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"O nacionalismo burguês é uma arma da reação imperialista"


O nacionalismo* é uma arma e uma política empregadas pelas classes exploradoras, que o cultivam em benefício de seus interesses mercenários. A ideologia do nacionalismo se baseia na deturpação premeditada da história e dos fatos históricos, em afirmações falsas acerca da história em geral, no que diz respeito ás relações nacionais e à inimizade entre as nações. A ideologia do nacionalismo também se baseia na falsificação do próprio conceito de nação, considerada uma comunidade "natural" e um produto de fatores biológicos ou um fruto do "espírito nacional" eterno. O nacionalismo detende a teoria anti-humanista misantrópica das nações "eleitas", destinadas a dominar as chamadas nações "inferiores".


A política do nacionalismo é uma política de escravização de certas nações por outras, de subjugação das pequenas nações, de exploração e opressão dos povos coloniais e semicoloniais. A política do nacionalismo tem como objetivo estabelecer a desunião entre os trabalhadores, dividi-los e lançá-los uns contra os outros, desviando sua atenção e suas forças da luta pela democracia e pelo socialismo. Lenin disse certa vez:


"Olhem para os capitalistas... Os capitalistas de todas as nações e de todas as religiões estão unidos contra os trabalhadores, mas procuram dividir e enfraquecer os trabalhadores, disseminando entre eles a inimizade nacional!" [1]


O nacionalismo é o mais perigoso inimigo do movimento da classe operária, do movimento pela emancipação do proletariado. Destilando na consciência dos trabalhadores o veneno do nacionalismo, as classes exploradoras procuram fazer com que os operários e todos os demais trabalhadores se tornem incapazes de lutar em defesa de seus interesses de classe, procuram desarmá-los ideologicamente, a fim de fortalecer seu próprio domínio.


Desde seu aparecimento, o marxismo iniciou uma luta resoluta contra o nacionalismo em todas as suas formas, enfrentando-o e combatendo-o com a ideia do internacionalismo proletário. O internacionalismo proletário é a grande palavra de ordem do partido marxista, que expressa sua política e corresponde à sua amplitude mundial.


O internacionalismo proletário é a mais valiosa arma dos operários e dos trabalhadores em geral na luta contra todas as espécies de opressão de classe, assim como de opressão nacional, na execução das tarefas de destruir o imperialismo, de conquistar para o povo a liberdade e a independência nacional, de estabelecer o socialismo e o comunismo.


As experiências históricas, desde a vitória da Revolução Socialista na Rússia, provam claramente esse fato.


O grande feito da classe operária da Rússia, sob a direção do Partido Bolchevique, em outubro de 1917, constituiu uma manifestação excepcionalmente clara de sua lealdade ao internacionalismo proletário. Coube ao proletariado russo ser o primeiro a abrir uma brecha na frente imperialista.


Isso se tornara necessário não somente no interesse do proletariado russo, como também no interesse do proletariado internacional. Derrotado o imperialismo em seu próprio país, a classe operária russa executou, ao mesmo tempo as tarefas de sua própria libertação e cumpriu suas obrigações para com o proletariado internacional. No decorrer da revolução, o proletariado russo foi conscientemente dirigido por esse objetivo, isto é, servir os interesses dos trabalhadores de todo o mundo.


O proletariado revolucionado de todos os países também considerou a Revolução de Outubro sob esse aspecto. Foi por esse motivo que deu à Revolução sua solidariedade e seu apoio.


Do mesmo modo, depois da vitória da Revolução de Outubro, o Partido Bolchevique, ao mesmo tempo que executava as tarefas da construção socialista e trabalhava cada vez mais para fortalecer o poderio econômico e a capacidade de defesa de sua Pátria Socialista, considerava essas tarefas do proletariado russo e do proletariado de todas as nacionalidades da URSS como inseparavelmente ligadas ás suas tarefas internacionais. A propósito, disse o camarada Stalin:


"O Partido parte da premissa de que as tarefas "nacionais" e internacionais do proletariado da URSS se fundem numa tarefa comum de libertação do proletariado de todos os países do capitalismo, que os interesses da construção do socialismo em nosso país estão estreita e completamente ligados aos interesses do movimento revolucionário de todos os países, através do interesse comum da vitoria da revolução em todos os países. . . Portanto, contrapor às tarefas "nacionais" do proletariado de qualquer país às tarefas internacionais corresponde a cometer um profundo erro político". [2]


Lenin e Stalin constantemente chamavam a atenção do povo soviético para a idéia de que a vitória final do socialismo em nosso país somente é possível como resultado da combinação entre os vigorosos esforços do proletariado internacional e os esforços ainda mais vigorosos de todo o povo soviético. Apelavam constantemente para a classe operária da URSS no sentido de fortalecer suas relações com o proletariado internacional, com a classe operária de todos os países.


A classe operária da URSS está na vanguarda da classe operária de todo o mundo e, juntamente com essa classe, todo o povo soviético se elevou à posição de destacamento avançado de toda a humanidade trabalhadora, de todas as forças democráticas e progressistas do mundo. Esse fato constitui a mais convincente expressão do caráter internacional da luta da classe operária da URSS. Graças ao espírito verdadeiramente internacionalista de sua luta, a classe operária da Rússia conquistou também a simpatia e a solidariedade do operariado de todos os países, que nela reconhecem sua força de vanguarda. O camarada Stalin, em seu informe ao 17.° Congresso do Partido, disse:


"A classe operária da URSS é forte não só porque possui um partido leninista experimentado na luta, não só porque conta com o apoio de milhões de camponeses, como também porque é apoiada e ajudada peio proletariado mundial. A classe operária da Rússia é uma parte do proletariado mundial, e seu destacamento de vanguarda; e nossa República é a filha querida do proletariado mundial. Não pode haver dúvida de que, se nossa classe operária não tivesse sido apoiada pela classe operária dos países capitalistas, não teria conseguido conservar o poder; não teria assegurado as condições para a construção socialista e, em consequência, não teria alcançado os êxitos que alcançou. Os laços internacionais entre a classe operária da URSS e o operariado dos países capitalistas, a aliança fraternal entre os operários da URSS e os operários de todos os países constituem a pedra angular da força e do poderio da República Soviética O operariado ocidental diz que a classe operária da URSS é a brigada de choque do proletariado mundial. É uma boa coisa. Mostra que o proletariado mundial está disposto a continuar prestando o apoio que puder à classe operária da URSS. Mas isso nos impõe um sério dever. Isso significa que devemos provar, pelo nosso trabalho, que somos merecedores do honroso título de brigada de choque dos proletários de todos os países, impõe-nos o dever de trabalhar melhor e combater melhor para a vitória final do socialismo em nosso país, para a vitória do socialismo em todos os países.


Daí, a terceira conclusão: Devemos permanecer fiéis até o fim à causa do internacionalismo proletário, à causa da aliança fraternal dos proletários de todos os países". [3]


A vitória da revolução socialista na URSS, de significação mundial histórica, e a construção da sociedade socialista revelam que mesmo num país como a URSS, onde o proletariado por si só, sem a ajuda estatal do proletariado de outros países, conseguiu derrotar o imperialismo e construir a sociedade socialista com suas forças internas, a classe operária forjou incessantemente e continua a forjar laços internacionais com os operários de todos os países. O fortalecimento dos laços internacionais constitui uma necessidade histórica mútua para a classe operária do país em que está sendo construído o socialismo, assim como para a classe operária de todos os países que estão lutando pela sua libertação. A luta da classe operária da URSS, que alcançou o socialismo, é uma grande confirmação da vitalidade da palavra de ordem marxista do internacionalismo proletário e, ao mesmo tempo, um exemplo histórico da suprema lealdade e dedicação da classe operária da URSS aos objetivos e tarefas internacionais do proletariado de todo o mundo.


A experiência da grande Revolução Socialista confirmou a verdadeira importância da palavra de ordem do internacionalismo proletário, não somente no que diz respeito à execução das tarefas de derrubar o imperialismo e construir a sociedade socialista, como também na solução do problema nacional, no estabelecimento de uma verdadeira liberdade e independência nacional para o povo. Diz a respeito o camarada Stalin:


"Era, antigamente, uma "ideia aceita" que o único método de libertação das nações oprimidas era o método do nacionalismo burguês, o método pelo qual as nações se separavam umas das outras, o método pelo qual se desuniam as nações, o método pelo qual era intensificada a inimizade nacional entre as massas trabalhadoras das diversas nações. Essa lenda deve ser considerada como desmentida" [4].


A formidável experiência histórica da Revolução de Outubro mostrou plenamente o grande poder do internacionalismo proletário para a solução satisfatória do problema nacional. O camarada Stalin salientou:


"constitui uma feição característica da Revolução de Outubro o fato de terem sido levadas a cabo essas revoluções nacionais-coloniais na URSS não sob a bandeira da inimizade nacional e de conflitos entre nações, mas sob a bandeira da confiança recíproca e da união fraternal dos operários e camponeses das várias nacionalidades da URSS; não em nome do nacionalismo, mas em nome do internacionalismo" [5].


Foi precisamente por esse motivo que a libertação do povo das cadeias da opressão nacional-colonial teve lugar na URSS sob a direção da classe operária e de seu Partido Bolchevique, que levou a cabo a política de unidade fraternal das massas trabalhadoras. Essa libertação assegurou a todos os povos de nosso país o verdadeira igualdade de direitos e a verdadeira liberdade, tornou-os construtores ativos da sociedade socialista e da cultura dos povos da URSS, que é socialista em seu conteúdo e nacional em sua forma. A grande vitória da política leninista-stalinista de amizade entre os povos foi alcançada pelo Partido de Lenin e Stalin, na luta contra o nacionalismo burguês em todas as suas variedades, contra os desvios para o chauvinismo de grande potência e os nacionalismos locais.


Lenin e Stalin sempre ensinaram que, uma vez devidamente compreendidos, os interesses nacionais das massas trabalhadoras coincidem com seus interesses socialistas internacionais. Em seu famoso artigo "Acerca do Orgulho Nacional dos Grandes Russos", Lenin salientou que os interesses do orgulho nacional dos grandes russos, devidamente compreendidos, coincidiam com os interesses socialistas do proletariado grande russo e de todos os outros proletários.


O internacionalismo proletário nada tem em comum com niilismo nacional, com o cosmopolitismo que não tem pátria e que considera preconceito obsoleto todas as nacionalidades e o próprio conceito de nação. Quando Lafargue, falando no Grande Conselho da Internacional, afirmou que o próprio conceito de nação era obsoleto, Marx o criticou severamente e caracterizou esse niilismo nacional como o reverso do nacionalismo. Salientou Marx que "... sem que ele mesmo saiba disso, Lafargue compreende pela negação das nacionalidades... sua absorção pela nação francesa".


O marxismo-leninismo, que se opõe ao nacionalismo, defende, decididamente, os interesses nacionais dos povos, sua independência nacional.


Foram precisamente os bolcheviques que sempre mantiveram erguida a bandeira do internacionalismo proletário, da amizade dos povos; que elevaram sua pátria soviética e defenderam os legítimos interesses dos povos de toda a URSS. Sob a direção dos bolcheviques, as massas trabalhadoras de nosso país forjaram seu poderio econômico e defensivo, que tornou sua pátria socialista livre de qualquer dependência econômica ou militar a Estados estrangeiros.


Os bolcheviques mantiveram erguida a bandeira do patriotismo soviético, mobilizando as massas trabalhadoras para o serviço supremo a seu país, para a expansão das forças intelectuais e materiais, para a expansão e elevação da cultura russa e das culturas nacionais de todos os outros povos da URSS e para o desenvolvimento de todas as culturas nacionais, socialistas em seu conteúdo e nacionais em sua forma. O Partido inculcou e inculca na massa trabalhadora da URSS um espírito de profunda dedicação e lealdade à pátria soviética. Ensina o camarada Stalin que


"no patriotismo soviético estão harmoniosamente fundidos as tradições nacionais dos povos os vitais interesses comuns de todos os trabalhadores da União Soviética".


Os bolcheviques ergueram a bandeira do orgulho nacional que estimulou o povo soviético em sua grande obra histórica e criadora e constitui uma arma moral para a luta contra a cultura burguesa reacionária e o servilismo diante da mesma, para a luta contra o nacionalismo burguês que se refere sempre jactanciosamente, com expressões lisonjeiras, a tudo que seja "ocidental", e fala com desprezo do "Oriente", particularmente a cultura russa e impõe o servilismo diante do "Ocidente". Os bolcheviques sempre defenderam e continuam a defender a honra da Pátria Soviética — cidadela da ideologia e da cultura mais progressistas. Toda a história da construção do Estado Socialista demonstra a harmoniosa fusão das tarefas internacionais e nacionais na política do Partido Bolchevique.


Isso ficou demonstrado, com particular clareza, durante a grande guerra patriótica da União Soviética contra os invasores fascistas alemães.


O povo soviético, dirigido pelo Partido de Lenin e Stalin, com o maior sacrifício e dedicação á Pátria Soviética, lutou pela sua honra e pela sua independência e defendeu o Estado nacional e a cultura nacional dos povos da URSS. Os feitos dos trabalhadores soviéticos, na retaguarda, e os feitos inesquecíveis dos combatentes soviéticos na linha de frente foram frutos do ardente e abnegado patriotismo soviético.


Além disso, o povo soviético prestou poderosa e fraternal ajuda aos outros povos amantes da liberdade, que foram vítimas da agressão hitlerista. O movimento de libertação nacional daqueles povos contra os escravizadores hitleristas foi alimentado pelo poderio moral e militar resultante dos sucessos do povo soviético na grande guerra patriótica. Sem ajuda militar da URSS aqueles povos não poderiam libertar-se dos ocupantes fascistas alemães.


Graças à gloriosa vitória dos Exércitos Soviéticos e de seus heroicos esforços, os ocupantes alemães foram expulsos da Polônia, da Finlândia, Romênia, Bulgária, Iugoslávia, Albânia e Hungria, cujos povos não estavam em condições de, sem ajuda, libertar-se do jugo fascista.


Graças aos Exércitos Soviéticos, a civilização européia foi salva dos celerados fascistas. Como disse o Camarada Stalin, "nisso consiste o grande serviço do povo soviético à história da humanidade".


O povo soviético pôde prestar aquela grande ajuda aos outros povos porque, baseado na ordem soviética e na amizade de seus povos, forjou o invencível poderio da União Soviética, sob a direção do Partido de Lenin e Stalin. Pôde, além disso, prestar aquela ajuda porque reconhecia suas obrigações internacionais, porque infatigável e incessantemente tinha sido treinado pelo Partido Bolchevique no espírito de suprema lealdade ao internacionalismo proletário e de amizade entre os diferentes povos.


O curso futuro dos acontecimentos mostrou inequivocamente o caráter internacionalista da ajuda que o povo soviético prestou aos outros povos.