Colapso da URSS e outros escritos [Ludo Martens]

APRESENTAÇÃO

O selo Edições Nova Cultura, da União Reconstrução Comunista, dá um segundo passo em seu projeto de editar importantes obras do revolucionário belga Ludo Martens, destacado dirigente do Partido do Trabalho da Bélgica, com esta edição que compila mais alguns importantes textos sobre o processo do revisionismo que dominou a União Soviética a partir do XX Congresso do PCUS, com a ascensão de Khrushchev ao poder no partido.

 

Anteriormente publicamos a obra de Ludo Martens, A URSS e a Contrarrevolução de Veludo, por considerá-la uma das melhores referências de aplicação do materialismo histórico à análise do processo da queda do bloco socialista no leste europeu e a dissolução da URSS.

Dentre as principais características dos escritos de Ludo Martens sobre o tema, está o afastamento das análises costumeiras da queda do socialismo nestes países, que identificam a motivação final deste processo no chamado “stalinismo”. Martens demonstra que tais teses de origem revisionista e oportunista são, na verdade, um mascaramento dos reais fatores que levaram à dissolução do socialismo no leste europeu. Os ataques à Stalin, neste sentido, foram o primeiro passo no ataque ao socialismo e aos fundamentos anteriormente demonstrados por Lenin; no processo de combate ao “culto da personalidade” iniciado por Khrush­chev e prosseguido por seus sucessores, foi substituída, pouco a pouco, a linha revolucionária do Partido Bolchevique, desenvolvida pelos camaradas Lenin e Stalin, por uma linha revisionista que abriu espaço, como alerta Martens, ao retorno político dos membros da antiga classe dominante: a burguesia de antes de 1917; remanescentes ligados ao czarismo; a igreja católica ortodoxa; fascistas derrotados da Segunda Guerra Mundial; e, por fim, a CIA.

 

Tais análises acerca do “stalinismo” como causa geral da derrocada do socialismo, fazem uma completa abstração da realidade soviética, tanto no campo da economia, como no âmbito da política, das relações internacionais; não se sustenta diante de uma análise críticas dos fatos. Ao desmontar as mistificações criadas acerca do fim da União Soviética, Martens permite uma compreensão correta da concepção ideológica do revisionismo que subiu ao poder no PCUS após a morte de Stalin, que por sua vez, também influir sobre diversos partidos, que marcaram o abandono do marxismo-leninismo e a adoção de posições oportunistas.

 

Ludo Martens apresentou uma lúcida e rica análise dos erros fundamentais que levaram a degeneração do Partido Comunista da URSS, e, também, dos demais partidos que dirigiam outros países socialistas. Martens deixa claro que o problema se inicia com algumas premissas khrushchevistas e que, em maior ou menor proporção, reaparecem nos governos subsequentes: a tese da convivência pacífica com o imperialismo; a tese da revolução pacífica, e a tese segundo o qual no socialismo soviético não havia mais luta de classes, colocando o comunismo com um norte próximo de ser alcançado. Diante do estrago causado pelo relatório Khrushchev e suas teses revisionistas, o fracasso da unidade do movimento comunista internacional, dividido entre os partidos que seguiram a posição revisionista e os que se levantaram contra estas posições, destacadamente os chineses e os albaneses, a cisão foi inevitável.

 

A presente obra de Ludo Martens nos possibilita imergir na névoa de caos causado pelos trotskistas, socialdemocratas, revisionistas, pós-modernos e outras falhas análises que sequer trazem à tona os problemas concretos que se desenvolveram nestes países, frutos de, em última instância, de uma linha política errada atolada no revisionismo que minaram os princípios do marxismo-leninismo na direção do partido e, consequentemente, levaram os países à restauração capitalista.

 

Em suma, Martens nestes trabalhos aqui compilados, nos oferece um instrumento essencial de combate ao reformismo, ao revisionismo e das tendências socialdemocratas e pequeno burguesas dispersas aos montes no movimento comunista.

 

O primeiro texto desta coletânea, datado de setembro de 1990, Os anos de Brej­nev: Stalinismo ou Revisionismo, tem como fio condutor a análise do caráter do período de Brejnev, o sucessor de Nikita Khrushchev. Martens se esforça para demonstrar as diferenças e semelhanças entre o governo de Brejnev, a partir dos documentos dos Congressos do PCUS, e a linha revisionista da direção de Khrushchev. Martens demonstra que a premissa do processo de ataque à Stalin (e por consequência, aos princípios do marxismo-leninismo) seguiu sob a direção de Brejnev. O período é marcado basicamente pela continuação de muitas das teses khrushchevistas, com tendência particular à militarização, no apoio bélico a partidos reformistas pelo restante do mundo, e condenar fortemente as lutas de li­bertação nacional. Brejnev, com a típica linguagem revisionista, afirmava, num momento de plena desunião do movimento comunista e, sobretudo, de desunião de linha ideológica com a China e a Albânia: que o movimento comunista internacional solidificou posicionamentos como força política influente do período. Poder-se-ia dizer que o “brejnevismo” seria um “khrushchevismo” militarizado.

 

Na sequência, o artigo Balanço do Colapso da URSS, que inclusive dá nome a esta coletânea, de abril de 1992, no qual Martens faz uma análise magistral sobre a degeneração no seio do Partido bolchevique, que culminou com a dissolução do primeiro Estado operário da história da humanidade. Neste trabalho, o autor, a partir de uma perspectiva marxista-leninista, apresenta como no desenvolvimento do Partido, mes­mo sob o socialismo, negligenciar a vigilância ideológica dos princípios do marxismo-leninismo, faz com que na luta interna dentro do seio partidário os elementos burgueses e contrarrevolucionários conquistem espaço, até que se chegue em um momento de total ruptura com o caráter revolucionário do partido revolucionário. E de forma geral, foi este o caso do processo ocorrido na URSS, a negação do marxismo-leninismo, ainda que com a máscara “comunista” do revisionismo soviético, fez com que a URSS caminhasse irresistivelmente ao seu colapso.

 

Já no intitulado Tiananmen, 1989: da deriva revisionista ao motim contrarrevolucionário, escrito em setembro de 1991, Martens analisa o processo contrarrevolucionário que eclodiu na China na esteira das contrarrevoluções do leste europeu e que culminou nos episódios da praça Tiananmen. O autor demonstra como no final da década de 1980, o imperialismo pôde dirigir um movimento de expressão da direita na China, com grande apoio na imprensa internacional. A tática consistia, num primeiro momento, em evitar, até que se crie o apoio popular, o enfrentamento direto com órgãos de defesa da ditadura do proletariado. Assim, ao conquistar vasta influência entre setores oscilantes ou reacionários das massas, passa-se à segunda etapa, para construir o psicológico social das massas para a ideia de “enfrentamento inevitável” devido ao papel “repressivo” adotado pelas autoridades chinesas, que por serem “totalitárias” em marcha a agressão permitem aos manifestantes o direito a “legitima defesa”. De modo geral, Martens explica como o imperialismo tentou aplicar a tática de revolução colorida e as responsabilidades do próprio Partido Comunista da China, por ter permitido que as condições materiais para este fenômeno se desenvolvem-se livremente.

 

No artigo O trotskismo a serviço da CIA contra os países socialistas, datado de outubro de 1992, Martens analisa as posições trotskistas e do movimento influenciado por estas, contribuiu ativamente para o ataque imperialista contra os países socialistas durante este processo de dissolução no final da década de 80. O autor demonstra como o trotskismo define o marxismo-leninismo como seu inimigo fundamental, e atua a serviço dos interesses do imperialismo, agindo como quinta-coluna no combate às experiências socialistas. Mandel, um dos principais dirigentes trotskistas do último século, ao apoiar a figura de Yeltsin como um revolucionário contra a burocracia “stalinista” exemplifica perfeitamente a quem serve, de fato, esta corrente nefasta que se desenvolve ainda hoje.

 

Nestes trabalhos, Martens oferece importantes contribuições para que se conheça os principais aspectos deste processo, o papel do revisionismo, a atuação nefasta de trotskistas e outras forças contrarrevolucionárias, a ação do imperialismo para fazer implodir os países socialistas. Uma leitura necessária para que compreendamos o desenrolar do XX Congresso e da linha revisionista khrushchevista, que tanto afetou negativamente o movimento comunista internacional e, em especial, em nosso país, com a adoção destas teses pelo Partido Comunista Brasileiro, com os reflexos deste caminho tomado sendo sentidos até hoje.

 

Tal qual Martens faz, devemos nos guiar por uma análise fundada no materialismo histórico, nos fatos concretos da nossa história e do movimento comunista no Brasil, para compreender os erros e travar a luta contra o revisionismo e o oportunismo no movimento, para assim sermos capazes de reconstruir o partido revolucionário da classe operária e retomar o caminho da Revolução Brasileira.

UNIÃO RECONSTRUÇÃO COMUNISTA

COLAPSO DA URSS E OUTROS ESCRITOS
Segundo volume da série, esta coletânea de textos do comunista belga Ludo Martens é mais uma obra fundamental para a compreensão dos processos contrarrevolucionários desenvolvidos na URSS e nos países socialistas no Leste Europeu e sua ligação intrínseca com a ascensão do revisionismo de Khrushchev no XX Congresso. Os artigos que compõe este volume são: "Os anos de Brejnev: stalinismo ou revisionismo?", "Balanço do colapso da URSS: sobre as causas de uma traição e as tarefas futuras dos comunistas", "Tiananmen, 1989: da deriva revisionista ao motim contrarrevolucionário", "O Trotskismo a serviço da CIA contra os países socialistas", "Sobre alguns aspectos da luta contra o revisionismo".

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