Sindicato denuncia situação dos operários da indústria farmacêutica


As farmacêuticas brasileiras ultrapassaram as multinacionais em faturamento. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, só no primeiro semestre de 2014 as brasileiras faturaram juntas R$15,8 bilhões, 50,8% do total, segundo análise da Alanac (associação dos laboratórios nacionais) com base em dados do IMS Health, instituto que audita o setor.

Uma das farmacêuticas citadas na matéria como sucesso em expansão e inovação é a Biolab, empresa cujos funcionários frequentemente reclamam da pressão para produzir. Além disso, a terceirização nessa empresa aumenta a cada dia, o que só prejudica a vida e a saúde dos trabalhadores. Terceirização é constante em empresas do setor farmacêutico O Unificados luta para combater a terceirização, política que tira direitos e piora as condições de trabalho. Além da Biolab, farmacêuticas como a Chiesi (multinacional italiana), Sankyo (japonesa) e Eurofarma têm aumentado consideravelmente o número de terceirizados.


Em recente audiência pública realizada na Alesp para debater a terceirização, o dirigente do Unificados, Nilza Pereira, chamou atenção para o fato de que os trabalhadores terceirizados, devido às péssimas condições a que são submetidos e à audiência de direitos, muitas vezes desenvolvem um sentimento de inferioridade e conformismo: "Já aconteceu de irmos para a porta das fábricas entregar os jornais do sindicato e escutarmos coisas do tipo 'eu não sou trabalhador, sou terceirizado'. Foi colocado na cabeças desses trabalhadores que eles não pertencem à classe, como se o trabalho que executam fosse menos importante. Isso enfraquece os enfrentamentos dentro das fábricas e faz com que esses trabalhadores não se engajem na luta por melhores condições", afirma Nilza.


Precisamos lutar agora pra que a terceirização não ganhe ainda mais força e respaldo na justiça, precarizando as condições de trabalho e vida da classe trabalhadores. Pressão para produzir Problema constantemente relatado por trabalhadores das mais diversas fábricas, a pressão para produzir também é constante entre as farmacêuticas. Quem trabalha na Eurofarma, por exemplo, sabe que a pressão e as altas metas impostas pela empresa fazem parte do dia a dia. Enquanto o clima de tensão e estresse só aumenta na fábrica, a Eurofarma fica cada dia mais rica às custas da saúde dos funcionários. A mesma situação é relatada pelos trabalhadores da Wyeth/Pfizer e da Sankyo. Com o aumento da pressão, consequentemente aumentam os casos de doenças ocupacionais nas empresas.


Mobilização para alcançar vitórias Além da pauta geral, a Campanha Salarial também é oportunidade para debater e lutar pelas pautas específicas de cada empresa. Na Colbras, farmacêutica da região de Cotia, um dos principais problemas é a jornada de trabalho. Os trabalhadores reivindicam sábados e domingos livres.

Na AstraZeneca, um dos principais itens em pauta é a PLR. Cerca de 70% dos trabalhadores ganham baixos salários e, por isso, não se beneficiam com a PLR. Os valores pagos não são iguais para todos, mas sim proporcionais ao salário. Dessa forma, são os chefes e encarregados que verdadeiramente lucram.

Os trabalhadores da Blau, por sua vez, foram obrigados a aceitar uma troca de convênio sem consulta prévia. O novo convênio, além de ser inferior, tem coparticipação. Isso significa que os trabalhadores precisam pagar por consultas e tratamentos médicos.

Deu pra perceber que a situação nas farmacêuticas só é boa quando o assunto é lucro e mais dinheiro no bolso do patrão. Quando falamos em condições de trabalho, todas as empresas deixam a desejar em algum aspecto.

Fonte: Jornal dos Unificados - janeiro/2015

Sindicato Químicos Unificados - Campinas, Osasco, Vinhedo e Região

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