Ações dos trabalhadores no Dia Nacional de lutas


Trabalhadores de todo o país se mobilizaram neste último dia 29 de maio no Dia Nacional de Lutas contra a retirada de direitos por parte do governo reacionário, contra os cortes de gastos no orçamento anual da União para a manutenção do superávit primário (que prejudicou deste jovens operários precarizados até viúvas e pescadores, bem como a saúde e educação públicas, desenvolvimento industrial, reforma agrária, etc.) e, principalmente, contra o PL 4330 do arquirreacionário coronel Sandro Mabel. No Brasil inteiro, ações políticas como paralisações, greves, bloqueios de avenidas e rodovias, manifestações, ocupações de prédios públicos, enfrentamentos contra as forças armadas do Estado reacionário, etc. foram levadas a cabo. As ações políticas mostraram que a classe operária e o povo brasileiro não estão dispostos a pagarem pela crise do sistema imperialista mundial com o saque sobre as massas populares, sobre os recursos naturais do país, e sobre as finanças públicas. Tais acontecimentos também colocam por terra as atuais concepções derrotistas e equivocadas segundo a qual a classe operária não mais possui o papel dirigente em processos políticos transformadores.


No estado de São Paulo, operários da indústria química, trabalhadores sem teto e lavradores de um assentamento local bloquearam durante 2 horas, por volta das 7h da manhã, um trecho da rodovia estadual Anhanguera, da região metropolitana da capital, contra o PL 4330 e demais retiradas de direitos impostas pelo governo. Na avenida Paulista, bancários realizaram paralisações em diversas agências contra a terceirização. Manifestações também foram levadas a cabo na avenida Paulista por sindicatos operários e camponeses. Em diversos municípios da região metropolitana de São Paulo, trabalhadores sem teto ocuparam agências da Caixa Econômica Federal em protesto contra a retirada de recursos para a construção de habitações populares. Na rodovia Raposo Tavares, a Polícia Militar reprimiu uma manifestação realizada por estudantes e professores por ocasião do Dia Nacional da Paralisação, prendendo um estudante universitário e agredindo covardemente uma estudante que também protestava. Em São Bernardo do Campo, cerca de 50 mil metalúrgicos realizaram um grande protesto contra o PL 4330 e as retiradas de direitos. No interior do estado, camponeses e assalariados agrícolas realizaram ações de bloqueio de estradas, em denúncia à completa paralisação das desapropriações de fazendas improdutivas ocupadas por posseiros (de 2010 a 2014, o INCRA sofreu um corte de 85% de seu orçamento anual, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, de 2014 a 2015, perdeu 49,4% de seus recursos) e em protesto ao PL 4330, que piorará ainda mais a situação dos assalariados rurais que trabalham no corte da cana de açúcar em usinas controladas principalmente pelo capital estrangeiro, submetidos a todo tipo de terceirizações.


No estado do Paraná, camponeses trancaram a rodovia BR-376, que dava acesso à capital Curitiba, e realizaram ocupações de prédios públicos. Cerca de 800 camponeses ligados ao MST ocuparam a sede do INCRA em Curitiba, exigindo a liberação de recursos para a melhoria de assentamentos, expansão de assistência técnica e que fossem acelerados os processos de desapropriação de fazendas improdutivas ocupadas por dezenas de milhares de famílias posseiras no estado com fins de reforma agrária. Na capital Curitiba e em demais cidades das regiões urbanas paranaenses, operários, estudantes e professores também se mobilizaram para a luta. Em Telêmaco Borba e Ortigueira, cerca de 11 mil operários da construção de uma nova fábrica de celulose da empresa Klabin entraram em greve, somando as antigas reivindicações econômicas à luta nacional contra o ajuste fiscal e o PL 4330, conquistando, mesmo em meio à crise, uma série de novas conquistas econômicas. Na capital Curitiba, cerca de 3 mil estudantes e trabalhadores da educação se manifestaram contra o governador fascista Beto Richa, contra os cortes de gastos, e lembraram com pêsames a data de um mês do acontecimento do massacre do dia 29 de abril, quando a PM de Beto Richa lançou cachorros, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os professores em luta, ferindo centenas de pessoas e prendendo outras centenas de pessoas também.


Em Sergipe, cerca de 500 operários da empresa têxtil Trutnorth realizaram uma paralisação por ocasião do dia nacional contra a PL 4330, denunciando as condições de trabalho inadequadas às quais os operários estavam submetidos, alimentação e saúde inadequadas, salários atrasados, etc. Somaram-se à paralisação, também, o movimento camponês e o movimento de trabalhadores sem-teto, que, junto com os operários, realizaram durante algumas horas o bloqueio de uma rodovia que ligava o município de Nossa Senhora do Socorro à capital Aracaju.


Na Bahia, operários ferroviários paralisaram os trens do subúrbio de Salvador em resposta ao chamado pelo Dia Nacional de Paralisação e de luta contra o PL 4330. Além da luta contra o PL 4330, os operários das ferrovias se manifestaram contra as más condições de trabalho e da precariedade de seus locais de trabalho, precariedade está constante em um sistema ferroviário formado predominantemente por trens antigos e obsoletos. Os bancários de Salvador realizaram uma paralisação de uma hora, permitindo o acesso da população às agências bancárias somente às 11h pela manhã. Professores realizaram manifestações na região central de Salvador. Operários de empresas de telemarketing que prestam serviços para o Banco do Brasil aderiram em protesto ao Dia Nacional de Paralisação realizando uma manifestação na avenida Djalma Dutra. Na cidade de Camaçari, região industrial da grande Salvador, operários da indústria química, construção civil, petroquímicos e metalúrgicos realizaram a partir das 4h da manhã um bloqueio Via Parafuso, a rodovia estadual BA-535, até aproximadamente as 7h da manhã, no quilômetro 10 da rodovia.

por Alexandre Rosendo

NOVACULTURA.info

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