"Eleanor Marx e o Primeiro de Maio em Chicago (1886)"


Frequentemente se nota que o Primeiro de Maio teve suas origens em Chicago. Dois dias após 40.000 operários marcharem pela jornada de oito horas diária no 1º de maio de 1886, bate paus da empresa atiraram em sete operários grevistas que estavam em um piquete na fábrica de maquinaria agrícola McCormick Harvester.


Em um protesto de massas na Praça Haymarket no final da tarde do dia seguinte, uma bomba de um provocador executou vários policiais, levando à detenção de oito anarquistas, muitos deles que nem estavam na Praça Haymarket naquela noite. Quatro deles foram enforcados. Essa história conhecida é contada nas celebrações do Primeiro de Maio em todo lugar.


Mas é esquecido o fato que Eleanor Marx - filha de Karl Marx, o dirigente teórico do movimento comunista que morrera três anos antes - visitou a prisão de Cook County em Chicago em novembro de 1886 e se encontrou com os réus encarcerados enquanto eles esperavam a resolução de seus recursos. A jovem Marx, que estava em viagem aos Estados Unidos para divulgar as ideias e organizações socialistas, exigia justiça aos anarquistas condenados de Chicago onde quer que ela parasse.


Ao retornar para Londres, ela encorajou a classe operária da Inglaterra a “fortalecer as mãos de seus irmãos americanos realizando encontros e passando resoluções que protestassem contra o assassinato judicial desses homens e exigissem um novo julgamento”.


Ainda que Eleanor Marx fosse fortemente contra a ideologia anarquista, ela acreditava ser fundamental que os comunistas defendessem todos os operários que sofressem repressão nas mãos do Estado capitalista. Como ela e seu companheiro Edward Aveling escreveram em seu artigo “Os anarquistas de Chicago”, “A nossa posição de antagonismo com os ensinamentos do anarquismo fortalece a nossa posição de exigir justiça aos homens condenados”.


Nesse Primeiro de Maio, lembrar o apelo de Eleanor Marx por solidariedade da classe operária contra a repressão capitalista só pode fortalecer a nossa decisão de construção de um movimento de massas dos operários e oprimidos na luta pelo socialismo.


Texto de Jeff Sorel

Tradução de Gabriel Duccini


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