"A geopolítica, arma ideológica do imperialismo estadunidense"


Os Estados Unidos da América, centro mundial da política reacionária e agressiva, gendarmes do mundo, são o principal foco da ideologia reacionária, fascista. Em seu desejo de justificar as pretensões dos Estados Unidos ao domínio mundial, os lacaios “sábios” do imperialismo norte-americano difundem zelosamente as ideias, plenas de ódio aos outros homens, da superioridade da raça anglo-saxã e realizam desenfreada propaganda em prol da agressão imperialista. Na bagagem ideológica dos incendiários de guerra norte-americanos, a geopolítica, como é chamada, distingue-se por sua orientação extremamente agressiva e pelas diretivas de banditismo claramente formuladas. Essa reacionária pseudoteoria serve ideologicamente aos círculos mais chauvinistas do capital monopolista. Por seus objetivos e por suas teses básicas, pseudoteóricas, a geopolítica forma um só todo com o racismo, o cosmopolitismo, o neo-malthusianismo e outras variedades da ideologia imperialista.


O camarada Stalin ensina que a lei econômica fundamental do capitalismo contemporâneo tem como características e exigências essenciais


"assegurar o lucro máximo capitalista por meio da exploração, ruína e pauperização da maioria da população de um país determinado; por meio da escravização e pilhagem sistemática dos povos de outros países, particularmente dos países atrasados; e, finalmente, por meio das guerras e da militarização da economia nacional, utilizadas para garantir o máximo de lucros". [1]


A ação da lei econômica fundamental do capitalismo contemporâneo esclarece a agressiva política e as principais características da ideologia reacionária da burguesia imperialista, ideologia da exploração desenfreada e da agressão.


A geopolítica, “justificação” ideológica da política do imperialismo

Os geopolíticos procuram justificar a expansão imperialista e as guerras de conquista alegando que os fatores geográficos teriam uma influência decisiva na vida social. A geopolítica, que se apoia nas invencionices social-darwinistas, substitui a luta verdadeiramente existente entre os imperialistas, bem como entre estes e os povos pacíficos, pela “luta de todos contra todos”, que seria uma variedade da “luta pela existência”, que se pretende seja biológica, universal e eterna. A luta pelo espaço geográfico, as guerras de agressão, a “política de força”, tudo isto — afirmam os geopolíticos — são fenômenos constantes, naturais e necessários na vida de toda e qualquer sociedade, e independem de sua estrutura de classes.


É sobretudo como arma ideológica que a geopolítica é mais amplamente difundida nos Estados imperialistas que atuam como principal força-de-choque da reação internacional. Como é sabido, nas vésperas da segunda guerra mundial e durante ela, esta força era constituída pela Alemanha hitlerista e pelo Japão fascista. Nos “Estados do Eixo”, a geopolítica, intimamente associada à “teoria” racista, foi elevada à categoria de filosofia política oficial para justificar os planos delirantes de domínio mundial. Os geopolíticos fascistas alemães, com o general Haushofer à frente, gritavam a plenos pulmões que era preciso dar seu “espaço vital à raça alemã, de senhores” — isto é, na realidade, aos monopolistas alemães —, por meio da conquista de territórios e do extermínio físico de milhões de homens de outros países.


Foi também pregando a agressão ilimitada — sob a máscara de criar a famosa “esfera de prosperidade dos povos do Leste asiático” a ser comandada pelo imperialismo japonês — que intervieram os geopolíticos fascistas nipônicos que propagavam a versão mentirosa da superpopulação absoluta das ilhas nipônicas.


Em consequência da vitória de importância histórica e mundial da União Soviética na segunda guerra mundial, a Alemanha hitlerista e o Japão fascista sofreram uma derrota tanto militar e econômica quanto moral e política. A geopolítica e o racismo, de que estava impregnada a ideologia dos Estados fascistas, soçobraram. A ideologia soviética da igualdade em direitos de todas as raças e -nações, a ideologia da amizade entre os povos conquistou uma vitória completa sobre a ideologia hitlerista do banditismo internacional e do ódio racial.


Mas as lições da história, pelo visto, não são aproveitadas pelos imperialistas. A geopolítica, utilizada no passado pelos pretendentes hitleristas ao domínio mundial, é agora novamente cultuada pelos pretendentes norte-americanos à “direção do mundo”.


O imperialismo norte-americano assume o bastão da geopolítica

Os Estados Unidos tornaram-se agora o centro da geopolítica. Em regra geral, são os ideólogos burgueses, que acumulam as funções “ideológicas” — destinadas a embrutecer as massas — e o trabalho prático nos serviços de espionagem norte-americanos, que fazem a propaganda a favor da geopolítica.


Já quando da segunda guerra mundial, N. Spykman, “professor de ciência política”, expunha os princípios da geopolítica americano-fascista em seus livros “America's Strategy in World Politics” [2] (1942) e “The Geography of Peace” [3] (1944) Nesses livros, Spykman exalta o culto da força como algo de natural e necessário, e procura também provar que o direito de os Estados Unidos “dirigirem o mundo” estaria determinado de antemão por fatores geográficos. Os jornalistas burgueses reacionários dos Estados Unidos, entre os quais Weller — autor do livro “Bases Overseas, an American Trusteeship in Power” [4], publicado em 1944 — e Lippmann — que explica a conclusão da aliança do Atlântico Norte por considerações de ordem geográfica — fizeram e continuam a fazer uma propaganda zelosa a favor da geopolítica. Nos últimos anos, quando os Estados Unidos passaram abertamente a uma política exterior agressiva, a onda lamacenta dos trabalhos de geopolítica avolumou-se mais ainda. Por exemplo, na coletânea “New Compass of the World” [5] (1949), na coletânea “The Changing Map of Asia” [6] e no livro de Strausz-Hupe e Possony “International Relations in the Age of the Conflict Between Democracy and Dictatorship” [7] (1950), as alegações hipócritas de “fatores geográficos” servem para justificar a expansão imperialista desenfreada dos Estados Unidos em todas as partes do mundo. O livro de Kieffer, “Realities of World Power” [8], publicado em 1952, distingue-se por uma impudência particular. O autor declara inevitável e necessária a guerra contra a URSS e os países de democracia popular, sob o pretexto da “luta (abstrata) dos Estados pela existência” e ainda dos mesmos fatores geográficos que impeliriam os Estados Unidos a estabelecer sua dominação sobre o mundo.


Quando os imperialistas norte-americanos se apoderam de territórios estrangeiros na Europa, na Ásia, na África, na América Latina e na Austrália, os geopolíticos apresentam tal banditismo como um processo natural e normal de extensão das fronteiras e das “zonas de segurança” norte-americanas. Quando os militaristas dos Estados Unidos, que preparam uma nova guerra mundial e calcam aos pés a independência nacional dos povos, instalam bases militares no Canadá e na Groenlândia, na Islândia e na Noruega, na Grécia e na Turquia, no Japão e em Taiwan, os geopolíticos afirmam que isto não passa de consequência inelutável da nova geografia, dita "global", que não admite nenhuma fronteira de Estado.


O Conteúdo Reacionário da Geopolítica

Para enganar e embrutecer as massas, os geopolíticos procuram dimanar a política exterior agressiva deste ou daquele país imperialista, suas pretensões a territórios estrangeiros, à dominação mundial, da geografia econômica, política e física do país em causa.


Os geopolíticos são idealistas e metafísicos. Após tomar como ponto-de-partida de seus raciocínios uma das condições da vida material da sociedade, o meio geográfico, os geopolíticos fazem da mesma uma condição absoluta e não querem tomar conhecimento da condição principal, determinante, da vida material da sociedade: o modo de produção dos bens materiais. Os geopolíticos procuram mostrar que a política, a ideologia, as predisposições psíquicas dos homens dependeriam da ação dos fatores geográficos e interpretam as condições geográficas, e a própria geografia, segundo um espírito subjetivo e idealista absolutamente arbitrário, proclamando “verdade geográfica” o que é útil aos imperialistas.


Os raciocínios de que partem os geopolíticos são desprovidos de qualquer lógica. Trata-se simplesmente de uma mistura eclética de geografismo vulgar, de social-darwinismo, de cosmopolitismo, de divagações racistas e neomalthusianas.


A propaganda do racismo faz parte integrante dos escritos dos geopolíticos. Os geopolíticos hitleristas trombeteavam a “superioridade” da raça ariana; os geopolíticos americano-fascistas apregoam a “superioridade” da raça anglo-saxã. Assim, o geopolítico norte-americano Huntington, em seu livro “Mainsprings of Civilisation” [9], pretextando uma «riqueza» e uma “Vitalidade” raciais particulares dos anglo-saxões, bem como as condições geográficas “excepcionais” dos Estados Unidos, afirma que os norte-americanos estão chamados a “civilizar” o mundo inteiro, isto é, a estender o famoso modo de vida americano a todos os países, a converter todos os povos em escravos do capital monopolista dos Estados Unidos.


Os geopolíticos também utilizam amplamente as “conclusões”, carregadas de ódio aos homens, do neomalthusianismo. A este respeito, a coletânea de geopolítica “New Compass of the World” é bem característica: em uma série de artigos, faz-se propaganda das invencionices neomalthusianas a respeito da superpopulação absoluta do globo terrestre. É argumentando com esta “superpopulação” que tornaria — por assim dizer — necessário o extermínio por quaisquer meios dos “homens em excesso”; é argumentando com o “agravamento das condições geográficas” que os neomalthusianos e os geopolíticos procuram justificar o desemprego, a miséria, a fome, as guerras de agressão, que, na verdade, são consequência direta do sistema capitalista.


O principal método dos geopolíticos consiste em uma especulação anticientífica sobre noções político-geográficas e econômico-geográficas tais como a situação geográfica de um país, suas fronteiras, a densidade e o crescimento de sua população, sua riqueza nesta ou naquela matéria-prima, bem como em uma especulação em torno de noções físico-geográficas como o clima, a disposição dos Continentes, etc.


Os geopolíticos procuram provar que os fatores geográficos determinam a política exterior e a estratégia militar de um ou de outro país.


“... As relações internacionais são realmente determinadas pelos fatores geográficos” (pág. 410), escrevem Strausz-Hupe e Possony, já citados, em seu livro “International Relations in the Age of the Cònflict Between Democracy and Dictatorship”. A geopolítica repousa no exagero e na deformação do papel do meio geográfico na vida da sociedade.


Desde o período pré-monopolista do capitalismo, a tendência geográfica da sociologia burguesa, fortemente mesclada de racismo e malthusianismo, torna-se, nas mãos da burguesia, uma arma ideológica, um meio de justificar a exploração capitalista. Buckle, por exemplo, conhecido sociólogo inglês de meados do século XIX, procurou utilizar a “teoria” geográfica do desenvolvimento social para fazer recair nas condições da natureza a responsabilidade pela miséria das massas trabalhadoras da metrópole, pela escravidão dos povos da Índia e da África, oprimidos pelo capitalismo inglês.


Na época do imperialismo, a tendência geográfica da sociologia burguesa degenerou em geopolítica. Esta última trata principalmente das relações internacionais e procura justificar a política externa expansionista dos imperialistas. Friedrich Ratzel, um dos fundadores da geopolítica, enaltecido pelos geopolíticos hitleristas e norte-americanos, afirmava que a política de um Estado é determinada por suas dimensões, sua situação geográfica e pelo caráter de suas fronteiras. Ratzel desenvolvia a ideia absurda e arqui-reacionária segundo a qual:


“Neste pequeno planeta o espaço só é suficiente para um Estado”, (citado por Kieffer em “Realities of World Power”, pág. 17), pretendendo com isso justificar as aspirações do imperialismo alemão ao domínio mundial.


O reacionário sociólogo sueco Kjellen, o primeiro a utilizar o termo “geopolítica”, em sua obra “Staten som lifsform” [10] (1916), considerava o Estado imperialista como um organismo vivo que deveria estender-se pelo espaço, em luta por sua existência.


Spykman, o fundador da geopolítica americano-fascista atual, esmera-se em justificar a agressão desenfreada do imperialismo norte-americano e diz:


“A posição geográfica e a potencialidade física são fatos que precisam ser considerados no mundo internacional.” (“The Geography of the Peace”, pág. 7 — New York, 1944). “... um dos fatores mais importantes na determinação da política (exterior) é a geografia”. (Ibidem, pág. 8)


Spykman chegou a ponto de fazer afirmações monstruosas. Disse, por exemplo: “própria forma da terra abole a moral e sanciona o extermínio dos fracos pelos fortes.” (Retraduzido do russo).


Em outro lugar ele formula do seguinte modo a tese inicial da geopolítica:


“A geografia é o fator essencial na política exterior de um Estado...» («American Strategy in World Politics”, pág. 41 — New York, 1942)


Assim, de Ratzel, fundador da geopolítica na Alemanha e que desenvolveu sua atividade na aurora da época imperialista, aos propagandistas da geopolítica americano-fascista moderna, que tende ao desencadeamento da terceira guerra mundial, todos os partidários desta “teoria” imperialista se apóiam na tese de que as condições geográficas determinariam uma política expansionista e agressiva.


Os democratas revolucionários russos, particularmente N. G. Tchernichevski, já haviam criticado vivamente o geografismo vulgar. Em 1857, Tchernichevski escrevia:


“Não existem condições geográficas que possam explicar por que o Brasil se atrasa em relação a América do Norte: Em que serão as costas brasileiras piores do que as da América do Norte? Em que é a Amazônia pior que o Mississipi? Não são o solo e o clima da Sicília mais favoráveis ao progresso da agricultura do que os da Inglaterra?” (“Obras filosóficas escolhidas”, tomo II, Edições Políticas do Estado, pág. 187-188 — Moscou, 1950)


Tchernichevski estigmatizou o ponto-de-vista racista e geográfico de Hegel, Buckle e outros e escreveu:


“Há uma frase trivial: Os povos do meio-dia são preguiçosos; o clima tórrido debilita sua energia; — é uma frase trivial e nada mais. Os vícios e virtudes não são apanágio exclusivo desta ou daquela zona terrestre”. (Ibidem, Pág. 74)


O Papel Exato do Meio Geográfico no Desenvolvimento da Sociedade

Foram Marx, Engels, Lenin e Stalin, criadores da verdadeira ciência das leis do desenvolvimento social, do materialismo histórico, que resolveram, à base de argumentos científicos, a questão do papel do meio geográfico no desenvolvimento da sociedade. O materialismo histórico desferiu um golpe irremediável nas teorias pseudocientíficas do geografismo vulgar e da geopolítica.


O papel do meio geográfico no desenvolvimento social foi completa e brilhantemente esclarecido por Stalin em sua obra clássica “Materialismo Dialético e Materialismo Histórico”. O meio geográfico, isto é, a natureza que cerca a sociedade — indica Stalin — indubitavelmente faz parte das “condições da vida material da sociedade”. O meio geográfico, que é uma das condições constantes e necessárias da vida material da sociedade, exerce indiscutivelmente influência sobre o desenvolvimento social, acelerando-o ou atrasando-o. Entretanto, o caráter da interação entre o meio geográfico e a sociedade — e, por conseguinte, a influência aceleradora ou moderadora do meio geográfico na vida social — depende principalmente, não das próprias peculiaridades desse meio, mas do modo de produção, isto é: do caráter das forças produtivas da sociedade e das relações de produção entre os homens.


“Em três mil anos a Europa viu desaparecer três regimes sociais diferentes: o comunismo primitivo, a escravidão, e o regime feudal e, no leste da Europa, no território da URSS, desapareceram inclusive quatro. Ora, no mesmo período, as condições geográficas da Europa ou não se modificaram absolutamente ou modificaram-se tão pouco que os geógrafos não creem que valha a pena mencioná-lo. E compreende-se que assim seja. Para que o meio geográfico experimente mudanças de certa importância, são precisos milhões de anos, enquanto que, em umas centenas ou em um par de milhares de anos, podem operar-se até mudanças da maior importância no regime social”. (“Questions du Leninisme”, tomo II, pág- 250 — Editions Sociales, Paris, 1947)


O camarada Stalin conclui daí que:


“o meio geográfico não pode ser a causa principal, a causa determinanete do desenvolvimento social, pois o que permanece quase invariável através de dezenas de milhares de anos não pode ser a causa principal do desenvolvimento do que está sujeito a mudanças radicais no espaço de algumas centenas de anos”. (Ibidem).


Não é o meio geográfico, como afirmam os geopolíticos, nem tampouco o crescimento da população, como intentam mostrar os malthusianos, mas o modo de produção dos bens materiais que é a força principal no sistema das condições da vida material da sociedade; que é a força finalmente determinante do desenvolvimento social, da fisionomia da sociedade, do caráter de seu regime social de sua política e sua ideologia.


A tese marxista-leninista segundo a qual a influência do meio geográfico sobre a sociedade nunca foi nem pode ser determinante, segundo a qual o meio geográfico é apenas uma das condições da vida material da sociedade e não a força motriz de seu desenvolvimento, destrói completamente as elucubrações pseudoteóricas dos geopolíticos, seus raciocínios sobre a determinação da política interna e externa de um Estado pelas condições geográficas.


Para que a burguesia imperialista escape à responsabilidade pelos males que suportam as massas trabalhadoras, os geopolíticos afirmam que a sociedade depende inevitavelmente da natureza, como um escravo. Kieffer, já citado, declara:


“Nos climas desfavoráveis nada há a fazer, senão abandona-los”. (Obra citada, pág. 22).


Trata-se de uma Camuflagem do Caráter Nocivo do Imperialismo

Mas na realidade, em nossos dias, é o regime capitalista, apodrecido até à medula, que impede a utilização das forças produtivas já existentes para combater a natureza em benefício de toda a sociedade; que impede o desenvolvimento das próprias forças produtivas. É justamente por isso, e absolutamente em virtude de qualquer “dependência fatal” da sociedade em relação às condições materiais desfavoráveis, que no capitalismo monopolista inúmeros territórios permanecem efetivamente inaproveitados pelo homem ou estão longe de ser suficientemente aproveitados. Entretanto, uma vez que se cria uma base nova, socialista, uma vez que as relações de produção socialistas triunfam, a situação se modifica inteiramente, como o comprova a experiência da União Soviética. Os homens tornam-se então capazes não só de não se subordinarem à influência negativa desta ou daquela condição geográfica, mas ainda de transformar em grande escala o meio geográfico em proveito da sociedade: plantar florestas, escavar imensos canais e reservatórios, modificar o curso dos rios, fertilizar o solo e, finalmente, melhorar o clima em extensões consideráveis.


Os homens soviéticos, que realizam com êxito o grandioso-plano stalinista de transformação da natureza, mostraram com fatos não apenas que não são escravos da natureza, mas que, ao contrário, por conhecerem as leis da natureza e da sociedade e por saberem aplicá-las e utilizá-las, se tornam os verdadeiros senhores da natureza. No informe de atividade do C.C. ao XIX Congresso do Partido foi indicado:


“A realização das grandes obras fixadas para desenvolver a irrigação, plantar faixas florestais de proteção dos campos e sanear os terrenos pantanosos, permitirá à nossa agricultura passar a um grau superior, e o país estará para sempre garantido contra as contingências do clima”. (“Problemas”, n. 42, pág. 66).


Os geopolíticos americanos-britânicos de hoje, os incendiários de uma nova guerra mundial, declaram que a política externa deste ou daquele Estado e as guerras feitas pelo mesmo são determinadas por sua situação geográfica e por outras condições também geográficas. O geopolítico Moodie publicou em 1949 um livro, com o título de “Geography Behind Politics”, no qual procurou mostrar que as divergências entre a URSS e as potências ocidentais nos assuntos internacionais são devidas... ao "contraste" geográfico entre as terras “inferiores” (continentais), como batizou os territórios da URSS e dos países de democracia popular, e as terras “exteriores” (oceânicas), como denomina aos países anglo-saxões e seus vizinhos.


Os geopolíticos necessitam de tais pensamentos anticientíficos e profundamente reacionários para esconder que a política externa agressiva do bloco americano-britânico tem como causa a dominação, nos países desse bloco, do capitalismo monopolista, que procura assegurar-se o máximo de lucros.


A História de um Mesmo País, Desmentido às Falsas Teorias da Geopolítica

Os fatores geográficos não determinam, nem podem determinar, a política de um Estado e, com maior razão, não podem ser a causa das guerras. Os fatos mostram que a política externa de um país pode mudar do modo mais radical, ao passo que as condições geográficas permanecem as mesmas.


Não haverá diferença entre a política da burguesia americana, que na segunda metade do século XVIII tendia a libertar os Estados Unidos do jugo britânico, e a política atual, profundamente reacionária e agressiva, da burguesia imperialista dos Estados Unidos, que procura desencadear uma nova carnificina mundial e escravizar os povos da Europa, Ásia e outras partes do mundo?


E as modificações por que passa a política externa de um país são ainda maiores com a instauração de um novo regime social em seu território. Não haverá também uma distância como da terra ao céu entre a política exterior, profundamente progressista e pacifica, da grande União Soviética — baluarte dos povos na luta pela paz, a democracia e o socialismo —, e a política reacionária, imperialista, da Rússia czarista? E, no entanto, a URSS encontra-se nas mesmas condições geográficas que a Rússia czarista.


A oposição entre a política da China semi-feudal, em que dominavam os imperialistas norte-americanos e seus agentes do Kuomintang, e a política da grande China popular e democrática, que defende a causa da paz contra os incendiários de guerra imperialistas, lado a lado com a União Soviética e os países europeus de democracia popular, é também inteiramente clara. E, no entanto, nem se pode falar de mudanças na geografia e no clima da China nesses últimos anos.


É claro que a política exterior de qualquer Estado não é ditada pelas condições geográficas, mas pelas classes dominantes do país. Segundo a definição clássica de Lenin, a política é a expressão concentrada da economia. A política dos Estados Unidos, da Inglaterra, da França e de outros Estados imperialistas é a expressão concentrada da economia do capitalismo monopolista.


O motor do capitalismo monopolista — ensina Stalin — é o lucro máximo capitalista. Uma das principais fontes da obtenção de lucros reside na transformação dos países independentes era países dependentes, na organização de novas guerras, que é o “business” preferido dos imperialistas. Daí o caráter agressivo da política externa dos Estados imperialistas: política de expansão e desencadeamento de guerras imperialistas.


Contrariamente à economia capitalista — ensina Stalin — a economia socialista tem por objetivo assegurar a satisfação máxima das necessidades materiais e culturais sempre crescentes de toda a sociedade, por meio do incremento e aperfeiçoamento ininterruptos da produção socialista. A União Soviética e os países de democracia popular têm profundo interesse em manter e consolidar a paz — daí sua política externa pacífica.


A tese social-darwinista da Luta pela Existência - outra base pseudocientífica da geopolítica

Além de deformar o papel dos fatores geográficos, os geopolíticos recorrem amplamente à tese malthusiana e social-darwinista da eternidade e inevitabilidade da “luta pela existência”, que se processaria na sociedade, tanto entre os homens individualmente quanto na esfera das relações internacionais. Esta "teoria" do direito da força nas relações entre os Estados figura na sociologia burguesa como “filosofia da força”. Kieffer, por exemplo, fala da necessidade de abolir o Direito Internacional e afirma com um cinismo não dissimulado que o único método possível nas relações internacionais é o dos “gangsteres”: “Preciso, quero: tomo!”, e o único direito o da pilhagem e da violência.


Transportar fraudulentamente para a vida social as teses darwinistas sobre a seleção natural e a luta pela existência na natureza; identificar o Estado imperialista com um organismo biológico em vias de crescimento; proclamar as agressões e as guerras fenômenos “eternos” e “constantes”, análogos à ação dos animais que se nutrem de outros animais, — eis o que caracteriza os geopolíticos, os racistas, os neomalthusianos, esses verdadeiros canibais da ciência. A esse respeito é muito instrutivo o já citado livro de Kieffer “Realities of World Power”. O autor reduz as relações entre os povos a uma espécie de luta abstrata pela sobrevivência, análoga à luta travada pelo homem das cavernas.


Em sua obra genial “Materialismo e Empiriocriticismo”, Lenin denuncia os processos anticientíficos dos sociólogos machistas, típicos de toda a sociologia burguesa contemporânea, e sublinha que a aplicação de “leis universais” abstratas, bem como de conceitos “biológicos”, “energéticos” e outros do mesmo gênero, aos fenômenos sociais não passa de um amontoado de palavras, de frases vazias. Lenin escreveu:


“Nada mais fácil do que colar uma etiqueta “energética” ou “biossociológica” em fenômenos como as crises, as revoluções, a luta de classes, etc., mas nada tão estéril tão escolástico, tão morto quanto essa ocupação” (“Matérialisme et Empiriocriticisme”, Editions Sociales, pág. 302 — Paris, 1948).


Os raciocínios escolásticos dos geopolíticos, dos racistas, dos social-darwinistas sobre as “leis biossociológicas” perseguem objetivos profundamente reacionários e demagógicos. Aplicando etiquetas “biossociológicas”, ou mesmo “físico-sociológicas”, em fenômenos sociais como a guerra política expansionista e a fascistização dos regimes políticos, os lacaios sábios da burguesia procuram esconder aos trabalhadores as leis reais do desenvolvimento social, ocultar as raízes de classe e de exploração das guerras imperialistas, da política interna e externa reacionária dos monopólios capitalistas.


A Verdadeira Fonte do Desenvolvimento Social

Somente os ensinamentos marxista-leninistas revelam a verdadeira fonte e as reais forças motrizes do desenvolvimento social. À base do desenvolvimento de toda a sociedade está o desenvolvimento da produção. A produção, o modo de produção, engloba tanto as forças produtivas da sociedade quanto as relações de produção entre os homens cuja unidade ele encarna no processo da produção dos bens materiais. Além disso, as relações de produção dos bens intervêm ora como poderoso impulsionador do desenvolvimento social (quando correspondem ao caráter das forças produtivas da sociedade), ora como freio desse desenvolvimento (quando tal correspondência é rompida).


Em todas as esferas da sociedade capitalista atual processa-se uma luta encarniçada entre os homens, mas não se trata de uma “luta pela existência”, semelhante à luta biológica, e sim de uma luta entre duas classes antagônicas — a burguesia imperialista e seus sustentáculos, de um lado; e o proletariado à frente de todos os trabalhadores, de outro lado —, bem como uma luta entre os próprios imperialistas. A burguesia imperialista é a portadora e depositária das caducas relações de produção capitalistas, relações condenadas pela história e que há muito deixaram de corresponder ao caráter das forças produtivas acumuladas pela sociedade. O proletariado é o combatente pelas novas relações de produção que correspondem ao caráter das forças produtivas: as relações de produção socialistas. Na arena internacional trava-se a luta entre os imperialistas dos diferentes países pela posse das matérias-primas e dos mercados, pela obtenção dos lucros mais elevados. Entre os Estados do campo do capitalismo e os do campo do socialismo trava-se uma luta de classes acentuada: o bloco americano-britânico luta pela manutenção e consolidação do imperialismo, pela liquidação da independência nacional de todos os países, pela fascistização do mundo, ao passo que a União Soviética e os países de democracia popular combatem o imperialismo e a agressão imperialista, lutam por assegurar um futuro radioso aos povos e uma sólida paz democrática entre as nações, por consolidar, através de todos os meios, a colaboração amistosa entre nações pacíficas.


As divagações geopolíticas sobre o caráter natural e necessário da política de força e de agressão ficam inteiramente refutadas pela política externa da União Soviética, que aplica de modo consequente o princípio da igualdade em direitos entre as partes nas relações internacionais, quer se trate de uma “grande” ou “pequena” potência.


Em seu discurso no banquete em homenagem à delegação governamental finlandesa, a 7 de abril de 1948, Stalin contrapôs os Princípios da política externa soviética aos da política externa Imperialista, e disse:


“Muitos pensam que não podem haver relações baseadas na igualdade de direitos entre uma nação grande e outra pequena. Mas nós, homens soviéticos, consideramos que tais relações podem e devem existir” ...


“Não são muitos os políticos das grandes potências que consideram as pequenas nações iguais em direito às grandes nações. A maioria deles encara de cima, condescendentemente, as pequenas nações. Por vezes, nada têm contra a outorga de uma garantia unilateral às pequenas nações. Mas, em geral, esses políticos não chegam a ponto de concluir tratados iguais com as pequenas nações, pois não consideram as pequenas nações como pares”.


Efetivamente, tome-se como exemplo qualquer tratado ou acordo internacional concluído pelos Estados Unidos ou pela Inglaterra com as potências mais fracas e ver-se-á que a política externa do imperialismo americano-britânico repousa no princípio da desigualdade de direitos entre o forte e o fraco, no princípio da submissão do mais fraco ao “diktat” do mais forte.


Os ideólogos do imperialismo norte-americano — compreendendo-se entre eles os geopolíticos — procuram demonstrar que a coexistência pacífica e, com maior razão, a colaboração entre os países do campo capitalista, de um lado, e a União Soviética e os países democrático populares, de outro lado, é impossível em virtude da lei da «luta pela existência» e, uma vez chegados a esse terreno, não somente pregam a agressão, mas exigem mesmo o desencadeamento da chamada guerra preventiva contra a URSS.


Contra a provocadora propaganda imperialista, que procura fazer crer na inevitabilidade da guerra entre o campo do socialismo e o do capitalismo, nas “aspirações guerreiras” da União Soviética, ergue-se a indicação de Lenin e Stalin, indicação baseada na experiência da História, e na teoria do marxismo, segundo a qual são possíveis a coexistência pacífica e a colaboração dos dois sistemas, o capitalista e o socialista. Em sua entrevista com Stassen, representante do Partido Republicano dos Estados Unidos, em 1947, Stalin frisou: “Foi Lenin o primeiro a expressar a ideia da cooperação de dois sistemas diferentes. Lenin é nosso mestre e nós, povo soviético, somos discípulos de Lenin. Nunca nos afastamos e nunca nos afastaremos dos preceitos de Lenin”.


É claro que o que impede a colaboração e a coexistência pacífica dos dois sistemas não são as “leis” míticas da luta pela existência nas relações internacionais, “leis” inventadas pelos geopolíticos, mas a ausência, por parte dos imperialistas, principalmente por parte dos imperialistas dos Estados Unidos, do desejo de colaborar e de viver em paz com a União Soviética socialista e com os países de democracia popular.


As relações entre a URSS e os países democrático populares são relações inteiramente novas, nunca antes vistas na História. São relações baseadas nos princípios do respeito à independência nacional, da igualdade em direitos, da cooperação econômica. O camarada Stalin indica que esta cooperação tem por fundamento o desejo sincero de ajudar-se reciprocamente e de atingir um florescimento econômico, geral.


Os esforços dos geopolíticos em apresentar as leis ferozes do imperialismo, no domínio das relações internacionais, como leis “eternas” e “universais” são absolutamente hipócritas e tendenciosos.


Uma Necessidade Para o Imperialismo Norte-Americano: a Geopolítica em Escala Mundial

O programa delirante dos imperialistas dos Estados Unidos, que se propõem americanizar todos os países e Continentes, supera de muito, por sua amplitude, os planos insensatos dos fascistas alemães e japoneses. Pela impudência de suas pretensões, os geopolíticos americanos contemporâneos deixam longe seus predecessores fascistas alemães. Criaram uma concepção geopolítica americana especial: a “geografia global”, que justifica a agressão dos Estados Unidos em todas as partes do mundo, sem exceção. Daí os raciocínios “geoestratégicos” dos imperialistas americanos a respeito dos meios de conquistar o mundo inteiro; daí a intensa propaganda em favor da tese das chamadas fronteiras móveis.


Em seu livro “Bases Overseas”, Weller sentenciou:


“Quais são, em nossos dias, as fronteiras norte-americanas. Elas não existem. Estão em toda parte: a América luta em todo o globo” (Retraduzido do russo).


E Weigert escreve, na coletânea “New Com pass of the World”:


“A ideia à qual nos habituamos é a de que as fronteiras de nossa zona de segurança nacional estão em toda parte onde o mapa assinala a existência de interesses americanos(...)” (pág. 220).


Enquanto os geopolíticos hitleristas declaravam arbitrariamente, de acordo com os planos de seus patrões imperialistas, que tal ou qual fronteira era uma fronteira “natural” da Alemanha, seus confrades americano-fascistas declaram que todo o globo faz parte da “zona de segurança” dos Estados Unidos. Aos gritos histéricos de “defesa da segurança” dos Estados Unidos procuram, no Sudeste da Ásia, encobrir agressões criminosas como a intervenção americano-britânica na Coréia, a conquista da ilha chinesa de Taiwan, e o bombardeio aéreo de cidades e aldeias chinesas.


Todavia, nem os geopolíticos nem os outros ideólogos da reação conseguem persuadir os soldados norte-americanos e britânicos de que estão defendendo na Coréia e na China as fronteiras e a segurança de seu país. Em sua entrevista com o correspondente da “Pravda”, Stalin mencionou às causas da impopularidade da guerra contra a Coréia e a China entre os soldados norte-americanos e britânicos, e assinalou:


“É difícil convencer os soldados de que os Estados Unidos têm o direito de defender sua segurança no território da Coréia e nas fronteiras da China, enquanto que a China e a Coréia não têm o direito de defender sua segurança em seu próprio território ou nas fronteiras de seu Estado” (“Problemas” n. 34, pág. 48).


Os geopolíticos norte-americanos ficam furibundos com a simples ideia de que seja possível manter e consolidar a paz entre os povos: fazem todos os esforços para atiçar a psicose de guerra nos países imperialistas e para fazer fracassar a luta pela paz por meio de uma propaganda mentirosa sobre a inevitabilidade da iminência de uma nova guerra mundial.


A esse respeito, o início do livro de Kieffer “Realities of World Power” é bastante característico. Escreve esse incendiário de guerra:


“Por conseguinte, o leitor que pensa encontrar nestas páginas material que dissipe seus temores no futuro, ou que nelas espera encontrar um raio de esperança de paz, melhor faria não ir além desse parágrafo. Entretanto, o leitor que tenha interesse em saber por que é inevitável a guerra que se aproxima, como poderá ela ser vencida e, o que importa mais que tudo, como poderá ser obtida a paz final, achará que este livro vale a pena ser lido.” (pág. 7)


A geopolítica dos imperialistas norte-americanos e a calunia sobre a agressividade soviética

A União Soviética é o principal adversário de uma nova guerra mundial, o principal baluarte da paz no mundo. Por isso' é que os potentados dos Estados Unidos chegaram à conclusão de que é preciso fazer a guerra à União Soviética e às demais potências pacíficas. Aplicando essa diretiva, os geopolíticos norte-americanos se esforçam por mostrar a inevitabilidade da guerra contra a União Soviética e alegam, para isto, a situação geográfica dos dois países. Declaram que o Oceano Glacial Ártico e a região do polo em geral constituem um “centro estratégico e uma “região capital do mundo”, e afirmam a inevitabilidade de um conflito entre a URSS e a América do Norte no Ártico, tudo isto com o objetivo de cobrir a expansão que os invasores norte-americanos já realizaram no Canadá, na Groenlândia e na Islândia.


Os fascistas norte-americanos utilizam particularmente as “pesquisas” cientificas do geopolítico inglês Mac Kinder para difundir o mito da agressividade da União Soviética, agressividade que resultaria da situação geográfica de nosso país no centro do Continente eurásico. Ultimamente, os trabalhos dos geopolíticos contêm “provas” semelhantes a respeito da “agressividade” da República Popular da China.


Da primeira à última linha de seu livro, Kieffer propaga a tese da inevitabilidade da guerra entre a URSS e os Estados Unidos. Os argumentos, desprovidos de qualquer seriedade, são simplesmente abjetos: são substituídos por uns raciocínios sobre as “leis da geopolítica”, por analogias biossociológicas insustentáveis, e por uivos furibundos a respeito da “agressividade da URSS”.


Todavia, fatos irrefutáveis mostram que a propaganda mentirosa em torno da imaginária ameaça de agressão por parte da União Soviética é absolutamente inconsistente. A União Soviética procura prevenir qualquer guerra entre os Estados; pronuncia-se pela regulamentação pacífica dos conflitos e divergências internacionais. Depois de terminada a guerra, o governo soviético diminuiu consideravelmente suas forças armadas; propôs a interdição das armas atômica e bacteriológica e a redução dos demais armamentos e das forças armadas, e propôs a conclusão de um Pacto de Paz. O Soviete Supremo da URSS aprovou a Lei de Defesa da Paz e proclamou grave crime contra a humanidade a propaganda de guerra. Os geopolíticos norte-americanos confundem propositadamente a questão das verdadeiras causas do agravamento da tensão nas relações internacionais. Na verdade, jamais houve, nem há, evidentemente, qualquer motivo geográfico que explique a tensão da situação internacional. Sua causa reside no fato de que o imperialismo norte-americano aplica uma política de agressão e de desencadeamento de uma nova guerra mundial; remilitariza a Alemanha Ocidental e o Japão; procura cobrir todo o mundo de bases militares; organiza blocos agressivos, e realiza uma guerra criminosa contra o povo coreano.


De fato, a luta que o imperialismo norte-americano trava, sob a bandeira do “anticomunismo”, com o objetivo de estabelecer seu domínio no mundo, não visa apenas à União Soviética e aos países de democracia popular. Ocultando-se na cortina de fumaça da “luta contra o comunismo”, os bilionários norte-americanos pilham e escravizam Estados capitalistas outrora livres, e os empurram, com toda a força, para a guerra, ao mesmo tempo que determinam a todos os membros do bloco imperialista os objetivos de guerra, o itinerário a seguir, e as forças de que devem dispor para participar de tal guerra.


No Informe de atividade do C.C. perante o XIX Congresso do Partido, o camarada Malenkov declarou:


“Uma característica da estratégia do imperialismo norte-americano está em que seus chefes baseiam seus planos de guerra na utilização de territórios e exércitos estrangeiros, em primeiro lugar da Alemanha Ocidental e do Japão, bem como da Grã-Bretanha, da França e da Itália, na utilização dos outros povos que, segundo os estrategistas americanos, devem servir de instrumento cego e de carne-de-canhão para a conquista do domínio mundial pelos monopolistas norte-americanos.” (“Problemas” n. 42, pág. 45).


Sob o pretexto de manter “o equilíbrio de forças”, os geopolíticos norte-americanos exigem que a Inglaterra, a França, a Itália e outros países capitalistas se submetam ao “diktat” dos Estados Unidos, entreguem seus territórios para a instalação de bases militares norte-americanas, participem de blocos agressivos, e se comprometam a fornecer soldados.


A geopolítica do imperialismo norte-americano e o bloco “Atlântico” de agressão

Os geopolíticos fazem grande barulho em torno do Bloco do Atlântico Norte: instrumento principal da agressiva política dos círculos dirigentes norte-americanos. Já durante a segunda guerra mundial, sob o pretexto de considerações geográficas e estratégicas, o conhecido jornalista reacionário Lippmann iniciara, em seu livro “Objetivos de Guerra dos Estados Unidos”, a propagação da ideia de uma chamada Comunidade Atlântica: bloco militar e político submetido aos Estados Unidos, e que compreenderia 41 Estados capitalistas, entre os quais a Inglaterra, a França, a Bélgica, a Holanda, e seus impérios coloniais.


Depois da guerra, quando o Bloco do Atlântico Norte se constituiu, os geopolíticos transpuseram para a linguagem de sua pseudociência a tese favorita do Departamento de Estado relativamente à “comunidade” do mundo ocidental e se esforçaram por apresentar a aliança dos Estados imperialistas como um pretenso acordo regional, concluído com fins “defensivos”. Entretanto, toda a atividade dos agressores mostra que o Pacto do Atlântico Norte, é utilizado não para a defesa, mas para desencadear uma nova guerra mundial. A bem dizer, de que “comunidade geográfica”, de que “acordo regional” poderá tratar-se quando a União Atlântica abrange Estados que não pertencem de nenhum modo à mesma região geográfica? — como o Canadá e a Itália, a Turquia e a Noruega.


No livro “Reallties of World Power”, Kieffer considera a maioria dos países capitalistas apenas como praças de armas militares e estratégicas, fornecedoras de material humano bom para ser utilizado no interesse do imperialismo norte-americano. A Inglaterra — declara esse furibundo geopolítico — deve tornar-se, segundo os planos norte-americanos, “um vasto depósito de artilharia, uma oficina de reparações, uma base-aérea, uma escala, um entreposto, e ela pagará o preço disso.” (pág. 134).


Quanto à França, Kieffer e os outros geopolíticos norte-americanos declaram-na “cabeça-de-ponte natural” [11] do famoso exército europeu subordinado aos Estados Unidos. Em virtude de “considerações geográficas”, também a Espanha e a Itália são para eles bases norte-americanas. Kieffer exige que a Espanha franquista seja incluída no “sistema de defesa” norte-americano, que se torne uma enorme base-aérea dos Estados Unidos a fim de manter toda a Europa sob o controle norte-americano.


Por ordem do Pentágono, que reclama carne-de-canhão para suas aventuras militares, os geopolíticos voltam seus olhos para a Alemanha Ocidental e o Japão. Ainda no auge da segundo guerra mundial, Spykman aconselhava, cinicamente, que, após submetido ao imperialismo norte-americano, se mantivesse o poderio militar da Alemanha e do Japão para contrabalançar com o da União Soviética. Em nossos dias, o geopolítico Kieffer esbraveja, com franqueza e impudência ainda maiores que as de seu predecessor, sobre a necessidade de repor em pé os inimigos de ontem — ou seja: a Alemanha Ocidental e o Japão — contra os países ainda ontem aliados dos Estados Unidos. Sob a proteção imediata das autoridades norte-americanas de ocupação, renasce na Alemanha Ocidental a propaganda fascista dos geopolíticos. Recentemente, a revista de geopolítica “Zeitschrift für Geopolitik”, fundada em outros tempos pelo general Haushofer, chefe dos geopolíticos hitleristas, reiniciou sua circulação. Difundem-se também outras publicações que fazem propaganda desta pseudo-ciência. O livro de Albrecht Haushofer, filho do citado general, não tinha tido tempo de ser publicado na Alemanha fascista. Não obsta! Esta "obra" acaba de ser publicada em Heidelberg, na Alemanha Ocidental, onde reinam os monopolistas do Ruhr e seus protetores norte-americanos.


Os geopolíticos da Alemanha Ocidental tornam-se dia a dia mais descarados, por isso que os círculos dirigentes dos Estados Unidos confiam ao militarismo alemão ressuscitado o papel de principal aliado militar na Europa. A Alemanha deve ser a força dominante na Comunidade Européia de Defesa — gritam os epígonos hitleristas. Em uma revista de geopolítica da Alemanha Ocidental, Kremmer escreve:


“A Alemanha é o tórax do Ocidente, onde estão contidos os pulmões e principalmente o coração da Europa... O Reno é a aorta, a principal artéria da Europa.” (Retraduzido do russo).


Na coletânea de geopolítica americano-britânica “The Changing Map of Asia”, a maldita e carcomida ideia da “grande esfera de prosperidade do Leste asiático”, ideia trombeteada pelos geopolíticos japoneses, é novamente posta na ordem-do-dia e enaltecida. Os geopolíticos norte-americanos atiçam o Japão, sob a dependência dos Estados Unidos, a desempenhar o papel de força-de-choque dos imperialistas norte-americanos na Ásia.


A geopolítica do imperialismo norte-Americano e o abandono da independência nacional

Os geopolíticos norte-americanos, que formam um só bloco com os propagandistas da ideologia corrompida do cosmopolitismo, pronunciam-se pela renúncia dos povos à sua soberania nacional. Strausz-Hupe e Possony escrevem:


“A teoria diabólica da soberania nacional repousa numa necedade” (Obra citada, pág. 875).


Já durante a segunda guerra mundial, Spykman propunha que na estrutura mundial de após-guerra não fosse levado em conta o princípio “caduco” da autodeterminação nacional, mas antes se procurasse reunir os Estados do mundo em diversos grandes blocos. Discorrendo com presunção sobre o “vácuo” que a maioria dos Estados — inclusive a França e a Itália — representaria, incita cinicamente a liquidar sua independência.


“Por maior que tenha sido sua contribuição histórica à ciência e à civilização — escreve ele tratando dos Estados independentes da Europa — na época da guerra em três dimensões [12], eles constituem um acaso político para a comunidade internacional” (Obra citada, pág. 433).


Retomando a tese de Spykman, o geopolítico norte-americano de tipo moderno — Kieffer — classifica todos os Estados capitalistas dependentes dos Estados Unidos na categoria de Estados-tampões, sobre os mesmos declarando:


“Os Estados-tampões constituem vácuos de forca, e, do ponto-de-vista da geopolítica, um vácuo de força deve imediatamente ser preenchido.” (“Realities of World Power”, 1 pág. 58).


Declarar a França, a Itália e outros Estados espaços vazios a serem imediatamente conquistados — eis o grau de impudência a que chegam os cosmopolitas norte-americanos, esses inimigos jurados da independência nacional dos povos. Os raciocínios dos geopolíticos relativamente à América Latina se distinguem por cinismo especial. Spykman, por exemplo, declarou que o “direito” que os Estados Unidos “sempre tiveram” de dominar os países da América Latina decorre de “sua situação geográfica e geopolítica” e da “diferença existente entre os potenciais de força da América do Norte e da América do Sul (“America's Strategy in World Politics”, pág. 350). Os inúmeros propagandistas da ideologia imperialista do pan-americanismo se referem à “comunidade” geográfica, cultural e política dos Estados Unidos e da América Latina, “comunidade” que, de fato, nunca existiu. Lançando a ideia do “continentalismo” para contrabalançar a ideia patriótica de defesa da soberania nacional, eles procuram desarmar. espiritualmente os povos da América Latina, justificar a pilhagem da América Latina pelos imperialistas dos Estados Unidos.


Levando à prática as ordens de seus patrões norte-americanos, muitos geopolíticos e outros ideólogos reacionários dos países satélites dos Estados Unidos tomaram o caminho da traição nacional e procuram justificar a política de renúncia à soberania nacional de seus países. O geopolítico canadense Watson, por exemplo, escreve:


“O norte do Canadá, aberto e indefeso, constitui um perigoso vácuo de força que pode provocar uma intervenção. Seria bom que os Estados Unidos interviessem em primeiro lugar.” (Retraduzido do russo).


A geopolítica do imperialismo norte-americano e sua absoluta oposição aos interesses dos povos

Os cálculos dos geopolíticos cosmopolitas norte-americanos e americanizantes tendo em vista eternizar o domínio do imperialismo estadunidense sobre os Estados capitalistas escravizados, estão destinados ao fracasso. Os Estados capitalistas como a Inglaterra, a França, a Alemanha Ocidental, o Japão, e, depois deles, os outros Estados capitalistas, não suportarão eternamente a escravidão norte-americana. Em última instância, ver-se-ão obrigados a libertar-se do jugo dos Estados Unidos e a entrar em conflito com esse país para poderem assegurar-se uma situação de independência, assim como lucros elevados. Mas os cálculos dos geopolíticos cosmopolitas norte-americanos fracassarão, principalmente, porque as forças verdadeiramente patrióticas e pacíficas, tendo à frente os partidos comunistas e democráticos, erguerão a bandeira da independência e da soberania nacional, atirada fora pela burguesia.


Os geopolíticos americano-fascistas, que fazem propaganda em favor da orientação agressiva dos Estados Unidos na política externa, afirmam que tal orientação corresponde aos interesses do povo norte-americano. Nada mais falso do que essa afirmação. As massas trabalhadoras dos Estados Unidos sentem cada vez mais as consequências desastrosas da política dos potentados imperialistas — política de militarização do país, de preparação para a guerra e de desencadeamento da guerra. Esta política leva ao aumento dos impostos, à elevação dos preços, ao crescimento do desemprego, ao agravamento da inflação. É acompanhada de desenfreada ofensiva da reação contra os trabalhadores norte-americanos e da fascistização do regime político nos Estados Unidos. A guerra da Coreia já custou ao povo norte-americano centenas de milhares de mortos e feridos. A agressiva política dos círculos imperialistas dos Estados Unidos, que aspiram a dominar o mundo, só poderá trazer novas e incontáveis desgraças ao povo norte-americano.


A geopolítica fascista, que reflete e “justifica” os plano delirantes dos potentados monopolistas dos Estados Unidos, é profundamente hostil aos interesses das massas populares. É parte inseparável da luta pela paz denunciar e combater o ópio ideológico, a psicose de guerra difundida pelos geopolíticos e demais propagandistas da guerra.


Os geopolíticos americano-fascistas e seus inspiradores, que seguem as pegadas dos hitleristas, sofrerão inevitavelmente uma derrota tão completa quanto a infligida a seus predecessores ideológicos e políticos.

Publicado originalmente na Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 57 - Maio de 1954

Escrito por J. Semionov


Notas

[1] J. V, Stalin — “Problemas Econômicos do Socialismo na URSS”, in “Problemas” n,. 43, pág. 56 (Rio)

[2] “A Estratégia Americana na Política Mundial” (New York).

[3] “A Geografia da Paz” (New York).

[4] “Bases de Além-mar, uma Tutela Americana em Força” (New York).

[5] “A Nova Bússola do Mundo” (New York).

[6] “O Mapa da Ásia, Mapa em Transformação” (New York).

[7] “As Relações Internacionais na Época do Conflito entre a Democracia e a Ditadura” (New York, 1950).

[8] “Realidades da Potência Mundial” (New York)

[9] “As Principais Forças Motrizes da Civilização” (New York, 1947)

[10] “O Estado como forma da vida”.

[11] Nota da Red. — Strausz-Hupe e Possony assim intitulam o capítulo XIII de seu livro: “A França, cabeça-de-ponte”.

[12] Nota da Red. — Spykman considera que até o presente a guerra tem sido travada no sentido do comprimento e da largura, em torno do globo terrestre. Mas, como o caminho do Polo é o mais curto para atingir a URSS, a guerra será feita doravante numa terceira dimensão pelo Polo. além de nas duas precedentes.

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