guiar a transição do Comunismo de Guerra para a construção do socialismo. Substituíram por um sistema de apropriação dos excedentes com um imposto em espécie, que seria menos de uma carga sobre o campesinato. A NEP foi um refúgio temporário de formas socialistas: indústrias de menor porte foram alugadas ao capital privado; camponeses foram autorizados a vender os seus excedentes agrícolas nos mercados livres; controle central sobre grande parte da economia foi diminuído. Tudo isto foi necessário para ter a economia funcionando sob uma base pacífica. Foi uma medida destinada a restabelecer a troca de mercadorias entre a cidade e o campo, que tinha sido tão grandemente perturbada pela guerra civil e intervenção[3]. Foi um retiro temporário do ataque a todos os resquícios de capitalismo, um tempo para o estado socialista estabilizar sua área de base, para reunir forças para outra ofensiva. Um ano mais tarde, no XI Congresso do partido, Lenin declarou que o retiro terminou e convidou o partido para "se preparar para uma ofensiva sobre o capital privado”[4]. Lenin estava incapacitado por uma série de derrames em 1923 e não poderia mais participar ativamente na liderança do Partido. Foi precisamente nesta época, se aproveitando da ausência de Lenin, que Trotsky fez um apelo para assumir a liderança do Partido. Trotsky se opusera consistentemente à NEP e seu principal engenheiro, Lenin – atacando as medidas destinadas a apaziguar os camponeses e manter a coligação entre os camponeses e os trabalhadores. No final de 1922 em diante, Trotsky fez um ataque direto em toda a teoria leninista da revolução e da ditadura do proletariado. Ele negou a possibilidade (e necessidade) de construir o socialismo em um país, e ao invés disso caracterizou esta teoria como um abandono dos princípios marxistas e uma traição do movimento revolucionário. Ele postulou sua própria teoria de “revolução permanente”, e sustentou que um verdadeiro avanço do socialismo na URSS seria possível apenas como resultado de uma vitória socialista nos outros estados desenvolvidos industrialmente. Enquanto usava de uma boa gama de retórica de esquerda, as teorias de Trotsky eram completamente derrotistas e colaboracionistas de classe. Por exemplo, no posfácio para o Programa para a Paz, escrito em 1922, sustentou que "enquanto a burguesia continua no poder nos outros países europeus, seremos obrigados, na nossa luta contra o isolamento econômico, a nos esforçarmos por um acordo com o mundo capitalista e, ao mesmo tempo, pode-se dizer com certeza que esses acordos podem, na melhor das hipóteses, nos ajudar a atenuar alguns dos nossos males econômicos, para dar um ou outro passo para frente, mas o progresso real de uma economia socialista na Rússia se tornará possível somente após a vitória do proletariado nos principais países europeus. "[5] Na base deste derrotismo estava a visão de Trotsky que o campesinato seria hostil ao socialismo, já que o proletariado teria que “conseguir ofensivas extremamente profundas não apenas contra as relações feudais mas também nas relações de propriedade burguesas”. Assim, Trotsky sustentou que a classe operária iria: “Entrar em colisão hostil não só com todos os agrupamentos burgueses que apoiaram o proletariado durante as primeiras fases da sua luta revolucionária, mas também com as grandes massas do campesinato, com cuja ajuda ele chegou ao poder. As contradições na posição de um governo operário num país atrasado, com uma população majoritariamente camponesa só poderiam ser resolvidas ... na arena da revolução proletária mundial”[6] Portanto, não seria possível construir o socialismo em um país atrasado, camponês como a Rússia. A massa de camponeses esgotaria o seu potencial revolucionário, mesmo antes da revolução ter concluído as suas tarefas democráticas burguesas – a dissolução dos latifúndios feudais e a redistribuição da terra entre os camponeses. Esta linha, que subestimava o papel do campesinato, tinha sido apresentada por Trotsky tão cedo quanto 1915, em seu artigo "A luta pelo poder". Lá, ele afirmou que o imperialismo estava causando o declínio do papel revolucionário do campesinato e rebaixou a importância da palavra de ordem de "confiscar as terras dos latifundiários."[7] Como apontamos em nossas aulas, Trotsky retratava o campesinato como uma massa indiferenciada. Ele não fazia distinção entre as massas camponesas que trabalhavam sua própria terra (os muzhiks) e o estrato explorador que contratava trabalho alheio (os kulaks). Suas conclusões contradiziam abertamente a estratégia dos Bolcheviques, desenvolvidas por Lenin, da construção da aliança operário-camponesa como base da ditadura do proletariado[8]. Além disso, ele estava em desacordo completo com qualquer análise econômica ou social realista. Toda a posição de Trotsky refletia uma falta de fé na força e recursos do povo soviético, cuja vasta maioria eram camponeses. Já que se negava o potencial revolucionário do campesinato, o sucesso da revolução não poderia vir das forças internas, mas deveria depender do sucesso da revolução proletária nas nações avançadas da Europa Ocidental. Na ausência de tais revoluções, o processo revolucionário dentro da União Soviética teria de ser suspenso, e o proletariado, que havia toda o poder com a ajuda do campesinato, teria que manter o poder do Estado em conflito com todas as outras classes.

Por trás da retórica revolucionária de Trotsky estava uma visão simplista social-democrática que via a luta de classes pelo socialismo meramente como trabalho contra o capital. Este conceito de luta de classes não dizia respeito à luta do camponês contra o latifundiário, ou do campesinato contra o Czar, como uma parte constituinte da luta pelo socialismo. Isto se refletiu já em 1905, na palavra de ordem de Trotsky de “Não ao Czar, mas um governo operário”, o que, como Stalin disse, era “a bandeira da revolução sem o campesinato”[9]. Dado o estado das forças revolucionárias da época, a posição era perigosamente derrotista. Por exemplo, 1923 foi marcado como um período de recessão para a onda revolucionária na Europa. Era um ano de derrota para os movimentos comunistas na Alemanha, Itália, Polônia e Bulgária. O que então, Stalin questionou, sobrou para nossa revolução? Deve “vegetar em suas próprias contradições e perecer enquanto espera pela revolução mundial?”[10] Para essa pergunta, Trotsky não tinha resposta. A resposta de Stalin era construir o socialismo na União Soviética. A classe operária soviética, aliada com o campesinato, havia derrotado politicamente sua própria burguesia e era completamente capaz de fazer o trabalho economicamente e construir uma sociedade socialista. A posição de Stalin não significava o isolamento da URSS. O perigo da restauração capitalista ainda existia e existiria até o advento da sociedade sem classes. O povo soviético compreendia que eles não podiam destruir este perigo externo a partir de seus próprios esforços, que só poderia ser finalmente destruído como resultado de uma revolução vitoriosa em ao menos vários países do Ocidente. O triunfo do socialismo na União Soviética não poderia ser final enquanto o perigo externo existisse. Portanto, o sucesso das forças revolucionárias no Ocidente capitalista era de vital interesse para o povo soviético.

O esquema de Trotsky da revolução permanente não rebaixou apenas o camponês como força revolucionária, mas também o movimento de libertação nacional dos povos oprimidos dentro do velho Império Czarista. Assim, em “A luta pelo Poder”, ele escreveu que o “imperialismo não contrapõe a nação burguesa ao velho regime, mas o proletariado à nação burguesa”[11]. Enquanto Trotsky não enfatizava a questão nacional e colonial na época do Imperialismo, Lenin, do outro lado, salientou sua nova importância. “Imperialismo”, disse Lenin, “significa a opressão progressiva crescente das nações do mundo por um punhado de Grandes Potências; significa um período de guerras entre as últimas para estender e consolidar a opressão de nações”[12]. Não foi até um tempo depois que fui capaz de compreender plenamente as implicações do conceito de Trotsky de revolução permanente no cenário internacional. O exemplo mais dramático foi na Espanha durante a Guerra Civil Espanhola, de 1936 a 1939. A organização trotskista havia se infiltrado no movimento anarquista na Catalunha e incitou uma revolta contra o governo republicano sob as bandeiras de “República Socialista” e “Governo Operário”. O Governo leal, encabeçado por Juan Negrin, um Republicano liberal, era uma coalizão de todos os partidos democráticos. Incluía socialistas, comunistas, republicanos liberais e anarquistas - todos em aliança contra a contrarrevolução fascista liderada por Franco e apoiada por Hitler e Mussolini. A tentativa de golpe contra o governo republicano foi típica das tentativas trotskistas de pular a etapa democrático-burguesa do processo revolucionário. O resultado foi uma “guerra civil dentro de uma guerra civil” e, caso sua estratégia fosse bem-sucedida, teria dividido a coalizão democrática - e eficazmente auxiliando os fascistas. Nos Estados Unidos eu presenciei como o conceito purista de luta de classes em Trotsky levou logicamente à negação da luta pela libertação negra como um aspecto especial da luta de classes, revolucionária em seu próprio direito. Como resultado, os trotskistas se encontraram isolados do movimento durante o grande levante dos anos 30. Mas tudo isso ainda estava por vir.[13] Na época eu estava na KUTVA, o trotskismo ainda não havia surgido como uma importante corrente no cenário internacional. Eu não previ seu futuro papel como uma força disruptiva na periferia do movimento revolucionário internacional. Naquele tempo, eu não tinha certeza eu mesmo de inúmeras questões teóricas. Foi um tempo depois quando aprofundei meu entendimento da questão nacional e colonial – particularmente a questão afro-americana –, que as implicações da teoria de Trotsky da revolução permanente se tornaram muito óbvias para mim. Nós, estudantes sentíamos que a posição de Trotsky difamava a conquista da Revolução Soviética. Não gostávamos de todo seu falatório sobre o atraso da Rússia e sua incapacidade de construir o socialismo, ou sua teoria de revolução permanente. A União Soviética era uma inspiração para todos nós, uma visão confirmada pela nossa experiência no país. Tudo que podíamos ver desafiava a lógica de Trotsky.

Seus escritos eram prontamente disponíveis por toda a escola, e as questões da luta estavam constantemente na agenda de nossos coletivos. Eram discutidas em nossas aulas, como eram nas fábricas, escolas e organizações camponesas por todo o país. Cerca de uma vez por mês, o coletivo iria se encontrar e um relatório seria passado por representantes do Partido - algumas vezes local, outras vezes da região da cidade e do distrito de Moscou, e algumas do próprio Comitê Central. Eles passariam um relatório sobre os últimos desenvolvimentos das lutas internas do Partido - as visões de Trotsky e Lenin sobre a questão do campesinato; a NEP, como foi provada sua utilidade e como estava sendo descartada agora; a posição de Trotsky sobre o comunismo de guerra e o domínio do Partido; a ditadura do proletariado, e se poderia ser uma ditadura em aliança com o campesinato ou sobre o campesinato. Uma discussão aberta ocorreria após o relatório. Naquela época, os trotskistas na KUTVA caíram para um pequeno grupo de cabeças duras. A luta foi travada durante um período de 5 anos (1922-1927), durante a qual o bloco de Trotsky tinha acesso à imprensa e as obras de Trotsky eram amplamente circuladas para todos lerem. Trotsky não foi derrotado por decisões burocráticas ou pelo controle de Stalin do aparato do Partido - como seus defensores e historiadores trotskistas afirmam.

Ele teve seus dias sendo julgado e finalmente perdeu porque toda sua posição ia contra as realidades soviéticas e mundiais. Ele estava fadado a perder porque suas ideias eram incorretas e falhavam em se adaptar às condições objetivas, bem como às necessidades e interesses do povo soviético. Foi uma grande infelicidade minha estar fora do dormitório quando os estudantes negros foram convidados para assistir à sessão da Sétima Plenária do Comitê Executivo da Internacional Comunista, na época ocorrendo no Kremlin no final do outono de 1926. Estava na rua na hora e não conseguiram me achar, então foram sem mim. Perdi uma ocasião histórica, minha única chance de ver Trotsky em ação. Fiquei amargamente desapontado. Quando cheguei de volta ao dormitório, Sakorov, meu amigo Indiano, me disse para onde eles tinham ido. Voltando nas primeiras horas da manhã, eles me encontraram esperando por eles. Eles descreveram a sessão e o desempenho brilhante de Trotsky.

Stalin fez o relatório pela delegação Russa. Trotsky então pediu por duas horas para defender sua posição; foi dado a ele. Ele falou em russo, e então pessoalmente traduziu e fez seu discurso em alemão, e em seguida em francês. Ao todo, ele falou por três horas. Otto disse que foi a maior demonstração de oratória que ele nunca tinha ouvido falar. Mas, apesar disso, Trotsky e seus aliados (Zinoviev e Kamenev) sofreram uma derrota estrondosa, a obtenção de apenas dois votos de todo o corpo. Os delegados de fora da União Soviética não aceitaram a visão de Trotsky de que o socialismo em um só país era uma traição à revolução. Pelo contrário, o sucesso da União Soviética na construção do socialismo foi uma inspiração para a revolução internacional.

Otto me disse que este ponto foi ressaltado de novo e de novo e de novo no curso da discussão. Ercoli (Togliatti), o jovem líder do partido italiano, resumiu bem, alguns dias depois, quando defendeu as conquistas do partido russo e da Revolução como "o mais forte impulso para as forças revolucionárias do mundo"[14]. O Partido Americano se uniu em torno de linhas divergentes em apoio de Stalin. A oposição de Trotsky, já derrotada dentro da União Soviética, agora era abalada internacionalmente. Daí em diante, foi o declínio de Trotsky. Eu testemunhei o bloco oposicionista de Trotsky degenerar de uma facção sem princípios dentro do Partido a uma conspiração contrarrevolucionária contra o Partido e o Estado Soviético. Ficamos sabendo de reuniões ilegais, secretas realizadas fora de Moscou, o estabelecimento de imprensa escrita fracionista – tudo violando a disciplina do Partido. Suas atividades atingiram o cume durante o 7 de novembro de 1927, aniversário da Revolução. Neste 10º Aniversário, os seguidores de Trotsky tentaram organizar uma contramanifestação em oposição à celebração tradicional. Eu me lembro nitidamente da cena de nosso contingente da escola marchando a caminho da Praça Vermelha. Quando passamos pelo Hotel Moscou, panfletos trotskistas foram jogados sobre nós, e oradores apareceram na janela do hotel gritando palavras de ordem de “Abaixo Stalin”. Eles foram respondidos com vaias e vaias da multidão nas ruas abaixo. Apreendemos os folhetos e o rasgamos. Esta tentativa de jogar o povo contra o Partido foi um fracasso total e não encontrou apelo nenhum entre as massas. Era algo equivalente à rebelião e esta demonstração foi o último ato aberto da oposição trotskista. No mês seguinte, Trotsky, Kamenev e Zinoviev foram expulsos – junto com 74 de seus principais apoiadores. Eles, junto com outros menores, foram enviados para o exílio à Sibéria na Ásia Central. Trotsky foi enviado para Alma Alta em Turquestão, de onde, em 1929, foi permitido que saísse do exílio, primeiro para Turquia, e eventualmente para o México.

Posteriormente, muitos dos seguidores de Trotsky fizeram autocrítica e foram aceitos de volta ao Partido. Mas entre eles, tinham muitos rancorosos que faziam “autocrítica” publicamente para que continuassem a luta contra a liderança de Stalin dentro do Partido. Sua amargura alimentou a si própria e surgiram depois nos anos 30 como parte de uma conspiração que acabaram por ficar do lado da Alemanha Nazista. Durante toda esta luta, nós, estudantes negros da escola fomos ardentes apoiadores da posição de Stalin e do Comitê Central. Certamente éramos stalinistas – cujas políticas víamos como continuação das de Lenin. Aqueles hoje que usam o termo “stalinista” como um epíteto, fogem da verdadeira questão: Ou seja, Stalin e o Comitê Central estavam corretos? Eu acredito que a história provou que eles estavam corretos. Notas [1] Durante a Revolução Francesa, em 27 de julho e 1794 (9 de Thermidor, de acordo com o calendário revolucionário) um grupo, mais tarde chamado de Thermidorianos, tomaram o poder, executando Robespierre, Saint-Just e mais de oito outros Jacobinos radicais. Isto fez surgir uma corrente contrarrevolucionária que levou ao golpe de Napoleão em 1799 e à restauração de várias monarquias europeias em 1815. [2] Stalin, Obras, vol.5 p. 394 [3] História do Partido Comunista da União Soviética (Bolchevique) -- Curso Básico, p.257. Nesta obra, o Comitê Central do PCUS resume as visões de Lenin sobre a NEP: Lenin entendia que uma certa liberdade de circulação de mercadorias estimularia o interesse econômico do camponês, incrementaria a produtividade do seu trabalho e elevaria rapidamente o rendimento da agricultura; que sobre esta base se restauraria a indústria do Estado e se desalojaria o capital privado; que depois de acumular forças e recursos, se poderia criar uma potente indústria, base econômica para o socialismo, e logo depois passar decididamente à ofensiva, para destruir os restos do capitalismo dentro do país. [4]Ibid., p.257 [5]Citação em Stalin, Obras, vol.6 p.393 [6]Citação em Stalin, Obras, vol.6 pp.383-384 [7] V. I. Lenin, Obras Escolhidas, vol. 21, pp. 418-19. É aqui que Lenin demonstra, em oposição à Trotsky, que o Imperialismo e principalmente a guerra “fortaleceram os fatores políticos e econômicos que estão empurrando a pequena burguesia, incluindo o campesinato, para a esquerda” [8] Stalin, Obras, vol. 6. P.384. Stalin apontou que “Lênin fala da aliança do proletariado com as camadas de camponeses trabalhadores como sendo a base da ditadura do proletariado. Trotsky, ao contrário, fala de "choques hostis" "da vanguarda proletária" com as "grandes massas camponesas". [9] Stalin, Obras, vol.6. P.382 [10] Ibid, p.385 [11] Lenin, Obras Escolhidas, vol.21, p.419 [12] Lenin, “O Proletariado Revolucionário e o Direito das Nações à Autodeterminação” ibid., p. 409 [13] Nos anos 50 e 60, muitos partidos comunistas abandonaram seus princípios revolucionários e lançaram terríveis ataques a Stalin, pavimentando o caminho para um ressurgimento temporário do Trotskismo. Uma nova geração aprendeu em primeira mão como o trotskismo usa frases revolucionárias para cobrir os seus ataques a cada movimento progressivo, tendo todas as oportunidades para caluniar a China socialista. Promoveram palavras de ordem como “Toda a Indochina deve virar comunista” como uma desculpa para sua oposição à amplamente apoiada Frente de Libertação Nacional do Vietnã. Em lutas atuais no movimento de libertação negra, eles liquidaram a necessidade de um programa revolucionário de luta, promovendo ao invés disso, a confiança nas instituições e tribunais e outras formas de reformismo. [14] International Press Correspondence, 12 de janeiro, 1927, p. 63.

Harry Haywood, capítulo 6 em Black Bolshevik: Autobiography of an Afro-American Communist

Tradução de Gabriel Duccini

NOVACULTURA.info

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