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"Forjemos nosso Partido à imagem e semelhança do Partido de Lenin e Stalin"


Camaradas. O honroso convite do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética para assistirmos ao seu XIX Congresso, foi por nós atendido com o maior entusiasmo. A participação de uma delegação fraternal de nosso Partido no histórico XIX Congresso do Partido de Lênin e Stálin é um título de honra e um motivo de orgulho para nosso Partido. Estamos entre os Partidos que tiveram a felicidade de receber ao vivo riquíssimos ensinamentos de marxismo criador e preciosas lições extraídas da prática bolchevique, haurindo na própria fonte a experiência colossal da sábia direção stalinista. Somos profundamente gratos ao Partido irmão e ao querido camarada Stálin por mais essa elevada prova de amizade e confiança. É a primeira vez, em seus 30 anos de vida e de luta, que nosso Partido participa de um Congresso do glorioso Partido de Lênin e Stálin. Este acontecimento excepcional marca um período novo na história do Partido Comunista do Brasil.

I — O XIX Congresso Ilumina Nosso Caminho Camaradas. O Partido Comunista da União Soviética chegou ao seu XIX Congresso depois de percorrer um glorioso caminho de lutas e vitórias, escrevendo com letras de ouro novas páginas em sua história, na história da Pátria do socialismo e na história da humanidade. O XIX Congresso do Partido Comunista da União Soviética tem uma importância transcendental, é um acontecimento histórico mundial. Marca uma nova etapa no desenvolvimento da humanidade. Inspira energias novas aos trabalhadores e aos povos do mundo inteiro. Abre magníficas perspectivas para novo e titânico impulso na luta pela paz mundial e pela libertação dos povos. É um golpe demolidor nos intentos dos agressores imperialistas. O curso da história dos povos e dos Partidos Comunistas e Operários processar-se-á daqui por diante sob o signo das idéias, das perspectivas e das tarefas do XIX Congresso. O XIX Congresso compreendia 1.192 delegados com voz deliberativa e 167 com voz consultiva, representando 6.013.259 membros do Partido e 868.886 candidatos a membros do Partido. Entre os 1.192 delegados com voz deliberativa, 709 tinham instrução superior, 65 tinham grau científico e havia 58 laureados com o prêmio Stálin, 66 delegados tinham o elevado título de Herói do Trabalho Socialista; 62 delegados eram portadores do glorioso título de Herói da União Soviética. Os milhões de membros do Partido escolheram democraticamente, por voto secreto, para os representarem no Congresso aqueles que melhor encarnam a fidelidade ao Partido, a abnegação na luta em defesa da independência da pátria socialista, o ardor na realização do grande programa stalinista de edificação do comunismo na União Soviética, a compreensão mais elevada das idéias do internacionalismo proletário. E através desses homens magníficos e de tempera stalinista, através de suas expressões, atitudes e palavras, o Congresso nos deu um grandioso exemplo de simplicidade e modéstia, de rigor científico e lógica na argumentação, de firmeza e serenidade na conduta. Nem uma palavra de mais ou de menos, nada de fraseado vazio nem de promessas irrealizáveis, nenhum alarde ou ato para efeito externo, nada de ostentações nem de auto-suficiência, mas somente exemplos vivos de sobriedade e humanismo, de fé ardente no povo, amor ao Partido, convicção profunda nas idéias do marxismo-leninismo, intransigência para com os inimigos dos trabalhadores, desprezo para com os pretensiosos e os que não dizem a verdade nem são honrados, elevado espírito crítico e autocrítico, perfeita combinação entre a clareza nos objetivos e o sentido concreto e operativo de direção, disposição de marchar firme e audaz para o objetivo traçado, afastando do caminho todos os obstáculos que aí se interpuserem. A maneira pela qual os camaradas soviéticos examinam as atividades do Partido, a força de persuasão com que abordam os problemas, a extrema concisão e a clareza com que apresentam suas idéias e debatem as mais complexas questões, sempre de um ponto de vista crítico, o modo concreto de assegurar ao Partido o cumprimento das tarefas, todo esse estilo stalinista de trabalho do XIX Congresso é para nós extraordinariamente educativo. O XIX Congresso contou com a participação de 45 delegações de Partidos Comunistas e Operários dos cinco continentes. Cada delegação fraternal, inclusive a delegação de nosso Partido, foi honrada com a elevada distinção de poder transmitir da alta tribuna do histórico XIX Congresso sua mensagem de solidariedade e amizade. Foi uma comovente expressão dos laços de amizade que unem os trabalhadores do mundo inteiro aos trabalhadores soviéticos; foi uma convincente demonstração da força invencível do campo da paz e da democracia e da coesão indestrutível do movimento comunista mundial; foi um símbolo vivo do amor e do devotamento dos povos ao guia e amigo de toda a humanidade progressista, o grande Stálin. O camarada Stálin foi quem pessoalmente agradeceu a saudações, as felicitações e os testemunhos de confiança e amizade dos Partidos irmãos, ao Partido Comunista da União Soviética. O Congresso foi sacudido então por uma onda de vibrante entusiasmo, por um sentimento de emoção nunca visto e indescritível. As ovações jamais queriam ter fim; só eram interrompidas pelo ardente desejo de todos de ouvir atentamente a voz de Stálin, de captar integralmente cada palavra de Stálin. Como transmitir as manifestações de entusiasmo, de carinho, de amor e de reconhecimento ao grande Stálin, partidas do mais íntimo do ser de cada lutador revolucionário? O jornal "Pravda" disse que na língua russa, na língua em que escreveram Pushkin e Gorki, era difícil encontrar palavras para expressar o que se passou dentro dos vetustos muros do Kremlin, quando falava Stálin, calmamente, sem pressa e com ar paternal, evocando o apoio mútuo dos Partidos irmãos e do Partido Comunista da União Soviética, proclamando que "existem todas as razões para confiar nos êxitos e na vitória dos Partidos irmãos nos países onde domina o capital", apontando um genial programa de luta e sábias tarefas para os Partidos Comunistas e Operários e para toda a humanidade progressista na atual etapa histórica. O que sobressaía, com particular vigor, no XIX Congresso era a figura gigantesca de Stálin, era o gênio de Stálin abrindo novas perspectivas para o trabalho, para a luta e para a vitória. A modéstia e a simplicidade de Stálin impregnavam todo o ambiente do Congresso. Seus gestos pausados, suas atitudes serenas e tranqüilas, a naturalidade de suas maneiras, sua energia verdadeiramente assombrosa, sua extrema jovialidade, sua solicitude para com os quadros, sua clareza de pensamento e sua extraordinária fascinação pessoal refletiam-se poderosamente sobre todos os delegados. Cada gesto, cada palavra, cada ovação dos delegados estava saturado de desvelado carinho por Stálin, mais do que isto, de amor e devotamento sem limites ao guia, educador e amigo de todos, o camarada Stálin. Sua genial obra teórica, "Problemas Econômicos do Socialismo na URSS", a expressão mais alta do marxismo-leninismo, foi a bússola que norteou todo o trabalho fecundo do Congresso; seu histórico discurso, ponto culminante do Congresso, sintetizou sabiamente as grandes lições do XIX Congresso, é um precioso legado para o movimento comunista internacional e destina-se a marcar o início de uma nova etapa na vida e nas atividades dos Partidos Comunistas e Operários do mundo inteiro. A figura e o gênio de Stálin projetavam-se sobre todo o Congresso. Stálin era o eixo do Congresso, Stálin era alma e a luz do Congresso.

II — O Partido é Tudo Camaradas. O histórico XIX Congresso ilumina com a resplandecente luz da doutrina marxista-leninista e do gênio de Stálin as tarefas e perspectivas de luta de todos os povos pela paz e contra os incendiários de guerra, pela democracia e o socialismo. Como uma estrela-guia, Stálin mostrou-nos que poderemos agrupar em torno de nós a maioria do povo, ser a força dirigente da nação e conquistar êxitos e vitórias se erguermos mais alto e levarmos para adiante a bandeira das liberdades democráticas e da independência nacional. Este o fato novo e transcendente que dá a todos nós comunistas uma consciência mais nítida das responsabilidades que pesam sobre nossos ombros. Existem todas as possibilidades para vitórias verdadeiramente históricas em nossa luta, mas essas vitórias não serão alcançadas com milagres. Elas não caem do céu. Precisam ser conquistadas através de uma luta organizada, audaz e encarniçada. Isto põe numa altura nova, extraordinária, a questão do papel e da importância do Partido. Sem Partido as mais sábias indicações serão reduzidas a nada, a nada vezes nada. O Partido é o fator decisivo; sem o Partido tudo será quimérico. O Partido é a mais poderosa arma nas mãos do proletariado. O camarada Prestes diz: "O Partido é tudo; dele, de sua justa linha política, de seu trabalho de organização para realizar tal política, de sua capacidade em manter-se sempre à frente do povo, como defensor inabalável de seus interesses, depende, antes e acima de tudo, o êxito de toda luta pelo progresso social, pela liquidação da exploração do homem pelo próprio homem". Nisto devemos insistir. Nenhuma palavra pode exprimir tudo o que o Partido significa. A vida também exige cada vez mais de nosso Partido. O XIX Congresso nos ensina, antes e acima de tudo, a examinar com maior responsabilidade e mais profundo espírito crítico e auto-crítico os problemas de nosso Partido, a lutar mais firmemente pela consolidação de nosso Partido como partido marxista-leninista, à imagem e semelhança do Partido de Lênin e Stálin. A rica experiência do Partido Comunista da União Soviética mostra-nos que só um partido assim é capaz de conquistar vitórias. Embora cumprindo em princípio as funções de vanguarda da classe operária, nosso Partido não está ainda à altura de suas históricas tarefas, necessita ser consolidado orgânica e ideologicamente como um verdadeiro partido marxista-leninista, necessita caminhar rapidamente no sentido de adquirir os traços marcantes do Partido de Lênin e Stálin. Muito pouca, muito pequena mesmo, é a atenção dada pelo Comitê Nacional, como por todas as direções e organizações do Partido, a este problema fundamental e decisivo. Não cuidamos com a persistência e o carinho indispensáveis do fortalecimento orgânico do Partido, do aumento crescente dos seus efetivos e da formação e consolidação das bases do Partido nas empresas fundamentais e nas grandes concentrações operárias e camponesas. Não mostramos na prática que colocamos como tarefa mais importante, diária e permanente, a luta pela elevação do nível político de nossos militantes e pela capacitação teórica de nossos dirigentes. Não levantamos ainda em todo o Partido um combate decidido contra o liberalismo e a despreocupação para com as deformações de caráter ideológico em nossas fileiras, especialmente contra as concepções tendentes a diminuir a importância do Partido e sua função de dirigente político de vanguarda do movimento operário brasileiro e da luta pela emancipação nacional e social de nosso povo. Persiste, portanto, nossa subestimação do papel histórico do Partido, fato grave que precisa ser eliminado totalmente e com toda urgência. Lembremo-nos, camaradas, da sábia advertência de Stálin quando diz que "há momentos em que a situação é revolucionária, o poder da burguesia treme até os alicerces e, no entanto, o triunfo da revolução não chega, porque não existe um partido revolucionário do proletariado suficientemente forte e prestigioso para arrastar atrás de si as massas e tomar o poder em suas mãos". Temos sentido em nossa própria carne o que significa a falta de um tal partido. É bastante rica nossa própria experiência. Foi por falta de um forte Partido que não soubemos aproveitar a crise política de 1930 a favor das massas, deixando-as sob a influência de demagogos burgueses e mesmo de latifundiários como Vargas; foi fundamentalmente por falta de um Partido experimentado que fomos derrotados na insurreição nacional-libertadora de novembro de 1935; foi por falta de um Partido ideologicamente consolidado que não soubemos aproveitar suficientemente o ascenso democrático de 1945, permitindo que generais fascistas e politiqueiros reacionários, a serviço do imperialismo americano, dessem impunemente o golpe reacionário de 29 de Outubro; tem sido por falta de um Partido à altura de suas tarefas históricas que até agora a classe operária não se encontra politicamente unificada, não despertamos para a luta as grandes massas camponesas, não foram criadas amplas e poderosas organizações de frente única, nem surgiram lutas mais altas e decisivas pela independência nacional e pelo poder democrático popular. É evidente, portanto, que sem um Partido inteiramente consolidado do ponto de vista orgânico, político e ideológico, pouco poderemos fazer agora e no futuro. Continuaremos claudicando, sem poder dar passos firmes e audazes para a frente, apesar das imensas e crescentes possibilidades. Nosso Partido precisa ser, dentro do menor prazo, esse "partido revolucionário do proletariado", suficientemente poderoso e suficientemente ligado à massas organizadas, de que fala Stálin. Duas questões se colocam perante o Partido com força particular no atual momento: fazer crescer sistematicamente o Partido e elevar sistematicamente o nível político e ideológico do Partido.

Fazer Crescer Sistematicamente o Partido Camaradas. Sem dúvida nosso Partido, nos últimos tempos, vem crescendo. Temos aumentado o número de nossos efetivos, têm surgido novas organizações do Partido. Entretanto o crescimento do Partido não é uniforme. Houve um crescimento do Partido relativamente importante nas empresas de mais de 500 operários nos centros industriais de São Paulo, não acontecendo o mesmo no Distrito Federal, Estado do Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e na Zona Marítima. Mesmo em São Paulo, se houve um promissor crescimento do Partido nas empresas, fraquíssimo foi seu crescimento no campo, especialmente entre os assalariados agrícolas. Em muitos lugares do país onde devia existir o Partido, em grandes empresas e grandes concentrações operárias e camponesas, não temos ainda Partido suficientemente organizado. Em outros lugares o Partido é pequeno ou está fraquíssimo, com os organismos funcionando e atuando com irregularidade. Existem ainda lugares onde parou por completo o crescimento do Partido, onde diminuem os efetivos do Partido. Num grande número de empresas nem mesmo deitamos raízes. Devemos ver, portanto, as coisas com clareza: o Partido cresce, mas não cresce na medida em que pode e deve crescer. O ritmo de seu crescimento é muito aquém de nossas necessidades. O partido precisa ser grande mas atualmente é pequeno, é ainda pequeno para atender a todas as suas tarefas nos múltiplos terrenos de suas atividades. Por que isto acontece? Quais as causas que determinam esses fatores negativos e prejudiciais? Antes de mais nada é porque o crescimento do Partido não está no centro de nossas preocupações. A direção nacional não tem dado atenção suficiente ao crescimento do Partido. Temos ficado mais nas indicações gerais, pouco ensinamos ao Partido como planificar o trabalho de recrutamento, não exercemos um controle rigoroso e sistemático sobre a realização dos dois planos nacionais de recrutamento em homenagem ao 30.° aniversário de nosso Partido. A verdade é que não temos na ordem do dia o crescimento do Partido. Muitos plenos de Comitês do Partido se realizam, discute-se sobre tudo, mas pouco se diz sobre o recrutamento de novos membros, sobre a construção de novas células de empresa e sobre as medidas para a consolidação política dos organismos existentes. Quase nenhuma discussão política se realiza sobre a importância decisiva do crescimento do Partido, não há a necessária sistematização das experiências nem indicações de tarefas concretas. Foi isto que se deu nos últimos plenos de Comitês Estaduais tão importantes como Pernambuco, Bahia e Ceará. Foi o que aconteceu em grande parte com o último pleno do próprio Comitê Nacional. A coisa é clara: ainda não tomamos decididamente em nossas mãos o trabalho de crescimento do Partido; não tomamos ainda o crescimento do Partido como uma tarefa política de primeira grandeza, como uma tarefa fundamental e decisiva. Isto revela fundamentalmente o predomínio entre nós, do Comitê Nacional até às células, de uma séria tendência espontaneísta. Há uma lei: os Partidos Comunistas crescem mais rapidamente nos períodos de lutas, o crescimento dos Partidos Comunistas é mais lento nos períodos de descenso das lutas. Em nosso país há lutas, há diariamente lutas, as massas estão em constante movimento, o descontentamento se generaliza na maioria da população trabalhadora, as massas procuram a orientação do Partido, as massas admiram e prestigiam nosso Partido, o camarada Prestes é cada vez mais querido entre as massas, é mesmo venerado pelo povo. Por que então nosso Partido cresce num ritmo ainda insatisfatório? É que o caráter espontâneo de muitas lutas e as fortes tendências espontaneístas no Partido determinam que o Partido não cresça como pode e como é necessário. Exemplos disto existem à mão cheia. Nas minas de carvão de Cresciuma, em Santa Catarina, com mais de 8.000 mineiros, tem havido sérias lutas, há pelo menos 100 mineiros que querem ingressar no Partido, mas não se toma nenhuma medida concreta e eficaz para recrutá-los para o Partido. Apesar da combatividade dos 31 mil operários têxteis do Distrito Federal em sua última greve de 51 dias, apesar do carinho e do apoio das massas aos comunistas, só foram recrutados 150 novos membros para o Partido, o que revela a pouca compreensão do Comitê Metropolitano sobre a importância política de enraizar o Partido nos núcleos fundamentais da classe operária, numa cidade de grande importância como o Rio, recrutando os operários mais combativos e construindo novas células de empresa. Todos sabemos a enorme repercussão que tiveram as grandes lutas populares que durante cerca de um mês comoveram as mais importantes cidades do Rio Grande do Sul nos meados de 52; todos sabemos como as massas procuravam e seguiam a orientação do Partido. Não foram poucos os trabalhadores, não foi uma nem duas dezenas, foram milhares que proclamaram publicamente que o Partido de Prestes era o seu Partido. Doze mineiros de São Jerônimo foram presos e submetidos a processos. Entre eles só havia dois comunistas. Os outros dez eram, em sua maioria, operários sem filiação partidária, sendo que um ou outro era getulista. Pois bem, ao serem interrogados pelo juiz, para surpresa dos próprios comunistas das minas de São Jerônimo e dos dirigentes do Comitê Estadual do Rio Grande do Sul, daqueles dez mineiros sem-partido, ameaçados de serem condenados a vários anos de prisão, somente dois declararam que não eram comunistas: todos os outros, destemidamente, fizeram profissão de fé comunista. Como capitalizamos no Rio Grande do Sul toda essa simpatia pelo Partido, toda essa vontade e disposição de milhares de combatentes operários de se tornarem comunistas? Que fizemos para criar novas células, para penetrar em novas fábricas, para reforçar o Partido? Muito pouco, quase nada. A agitação absorveu totalmente os camaradas, que assim pouco se preocuparam em abrir as portas do Partido para milhares de ativos e dedicados lutadores. O espontaneismo se revela na falta de perseverança e paciência no trabalho para fazer crescer o Partido, na falta de um trabalho diário e permanente sistematicamente organizado e sistematicamente controlado, na falta de continuidade na tarefa. Se não se colhem os frutos num abrir e fechar de olhos, se se encontra uma pequena dificuldade, surgem mil e um pretextos e simplesmente desiste-se da tarefa. São poucos ainda os planos de recrutamento. Resiste-se mesmo à planificação do recrutamento, não se compreende suficientemente a importância política da tarefa, quase sempre reage-se diante das primeiras medidas de controle. Muitas vezes, os planos existem, mas são planos gerais e sem vida, sem tarefas claramente definidas, sem prazo fixo para a execução das tarefas, sem responsáveis individuais pela execução de cada tarefa, sem esclarecimento político sobre sua importância, sem controle sistemático. Entra mês e sai mês e não transformamos as ligações que temos nas empresas em células de empresas; entra mês e sai mês e os planos de construção de novas células ficam, em boa parte, no papel; entra mês e sai mês e não aproveitamos as imensas possibilidades que existem para em cada fábrica haver uma célula do Partido. Arranquemos, pois, de nossas cabeças a falsa idéia de que o Partido pode crescer espontaneamente, sem nos preocuparmos com isto. Pensemos uma e mil vezes que no crescimento planificado e controlado do Partido, na existência do Partido suficientemente organizado, suficientemente arraigado nas empresas e suficientemente ligado às massas nas grandes concentrações operárias e camponesas, é que está, em grande medida, o centro do papel dirigente do Partido. Pensemos seriamente no que Stálin mostrou como uma das principais características da situação contemporânea: "O crescimento da influência dos comunistas não pode ser considerado como obra casual, mas sim como um fenômeno inteiramente legítimo". O crescimento e fortalecimento dos Partidos Comunistas, o aumento continuado de sua influência entre as massas é hoje uma lei do desenvolvimento histórico. Podemos ter um grande Partido, um partido solidamente arraigado nas empresas e nas grandes concentrações operárias e camponesas. Existem todas as condições para fazer crescer o Partido num ritmo incomparavelmente mais rápido.

Elevar Sistematicamente o Nível Ideológico do Partido Camaradas. Precisamos crescer, precisamos de um poderoso Partido. Entretanto, devemos recordar, o Partido é forte não somente pelo número de seus membros, mas sobretudo pela sua qualidade. A força de um Partido mede-se pelo grau de consciência política e ideológica de seus dirigentes e militantes. Neste terreno nosso atraso é imenso! Não vencemos ainda nossas tendências de subestimação do trabalho ideológico. O desconhecimento da teoria conduz inevitavelmente ao espontaneismo e o espontaneismo é a base lógica do oportunismo, é o clima propício para a proliferação de concepções estranhas à ideologia do proletariado. O camarada Malênkov disse no XIX Congresso: "Devemos recordar a todo momento que qualquer atenuação da influência da ideologia socialista pressupõe o fortalecimento da influência da ideologia burguesa". Temos que desenvolver tenaz luta organizada para criar no Partido, de cima a baixo, uma compreensão clara e profunda sobre o papel e a significação da teoria para o Partido. Avançamos, sem dúvida, no trabalho de educação política e ideológica. Mas o que fizemos até agora, se é muito para o que tínhamos antes de fevereiro de 1951, é uma gota de água para o que nosso Partido necessita. É uma grande lição para nós a maneira como foi abordado o trabalho ideológico no XIX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, partido que é a expressão mais alta do nível ideológico entre todos os Partidos Comunistas do mundo e modelo de marxismo criador. Apesar do imenso trabalho de difusão e estudo das idéias do marxismo-leninismo, apesar do fecundo trabalho de enriquecimento constante do marxismo-leninismo, o camarada Malênkov disse: "Em muitas organizações do Partido subestima-se o trabalho ideológico, em conseqüência do que este trabalho se atrasa em relação às tarefas do Partido e, em algumas organizações, se encontra em estado de abandono". Necessitamos, pois, examinar nosso trabalho ideológico com muita modéstia e muito espírito crítico. A verdade é que estamos num tremendo atraso no trabalho ideológico. São sérias nossas deficiências e pouca a atenção que lhe damos. Organizamos mal e controlamos mal o trabalho ideológico em nosso Partido. Ainda não dispomos efetivamente de um trabalho de educação organizado de maneira satisfatória. Podem ser contadas pelos dedos as Escolas do Partido com vida regular. Os cursos são em número muito limitado. São escassos os professores e poucos têm o necessário nível ideológico e experiência pedagógica. A seleção dos alunos tem sido bastante defeituosa. Muitos cursos são grandemente prejudicados pelo enorme desnível entre os alunos. Ensinamos quase exclusivamente os elementos da linha política, os métodos de trabalho do Partido com as massas, o funcionamento e a estrutura orgânica do Partido. São reduzidíssimas as explicações que fazemos dos princípios fundamentais do marxismo-leninismo. Poucos são os círculos de estudo em funcionamento permanente. Não conseguimos organizar verdadeiramente o estudo individual, e o controle do que se estuda individualmente no Partido é inexistente. Cada quadro estuda como quer, o que quer e quando quer. Muito pequena é a propaganda das idéias do marxismo-leninismo e não podemos dizer que esta propaganda seja suficientemente organizada e permanente. Embora realizemos conferências e sabatinas, elas não são feitas sistematicamente, nem à base de uma criteriosa planificação nacional. Editamos alguns trabalhos dos clássicos do marxismo-leninismo, estamos publicando as OBRAS DE STÁLIN, mas não editamos suficientemente nem fazemos a popularização desse imenso tesouro em intima ligação com os problemas de nosso Partido, da classe operária e do povo brasileiro. Uma séria debilidade nossa está em que ainda não encontramos uma forma simples para dar um mínimo necessário de conhecimentos da teoria marxista-leninista de modo que seja accessível ao nível médio dos militantes de nosso Partido. Isto tudo significa que ainda não fomos capazes de concentrar a atenção de todas as organizações do Partido nesta tarefa de fortalecimento sucessivo, de que fala Malênkov, isto é, na elevação do nível político e da tempera marxista dos membros do Partido, fazendo dos militantes combatentes firmes pela aplicação da política e das resoluções do Partido, homens intransigentes para com os defeitos no trabalho e capazes de lutar tenazmente pela eliminação dos defeitos. Aqui está a base da questão dos quadros: só há verdadeiramente quadros quando política e teoricamente preparados. Nosso Partido tem homens abnegados, trabalhadores incansáveis, magníficos camaradas, mas são quadros que se caracterizam mais por suas atividades práticas, não estão preparados política e teoricamente, não estão armados da bússola do marxismo-leninismo. Poucos são os dirigentes que fazem um esforço sério para elevar seu nível ideológico. Esta, entretanto, é tarefa precípua de cada um de nós dirigentes do Partido. O resultado desta subestimação do trabalho ideológico por nossa parte é que o trabalho ideológico vem desenvolvendo-se mais ou menos espontaneamente ou é tomado ainda como uma tarefa simples e corriqueira, ou por vezes como a última das tarefas do Partido. O camada Malênkov disse: "A subestimação do trabalho ideológico é, num alto grau, o resultado de que uma parte de nossos quadros dirigentes não se preocupa em elevar sua consciência política, não aumenta seus conhecimentos no terreno do marxismo-leninismo, não se enriquece com a experiência histórica do Partido. E sem isto é impossível ser um dirigente amadurecido e completo". São efetivamente pequenos nossos conhecimentos teóricos e poucos são os que procuram enriquecer-se com a experiência histórica de nosso Partido. O nível teórico em que nos encontramos é ainda insuficiente para atender plenamente às necessidades crescentes de nosso Partido e do movimento revolucionário brasileiro. Um Partido como o nosso, que luta pelo poder, tem que cuidar da educação intensiva de seus militantes, preparar teoricamente seus quadros dirigentes, elevar a tempera ideológica de todos os comunistas, melhorar o grau de sua preparação para o trabalho prático, para tornar assim todo o Partido consciente de suas tarefas históricas, para ter em todas as circunstâncias o Partido com perspectivas claras, capaz de levantar as massas, preparado enfim para conseguir e consolidar vitórias. Terminemos, pois, com toda a subestimação do trabalho ideológico. A ideologia não penetra no Partido nem em nossas cabeças espontaneamente, sem luta tenaz e persistente. É necessário um trabalho rigorosamente organizado e controlado. Sem teoria somos como jovens jangadeiros inexperientes que navegam sem saber aonde os levam as ondas e os ventos, que não vêem que uma vaga mais forte pode arrojá-los sobre recifes. Bons dirigentes só podem ser aqueles que não se atrasam no plano ideológico e político e trabalham constantemente para elevar seu próprio nível teórico; bons dirigentes são os que procuram assimilar de maneira criadora o marxismo-leninismo, aplicar corretamente seus conhecimentos na realização das tarefas do Partido e desenvolver em si mesmos as qualidades de militante de tipo leninista-stalinista.

Arrancar Pela Raiz as Tendências à Subestimação do Papel do Partido Como Dirigente de Vanguarda do Proletariado e da Luta Libertadora de Nosso Povo Camaradas. Toda essa profunda subestimação pelo papel de vanguarda do Partido são restos de ideologia pequeno-burguesa ainda não totalmente extirpados de nossas fileiras. Subestima-se o recrutamento de novos membros para o Partido, na ilusão de que o Partido possa crescer espontaneamente ou de que o Partido possa bastar-se a si mesmo; subestima-se a importância da ideologia imaginando-se que nosso Partido possa desempenhar sua missão de vanguarda sem estar armado do marxismo-leninismo; subestima-se a organização celular e faz-se repousar o trabalho do Partido mais nas direções e em grupos de ativistas. O papel de vanguarda do Partido vem sendo prejudicado, as possibilidades de seu crescimento não se vêm transformando em realidade, pela existência de uma tendência de que o Partido pode bastar-se a si mesmo. Diz-se; "O Partido deve ser de poucos e bons". Ou senão: "Que adiantou o Partido crescer tanto em 45?" Como se o Partido que temos atendesse nossas tarefas em todos os terrenos e como se o erro em 45 fosse o Partido ter alcançado mais de 200 mil membros. Necessitamos de um Partido não de 200 mil, mas de um grande Partido de 500 mil, de um milhão ou mais de membros. O erro em 45 foi outro: foi não termos feito cuidadosa seleção individual no recrutamento, foi não termos estruturado suficientemente todos os que ingressaram no Partido com o desejo de se tornarem comunistas, foi não lhes termos dado consciência política e ideológica. Não faltam também os que procuram encobrir seu sectarismo com o manto da vigilância, caricaturando assim a vigilância. Uma célula de grande empresa da capital de São Paulo comunicou ao Comitê Distrital: "Temos condições para recrutar 100 novos membros". O Comitê Distrital respondeu solenemente: "Tenham cuidado! Vocês estão com aventuras!" Resultado: a célula só recrutou 7 novos membros, assim mesmo com a resistência do Comitê Distrital. Ainda é insignificante nosso combate a essas e outras concepções equivocadas que circulam em nossas fileiras entravando o mais rápido crescimento do Partido. Isto mostra que nem sempre nos guiamos pelo ensinamento de Stálin de que o Partido deve adq