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"Sem Engels não haveria marxismo"


“A maioria das pessoas tem muita preguiça de ler tomos robustos como O Capital, portanto pequenos panfletos como este [Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico] tem um efeito muito mais rápido.” — Friedrich Engels, MECW, vol. 46, pp. 300, 369. Friedrich Engels; o menino chicoteante da esquerda contemporânea, a gênese do “pecado original” do estalinismo, o vulgarizador positivista do trabalho de Marx e o ideólogo equivocado que tentou tolamente aplicar o método de Marx às ciências naturais. Estes são todos os tropos comuns que foram usados para desprezar Engels não só como um teórico dentro do panteão do pensamento comunista, mas também para minimizar seu próprio papel em contribuir para os fundamentos do marxismo e, portanto, relegar seu papel em seu relacionamento com Marx para o de seguidor passivo que “nunca entendeu [o marxismo], mas pensou que tinha”. As razões para expurgar Engels expressam vários motivos políticos, com alguns vendo Engels como a única pessoa responsável por despojar o pensamento de Marx de seu humanismo original como visto nos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844 e A Ideologia Alemã, e, assim, abrindo inadvertidamente o caminho para os “horrores estalinistas” do século XX. Ainda outros de uma visão mais liberal vêem em Engels uma expressão do pensamento do século 19, com todo o seu fervor determinista, como o contraste, ao invés de o elogio, ao pensamento liberal percebido por Marx. Em ambas as narrativas, Engels é o corruptor, o poluidor da “pureza” das contribuições originais de Marx, que, apesar das boas intenções de Engels para espalhar o marxismo, sem saber, espalhou sua própria distorção do marxismo infectada com toda uma série de bagagens ideológicas alienígenas. No entanto, a verdade de seu papel é que não só ele era parte integrante da propagação do marxismo após a morte de Marx, mas que foi Engels, e não Marx, que pode ser dito ter sido o primeiro marxista. Longe de ser o “corruptor” do marxismo, Engels foi o seu mais firme defensor e trabalhou incansavelmente, tanto em termos abertos como discretos, para construir os fundamentos teóricos e práticos do marxismo há mais de 40 anos. Sem Engels, o marxismo tal como o conhecemos, e como a História o concebeu, não existiria. Jovem Engels O jovem Engels era um radical. Ele era o produto de uma casa burguesa e religiosamente piedosa, uma situação contra a qual ele se rebelou constantemente na sua juventude, mas um contexto moral que sustentou sua indignação contra os horrores e as injustiças da sociedade industrial emergente. O iniciante Engels escreveu com zelo contra os maus tratos dos pobres na sociedade industrial, com sua bússola moral dirigida por sua fé protestante ainda presente e compromisso com os oprimidos como os verdadeiros filhos de Deus. Sua carreira jornalística precoce estava cheia de críticas mordazes sobre as condições que criaram os perigos do proletariado, transbordando uma retórica de fogo e de enxofre que qualquer pregador teria inveja. Ele se juntou ao exército prussiano em 1841, onde aprenderia sua propensão para a disciplina e a coordenaç