1/10

"A semifeudalidade em Alagoas"


O ensaio a seguir tem como objetivo demonstrar a sobrevivência e vigência, até os nossos dias, das relações de produção feudais e semifeudais no estado de Alagoas. Pensamos que tal artigo pode ajudar nossos amigos e companheiros próximos a descortinar e entender o atraso e a estrutura agrária arcaica vigente em nosso país, a despeito de todas as propagandas enganosas do governo sobre as “milacrosas” reduções nos “índices de pobreza”. O fato de sobreviverem até nossos dias as relações de produção semifeudais demonstram claramente que cabe ao proletariado, em aliança com as dezenas de milhões de massas camponesas pobres do país, a missão histórica de derrubar o sistema latifundiário por meio da Revolução Agrária e de estabelecer nos campos do país um regime democrático popular-revolucionário. INTRODUÇÃO Ao invadir o Brasil no século XVI, mesmo já ensaiando o mercantilismo (fase inicial do capitalismo), o Império Português ainda estava sob a vigência do modo de produção feudal que perdurou até o século XVIII. A divisão do Brasil em capitanias hereditárias e depois a criação das sesmarias foram as formas feudais da metrópole explorar as riquezas da nova terra e governar seus súditos, os quais foram se formando ao longo dos séculos. Os acontecimentos históricos envolvendo os inúmeros povos nativos, os portugueses e as várias etnias africanas, num permanente jogo de poder e contra-poder a partir do século XVI, favoreceu os bancos detentores das terras cuja face atual é representada pelos latifúndios a serviço do agronegócio, especialmente a produção de açúcar e etanol, no caso específico de Alagoas. Alagoas foi separada de Pernambuco em 1817, como forma do Imperador D. João VI recompensar aos senhores de engenho por hav