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"Lima Barreto e a militância literária"


A emergência do nome de Lima Barreto no ano do centenário do seu nascimento, leva que se reconsidere uma série de conceitos e julgamentos relativos à sua atuação na época em que viveu como agente de crítica social e como escritor. Ao mesmo tempo, cabe uma reanálise da sua obra, seu situacionamento como escritor, a importância dos seus livros e a contribuição que deu numa articulação unitária homem-escritor à nossa cultura.

Lima Barreto é um escritor que foi colocado na penumbra deliberadamente pelos setores dominantes e privilegiados da indústria literária no Brasil. Era pobre, negro, anarquista e, por decorrência de tudo isto, antimilitarista. Sua obra, ao nosso ver, não é porem apenas a de um grande romancista, mas a de um escritor que criou uma nova linguagem para a novelística brasileira. Quero acentuar que, propositadamente, escrevi que ele conseguiu para o nosso romance uma nova linguagem e não um estilo novo. Até Lima Barreto a linguagem do Romance Brasileiro esbarrava em uma série de preconceitos, preconceitos que, até hoje, são perfilhados por muitos dos seus críticos, os quais, escolhendo como referencial básico de perfeição a obra de Machado de Assis, encontram imperfeições em tudo aquilo que, em Lima Barreto, era o transbordar do convencionalismo do linguajar que tinha as suas matrizes em Antônio Feliciano de Castilho, para poder expressara riqueza de pensar e de agir do nosso povo. Esta posição inovadora de Lima Barreto não advinha, porém, como muitos de seus críticos apontam, de um menor adestramento seu como escritor ou insuficiente domínio da língua, mas, pelo contrário, era uma posiç